Amarrados ao teclado
A liga????o ?? Internet ?? relativamente f??cil num pa??s onde 90% das famílias possui liga????o de banda larga e existem numerosos cibercaf??s abertos as 24 horas do dia. ?? preocupa????o por estes dados juntou-se o alarme provocado por dois acontecimentos que abalaram a opinião pública coreana. Em Mar??o, um casal foi detido pelo falecimento do seu filho de tr??s meses, que morreu por falta de assist??ncia enquanto eles passavam a maior parte do dia a jogar num bar. Um m??s antes, um jovem de 22 anos tinha matado a m??e por esta lhe reprovar a depend??ncia.
Na Coreia do Sul, o Minist??rio da Cultura e os principais produtores de jogos estabelecer??o no final do ano um recolher obrigat??rio para as liga????es
Perante este aumento de depend??ncia, sobretudo na adolesc??ncia, o governo coreano decidiu tomar algumas medidas. Est?? prevista a restri????o do acesso aos mais populares jogos online. E, tendo em conta que os jovens come??am a familiarizar-se com a Internet cada vez mais cedo, vai criar um projecto de carácter preventivo: as escolas ter??o assessores e especialistas para ensinar as crianças a usar correctamente as novas tecnologias.
Por outro lado, o Minist??rio da Cultura e os principais produtores de jogos do pa??s concordaram em estabelecer no final do ano um ???recolher obrigat??rio' para as liga????es. Ficar?? a partir de ent??o bloqueado a menores de 18 anos o acesso a tr??s jogos entre a meia-noite e as oito da manh??.
O Minist??rio também prop??s aos fornecedores de jogos que pe??am a identifica????o aos jogadores, para se certificarem da idade. As autoridades públicas julgam também importante que as empresas concebam processos de os pais comprovarem se os filhos utilizam os dados dos progenitores para falsificar os limites de idade.
As principias empresas de jogos estão também conscientes da necessidade de estabelecer medidas para prevenir esta adic????o, pelo que não se opuseram ??s decisões do governo. A Nexon, uma das empresas mais importantes de jogos online, julga ser necessário ensinar os jovens a divertir-se com as novas tecnologias de forma s??, para evitar depend??ncias.
O governo coreano destinou j?? o equivalente a 9 milhões de dólares a campanhas que alertem para os perigos da depend??ncia da Internet e est?? também a financiar centros que tratem estas novas depend??ncias. Ao mesmo tempo, abriu-se nos Estados Unidos um centro chamado ReSTAR onde se tratam especificamente perturba????es relacionadas com o uso excessivo da Internet, dos telem??veis e das novas tecnologias.
Um dia desligados
A maioria dos estudantes norte-americanos que se dispuseram a passar um dia "desligados" sentiam-se como se tivessem perdido o v??nculo com a realidade, com os amigos e os familiares
Tamb??m os SMS, os correios electr??nicos e as redes sociais podem "amarrar". Na Universidade de Maryland, 200 estudantes entre os 18 e 21 anos foram escolhidos para passar um dia "desligados". A investiga????o (A Day Without Media), realizada pelo Internacional Center for Media and the Public Agenda da Universidade, mostrou que os jovens não sabem viver sem as novas tecnologias, que são a sua forma de se relacionarem com o mundo.
De facto, os participantes desenvolveram um certo "s??ndrome de abstin??ncia", com sintomas - basicamente de ansiedade e de bloqueio mental - semelhantes aos provocados pela depend??ncia de drogas ou do ??lcool. Para al??m disso, sentiam-se indefesos e desconfort??veis sem os seus aparelhos. Os estudantes descreveram a sua experiência nos seus blogs e webs. Alguns deles reconheciam que a sua depend??ncia das novas tecnologias era "francamente doentia".
Susan Moeller, directora do estudo, assinala que a maioria dos estudantes que participaram na investiga????o se sentiam como se tivessem perdido o v??nculo com a realidade, com os amigos e os familiares. De facto, aquilo de que a maioria mais sentiu a falta foi a comunicação que mantinha com os seus conhecidos, gra??as aos telem??veis ou ?? Internet. Para eles, estar um dia sem liga????o acabava por ser "como renunciar ?? vida social".
O perigo, em todo o caso, ?? que a prolifera????o das relações virtuais pode atrasar ou dificultar as relações pessoais tradicionais; o telefone m??vel ou as redes sociais podem prejudicar o desenvolvimento de um m??nimo de intelig??ncia emocional e desse saber humano indispens??vel nos contactos "face a face", quer seja no lugar de trabalho, no namoro ou nos contactos entre cidad??os.

