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Twitter: o mundo em 140 caracteres

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Twitter: o mundo em 140 caracteres

A ag??ncia Compete, especializada na an??lise do universo on-line, classificou o Twitter em terceiro lugar entre as redes sociais, depois do Facebook e do MySpace.

 

A mec??nica elementar deste produto ?? mais do que simples, pois consiste na publica????o e leitura em tempo real de tweets (mensagens até 140 caracteres) mediante contas de utilizador que podem gerir-se no computador ou no telem??vel. A extens??o desses assobios (tweets) permite que possam criar-se e circular atrav??s da plataforma SMS acessível por telefone.

 

Por outro lado, existem programas gratuitos (TweetDeck, Twitterfeed, Twhirl ou Twitterific) que se mant??m no ??cr?? do computador ou que se executam no telem??vel (especialmente no iPhone), e gra??as aos quais não ?? necessário entrar na web do Twitter para enviar ou ler os tweets. Sem contar, claro, que também se pode aceder a eles atrav??s do Blackberry.

 

Entre seguidores

 

Como as redes sociais, o Twitter funciona segundo o princ??pio dos "seguidores". Quando algu??m com uma conta Twitter decide "seguir" outro que também ?? utilizador, os tweets deste último aparecer??o na ordem cronologicamente inversa na p??gina do primeiro. E se um ?? seguidor de 20 pessoas, encontrar?? na sua p??gina uma s??rie de tweets enviados por todos com a informação mais heterog??nea: muitas trivialidades pessoais, claro, mas também links a artigos cient??ficos ou a v??deos. Britney Spears tem 1,7 milhões de seguidores, enquanto Ashton Kutcher j?? superou o milh??o. Algo que, como assinala uma reportagem da Time (15-06-2009), se equipara ?? audi??ncia de uma emissão televisiva.

 

O produto combina o atractivo de um blog com o de uma sala de chat. "O Twitter permite saber instantaneamente o que est?? a acontecer com os assuntos que o preocupam", disse Evan Williams, director executivo e co-fundador da empresa. Juntamente com os seus s??cios Biz Stone e Jack Dorsey, o destaque que Williams deu inicialmente ao Twitter foi o de uma simples ferramenta para se manter em contacto com pessoas j?? conhecidas, respondendo ?? pergunta What are you doing? (Que est??s a fazer?).

 

Em 2006, quando o Twitter acabava de sair, os tr??s homens sentiram um ligeiro tremor de terra em S. Francisco. Os tr??s agarraram-se aos seus telefones para "tweetar" sobre o sucedido, e depararam-se com mensagens de outras pessoas da cidade. Naquele momento, tornou-se-lhes claro que Twitter podia converter-se numa forma de enviar títulos de notícias, e não s?? a amigos mas também a qualquer pessoa.

 

A seguir, dois acontecimentos puseram ?? prova as possibilidades do invento: a s??rie de atentados terroristas em Mumbai durante o m??s de Novembro passado, e a aterragem improvisada de um avi??o comercial nas ??guas do rio Hudson em Janeiro. As mensagens do Twitter adiantaram-se em ambas as ocasi??es ??s primeiras notícias das ag??ncias.

 

"O Twitter deu a volta ?? no????o de grupo", afirma Paul Saffo, o c??lebre consultor sobre tecnologias do futuro sedeado em Silicon Valley. "Em vez de criar o grupo que se quer, tweeta-se alguma coisa e o grupo forma-se espontaneamente".


Ferramenta de "marketing"

 

A potencialidade do Twitter para substituir em muitos aspectos um motor de busca como o Google j?? parece provada. Porque se temos de fazer uma investiga????o, suponhamos, sobre Cervantes, talvez seja mais preciso, autorizado e fi??vel realizar uma consulta atrav??s do Twitter e seguir as recomenda????es de amigos dos amigos, em vez de recorrer aos primeiros resultados dados pelo Google.

