Melhorar a comunicação na Igreja em tempos conturbados
Uma das ideias que inspirou este Congresso, organizado pela Faculdade de Comunica????o Institucional da Universidade Pontifícia da Santa Cruz, foi reunir num mesmo foro jornalistas das mais variadas tendências com os responsáveis dos gabinetes de comunicação da Igreja.
A iniciativa era arriscada, sobretudo num momento em que o esc??ndalo dos abusos sexuais cometidos por alguns sacerdotes no passado se converteu num tema quase exclusivo na informação sobre a Igreja.
J??rg Bremen, do jornal alem??o Frankfurter Allgemeine Zeitung, pediu rapidez e iniciativa aos comunicadores eclesiais. "Parece que ?? Bento XVI quem deve resolver as controvérsias. H?? um grande vazio no meio: o Papa j?? disse o que tinha que dizer; agora algu??m deve comunicar a sua mensagem".
Gian Guido Vecchi, do Corriere della Sera, deu alguns conselhos pr??ticos aos assistentes: "Não condenem o jornalista que se engana: d??m-lhe dados seguros. Não digam ???venha ter comigo amanh??', porque temos que escrever a p??gina de qualquer maneira. Sejam breves e claros; n??s trabalhamos em contra-rel??gio".
Elogio do "slow-food"
Jos?? Mar??a La Porte, vice-decano da Faculdade de Comunica????o Institucional da Universidade Pontifícia da Santa Cruz, prop??s ideias para enriquecer o diálogo entre jornalistas e comunicadores da Igreja.
Aos primeiros pediu serenidade e capacidade de an??lise para abordar os temas mais complexos. Servindo-se da distin????o entre slow e fast-food, explicou que "um jornalista não pode limitar-se a revelar os acontecimentos mas deve analisar as correntes de opinião".
Com frequ??ncia, a rapidez com que alguns jornalistas abordam as polémicas relativas ?? Igreja faz com que se perca o contexto em que as coisas se passam. De maneira que a informação acaba por ser deturpada e parcial. Casos como o dos abusos sexuais requerem um tratamento mais profundo, que permita perceber a verdadeira ess??ncia do fenómeno.
Por sua parte, os comunicadores institucionais não podem limitar-se a salvaguardar a imagem da institui????o que representam; acima de tudo est?? o bem comum (o esc??ndalo dos abusos, as vítimas). Longe de a denegrir, esta abordagem cr??tica pode contribuir para renovar a identidade cristã.
Uma proposta estratégica
O lema do congresso "Identidade e diálogo", serviu de b??ssola ao professor La Porte para elaborar uma proposta que contribua para melhorar o papel dos comunicadores da Igreja. Vem a propósito resumi-la em nove princ??pios de actua????o:
- O comunicador institucional deve ser um verdadeiro interlocutor. Isto exige melhorar a própria formação para conhecer melhor a mensagem que se transmite e adquirir um maior conhecimento técnico.
- Abordar os debates públicos com um documento que sintetize a própria posi????o; este texto, de uma ou duas p??ginas, facilita o diálogo ao mesmo tempo que serve para clarificar a própria identidade.
- Facultar conteúdos com uma dieta rica em vitaminas intelectuais. Trata-se de material valioso para os jornalistas para que cheguem ao fundo das questões, incentivando assim o "slow-food" informativo.
- Considerar as polémicas como uma oportunidade de comunicação para reafirmar a própria identidade católica e transmiti-la.
- Esbo??ar um esquema de valores para apresentar o cristianismo de forma atractiva: solidariedade, alegria, testemunho dos santos...
- Propor de modo constante e coerente a própria posi????o em diversos foros, contando com a ajuda de pessoas destacadas e experientes.
- Traduzir em estratégias comunicativas as principais orienta????es da diocese ou das instituições.
- Criar um discurso comunicativo sobre a identidade cristã a partir de duas coordenadas: a ess??ncia da perspectiva da Igreja, que propaga uma mensagem universal nas comunidades locais, e a ess??ncia dos temas relacionados com a f??.
- Potenciar a criatividade para abrir novos espa??os de diálogo com grupos e instituições diversas. Trata-se de criar um ambiente comum ?? volta de um valor partilhado como a transcend??ncia, a solidariedade ou a beleza da liturgia ou da arte.

