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A China ultrapassa os Estados Unidos em número de internautas

 Comunicação
O governo de Pequim tenta controlar a rede a partir dos motores de busca nacionais
A China ultrapassa os Estados Unidos em número de internautas

E isto ?? s?? o princ??pio, porque a história da rede no pa??s asi??tico ainda est?? a dar os primeiros passos. Com efeito, a taxa de penetra????o, que ?? de 70% nos Estados Unidos, ?? na China de apenas 20%. Mas os dados indicam um futuro promissor: o número de internautas chineses aumentou uns espantosos 50% durante o ano passado. De tal maneira que, hoje em dia, .cn, o c??digo da China para os nomes de domínio, ?? j?? o c??digo mais utilizado.

 

A Internet foi um dos grandes quebra-cabe??as de um governo chin??s empenhado na censura informativa. E vai continuar a ser, porque controlar a utiliza????o da Rede ?? o mesmo que tentar reter as ??guas nas margens de uma catarata. Por outro lado, a China ?? ??? para uma Internet onde a economia da livre troca tem total margem de manobra ??? um mercado muito apetitoso.

 

E também ?? natural que o mercado chin??s desperte o interesse das grandes marcas. Os primeiros a entrar na competi????o são os próprios motores de busca, para os quais a China não ??, contudo, uma ilha deserta; de facto, os gigantes do sector j?? encontraram instalados motores de busca locais, como o Baidu, que neste momento domina as opera????es; Sina.com e Sohu.com, que ser?? o s??tio web oficial dos Jogos Ol??mpicos. O Google det??m apenas 32% do mercado dos motores de busca, ficando muito atr??s do Baidu (63%).

 

Por detr??s dos motores de busca, ?? o negócio da publicidade que esfrega as m??os de contente quando contempla o novo panorama. Tamb??m esse campo ?? dominado pelo Baidu, que controla 39% do mercado publicit??rio chin??s, seguido do Google, com 20%, e do Yahoo, com 12,6%. De acordo com as declara????es feitas ao New York Times pelos responsáveis da Morgan Stanley, o negócio da publicidade online est?? a crescer na China a um ritmo de 60 a 70% ao ano.

 

Um perigo ou uma oportunidade

 

Este auge da Internet produzir?? mudanças significativas na China? O governo tem consciência dos seus riscos e vantagens. ?? certo que alguns gritos de protesto dissidentes encontraram na Rede uma caixa de resson??ncia capaz de passar fronteiras. Mas, se a capacidade de comunicação e de informação suscitada pela Rede seria uma amea??a para qualquer ditadura, o regime chin??s não pretende apenas minimizar os perigos que ela coloca ?? sua hegemonia ideológica; pretende sobretudo tirar partido do influxo social da nova tecnologia. E foi com este objectivo que empregou mais de 30.000 polícias inform??ticos que, na sombra, controlam aquilo que escrevem, como e a quem o escrevem, as j?? centenas de milhões de internautas nacionais.

 

O regime tem consciência de que, neste domínio, o peso maior ?? o das novas gerações. 70% dos utilizadores chineses da rede t??m menos de 30 anos. Com estes, a estratégia ?? clara: o aparelho de propaganda procura fazer com que se centrem em ??mbitos distantes da política, como são o das celebridades e do desporto; os próprios Jogos Ol??mpicos acabaram por ser aliados perfeitos para conseguir inculcar nos mais jovens um fervor patri??tico que serve indubitavelmente os interesses do governo. Interesses que consistem em evitar que a dissid??ncia seja sequer uma tenta????o para uma gera????o de jovens fortemente doutrinados, que o governo soube mobilizar a seu favor em crises como a que abalou o T??bete.

 

O predomínio que, de momento, os motores de busca nacionais det??m ?? um factor que joga a favor do governo, que tem mais facilidade em os controlar do que aos motores internacionais. Mas também não ?? claro que os operadores ocidentais estejam dispostos a correr o risco de irritar os dirigentes políticos de um mercado t??o suculento como o mercado chin??s.