 

Em marketing, o Twitter também ?? ??til para as PME, que podem servir-se dele, por exemplo, para promover os seus dias de descontos especiais. Por seu lado, grandes cadeias como a Starbucks transferiram para o Twitter o seu livro de reclama????es, e permitem aos seus clientes enviar posts (correio) com observa????es que são examinados por Brad Nelson, encarregado de actualizar as notícias relativas ?? empresa na rede social. H?? tempos, perante o rumor de que a Starbucks se recusava a enviar caf?? ??s tropas no Iraque como protesto contra a guerra, Nelson defendeu-se tweetando: "Não ?? verdade. Eis aqui os factos", e a seguir o link ?? rede onde a Starbucks negava o boato.

 

Em geral, as mensagens trocadas atrav??s do Twitter servem ??s empresas para conhecer melhor os h??bitos dos consumidores. A Dell, por exemplo, conseguiu informar-se atrav??s dos tweets dos seus utilizadores de que estes se queixavam da excessiva proximidade entre a tecla do ap??strofe e a do retroceder no seu computador port??til Dell Mini 9, e assim modificou o teclado para a edi????o seguinte do produto (Dell Mini 10).

 

Por outro lado, surtos como o da gripe A podem manter-se localizados gra??as ??s refer??ncias sobre a doença que aparecem nos tweets; um trabalho de que se encarrega j?? um serviço chamado SickCity.


O Twitter na política

 

A 15 de Junho passado, um oficial de 27 anos do Departamento de Estado, Jared Cohen, enviou um correio electr??nico ao site do Twitter com uma peti????o desconcertante: que a empresa adiasse os trabalhos de manuten????o anunciados para a sua rede global, j?? que podiam provocar a suspens??o do serviço enquanto os iranianos o utilizavam para informar o mundo exterior do que se passava em Teer??o depois das eleições.

 

Como assinalam Mark Landler e Brian Stelter no The New York Times (16-06-2009), "trata-se do reconhecimento, por parte dos Estados Unidos, de que um serviço de blogues pessoais por Internet, que h?? quatro anos não existia, tem a capacidade de influir nos factos que ocorrem num velho pa??s muçulmano".

 

Os Estados Unidos assinalaram que esta peti????o (a que o Twitter, efectivamente, atendeu, adiando os trabalhos de optimiza????o do serviço) não constitui uma ingerência na política iraniana, pois aconteceu tr??s dias depois das eleições e quando os protestos eram j?? um facto consumado. "Defendemos a liberdade de express??o - disse P. J. Crowley, subsecret??rio de Estado para os Assuntos P??blicos. A informação deve ser utilizada para promover a liberdade de express??o".

 

Tamb??m as revoltas na Mold??via no passado m??s de Maio se organizaram via Twitter, enquanto a sua utiliza????o cada vez mais difundida entre os dissidentes do regime chin??s bloqueou, durante os dias do anivers??rio dos assass??nios de Tiananmen, o acesso ao site. No entanto, não h?? consenso acerca da utilidade do Twitter na luta contra o poder. H?? até quem pense que, ao contr??rio, constitui um recurso estupendo para que os serviços de segurança de um regime possam informar-se do que se trama entre os cidad??os.

 

Isto ?? o que sustenta no The Boston Globe (20-06-2009) Evgeny Morozov, do Open Society Institute, para quem "a organiza????o dos protestos ?? algo muito diferente da sua difusão: a primeira requer segredo absoluto; a segunda consiste no contr??rio. Debater no Twitter as questões log??sticas s?? serve para atrair desnecessariamente a aten????o do governo e de outros detractores". A conclusão de Morozov ?? que "nem todo o activismo on-line ?? efectivo: de que vale a habilidade dos estrangeiros para apoiar o protesto via Twitter se estes apoios não fazem mais do que piorar a situação dos que estão no pa??s envolvido?".

 

Aceprensa