P??nicos nucleares de ontem e de hoje
O que mudou, não foi tanto o nível do desarmamento, mas o clima das relações entre os Estados Unidos e a R??ssia. Depois do fim da Guerra Fria, assinaram-se acordos de desarmamento nuclear (o START-1 de 1991 e o tratado de Redu????o de Potencias Estrat??gicas Ofensivas de 2002) com o propósito de acabar com a corrida aos armamentos e de iniciar um novo per??odo de confian??a. No entanto, se bem que o START-2, agora assinado, v?? reduzir em 30% o número de ogivas nucleares, os peritos afirmam que ?? mais um golpe de propaganda do que uma efectiva e real redu????o de armamento. Com efeito, os Estados Unidos e a R??ssia mant??m operacionais mais de 3.000 ogivas nucleares, que representam 90% do total mundial, com capacidade suficiente para destruir o planeta.
O que parece mais "desarmado" ?? o movimento pacifista que, na década de 80, afligia o mundo com as suas manifestações e punha em xeque os governos ocidentais. Na verdade, conforme depois foi comprovado, em muitos casos era a R??ssia que movia os "cordelinhos" do pacifismo, angustiada pela corrida aos armamentos que não podia manter. Mas, de qualquer maneira, havia também uma genu??na inquieta????o pela amea??a nuclear.
Continuam os arsenais
A preocupa????o acerca do armamento nuclear encontra-se bem reflectida no livro de Jonathan Schell, O destino da Terra que se converteu, nos princ??pios dos anos 80, no "livro de cabeceira" do movimento pacifista (tal como aconteceu com o de Al Gore, Uma verdade inconveniente, para aqueles que andam agora angustiados com a mudança clim??tica).
A primeira parte da obra apresenta o espect??culo aterrador de uma Terra devastada ap??s uma guerra nuclear - "uma república de insectos e de erva". Descrevia minuciosamente, não apenas os efeitos conhecidos das armas nucleares, mas também outros que não passavam de hip??teses. A seguir, criticava fortemente as incoer??ncias da dissuas??o nuclear, baseada no equil??brio do terror (a teoria da Destrui????o M??tua Assegurada). No entanto, a realidade tem mostrado que os m??sseis com ogivas nucleares nunca sa??ram dos seus dep??sitos.
Presentemente, os arsenais nucleares continuam a manter a mesma amea??a, mas ningu??m acredita numa guerra nuclear. Obama insiste em afirmar que, "o que aumentou consideravelmente ?? o perigo de um ataque nuclear", se grupos terroristas conseguirem abastecer-se com ur??nio enriquecido, que seja suficiente para fabricar uma bomba. Hoje em dia, a segurança nuclear preocupa-se mais em resguardar convenientemente o material at??mico existente, (que nem sempre se encontra guardado com as suficientes medidas de segurança) do que, propriamente, com o desarmamento nuclear.
Obama, pela energia nuclear
A opinião pública est?? presentemente mais preocupada com o ??tomo para a paz do que com o ??tomo para a guerra
A opinião pública est?? presentemente mais preocupada com o ??tomo para a paz do que com ??tomo para a guerra, e mais inquieta com as centrais nucleares do que com os m??sseis. Não obstante o debate efectuado, a procurar solu????es que reduzam as emiss??es do efeito de estufa, e a necessidade de aumentar a produção de energia, que deu "novas asas" ao recurso ?? energia nuclear, existe, no entanto, forte resist??ncia ?? construção de centrais nucleares e um medo at??vico, inclusivamente ?? armazenagem de res??duos nucleares, como se pode concluir do recente debate efectuado em Espanha. Contudo, os movimentos ecologistas mant??m ?? saciedade o dogma antinuclear, como ontem os pacifistas combatiam a instala????es de m??sseis.
Por isso sentiram como que uma punhalada pelas costas, quando Obama anunciou, no passado m??s de Fevereiro, a sua decisão de apoiar com avais do Estado os projectos de dois novos reactores nucleares, os primeiros que, desde h?? trinta anos, se iriam construir no pa??s. Por causa do acidente na central de Three Mile Island, em 1979 que, ali??s, não teve nenhum efeito nocivo sobre a povoa????o, qualquer projecto de uma central nuclear ?? visto como perigo potencial para a segurança do cidad??o.
Como costuma acontecer nos casos em que entram em jogo emo????es intensas, as pessoas são levadas a prestar mais aten????o ?? magnitude de um possível resultado adverso - como um acidente nuclear - do que ?? baixa probabilidade que tal aconte??a.
Presentemente, a opinião pública não se mobiliza em nenhum pa??s a favor do desarmamento nuclear ou da não prolifera????o, pelo que a ac????o de Obama, nesta mat??ria, oferece poucas hip??teses de popularidade. Por outro lado, ser?? cada vez mais urgente afrontar a questão energ??tica. Do ponto de vista da opinião pública, seria mais f??cil que o consumidor apoiasse a energia nuclear, quando visse o seu efeito na redu????o das contas de electricidade, facto pouco prov??vel por agora. Mas ?? possível que a opinião venha a mudar, se o pânico do "holocausto clim??tico" aumentar, como aconteceu no passado com o medo do "holocausto nuclear".

