???A defesa da família exige um projecto cultural de fundo???
Ao estudarem a família, os media limitavam-se até h?? pouco tempo a investigar os efeitos da televis??o nas crianças ou o modo como a imprensa tratava o problema da violência dom??stica. Faltavam, no entanto, an??lises de fundo sobre o conceito de família nos meios de comunicação social.
Com este objectivo nasceu em Fevereiro de 2005 a Family and Media. Trata-se de um grupo de investiga????o ao qual j?? aderiram professores de It??lia, de Espanha, da Argentina, do Chile, da Pol??nia e de Angola.
- Quais são os temas sobre a família hoje mais debatidos na opinião pública?
- Os movimentos pr??-família usam cada vez menos met??foras muito gastas como a da "c??lula b??sica da sociedade". A ideia que est?? por detr??s desta imagem continua v??lida, mas enriquece-se agora com outras perspectivas: a família como agente de mudança social (mais usada no espa??o anglo-sax??nico), como escola de humanidade ou como espa??o de solidariedade inter-geracional.
"Entre os que não estão desse lado, não existe uma ideia clara sobre a família. O modelo de relação dominante são as uni??es afectivas sem v??nculos. Durante muito tempo, dizia-se que a "família estava em transformação". Esta express??o utilizava-se como arma ret??rica para impor um modelo de relação emotiva e sem compromisso.
A ideologia do g??nero contribuiu para criar este estado de coisas, difundindo a ideia de que a família ?? uma construção cultural. As s??ries televisivas, as telenovelas e os talk-shows "domesticam" massivamente os seus públicos reformulando "novos modelos de família".
- Al??m de analisar as concep????es de família nos meios de comunicação social, a equipa de investiga????o que dirige tem uma "finalidade operativa". Em que consiste e que passos estão a dar para a conseguir?
- Conhecer como se caracteriza a família nos media tem um interesse operativo e não s?? descritivo. Utilizamos os resultados das an??lises emp??ricas para promover uma imagem verdadeira da família. Interessam-nos, sobretudo, os aspectos antropológicos e culturais que estão por detr??s das representa????es da família.
"O nosso objectivo ?? fornecer argumentos ??s organiza????es que se dedicam ?? promo????o da família"
Em segundo lugar, o nosso objectivo ?? fornecer argumentos ??s organiza????es que se dedicam ?? promo????o da família, ??s associa????es de orienta????o familiar e ??s de ouvintes da r??dio e telespectadores. Sem ideias nem argumentos não h?? ac????o eficaz. Acreditamos que assim melhoraremos o seu poder comunicativo nos media e o seu impacto na agenda política.
Por exemplo, estamos agora mesmo a terminar uma investiga????o sobre a gestão da comunicação por parte das associa????es que integram o F??rum das Fam??lias em It??lia. Esses resultados ser??o também apresentados ??s outras associa????es pr??-família de It??lia, da Am??rica Latina e de Espanha.
- Nas sociedades ocidentais, o lobby gay conseguiu alterar as ideias sobres as pr??ticas homossexuais. Que li????es podem tirar aqueles que desejam promover abordagens favoráveis ?? família?
- H?? que dizer, em nome da verdade, que nem todos os homossexuais estão de acordo com a ideologia gay. Conv??m al??m do mais recordar que o que este colectivo procura implicitamente alcançar ?? o reconhecimento social; a legaliza????o do "casamento gay" ?? simplesmente um meio errado de o conseguir.
O nosso projecto ?? cultural, não ideológico. ?? um pequeno contributo para reconstruir o imagin??rio social sobre a família. ?? fundamental haver comunicação, porque isso obriga a pensar em termos estratégicos e não t??cticos. Não chegam ac????es isoladas nem mobiliza????es, requer-se um projecto cultural de fundo que integre essas ac????es pontuais num programa a longo prazo.
- H?? anos que os militantes pr??-família dos Estados Unidos insistem em afirmar que o casamento não ?? uma simples relação afectiva entre dois adultos, mas sobretudo um bem social pensado para proteger as crianças. No seu entender, que mensagens sobre a família ?? necessário tentar transmitir hoje ?? opinião pública?
"Devemos hoje em dia p??r em evid??ncia a educa????o dos filhos, para a partir da?? podermos reconstruir o tecido das relações conjugais e paterno-filiais."
- Na minha opinião, hoje devemos p??r a t??nica na educa????o dos filhos. A partir desta ideia, poderemos reconstruir o tecido das relações conjugais e paterno-filiais com as suas caracter??sticas espec??ficas. ?? lógico que as associa????es pr??-família fa??am finca-p?? nesta ideia, a fim de fortalecer o casamento. Por exemplo, não ?? por acaso que muitas uni??es de facto decidam oficializar a sua união quando chega o primeiro filho.
O v??nculo conjugal pode dissolver-se. O que não se pode destruir ?? o v??nculo com os filhos. Pode-se ser ex-mulher, ex-marido ou ex-companheiro. Mas não se pode ser ex-progenitor. Al??m do mais, hoje em dia temos de estar prevenidos para enfrentar a chantagem emocional que sofrem algumas crianças. H?? pais e m??es que tentam atrair afectivamente o filho para si ("se-ducere"). Mas a educa????o ?? outra coisa: ?? extrair as potencialidades do filho ("ex-ducere").

