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Ascens??o e queda na bolsa da arte contempor??nea

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Ainda que valor e preço possam estar muito dissociados na arte contempor??nea, é preciso entender quais os factores que fazem que o preço de uma obra "dispare"
Ascens??o e queda na bolsa da arte contempor??nea

Como ?? possível que uma obra de arte contempor??nea chegue a valer 12 ou mesmo 140 milhões de dólares? Tais valores relacionam-se com o ju??zo est??tico, com o facto de o seu autor ser famoso ou que proceda de uma casa de Leil??es como a Christie's ou a Sotheby's?

 

Para Don Thompson, a principal componente do valor acrescentado procede das leiloeiras de marca: Christie's e Sotheby's

 

Economista e especialista em arte, Dan Thompson, explica-o sem qualquer dúvida no livro The $12 Million Stuffed Shark . ?? necessário contar com vários factores e determinadas caracter??sticas, para atingir este preço: um artista de marca, unido a um marchante de prest??gio; uma galeria com um status not??vel e, evidentemente, uma dessas duas Leiloeiras. Movemo-nos em torno do conceito de "marca", que se aplica quer ao artista, quer aos agentes que interv??m nas transac????es das obras de arte em que estas atingem os preços correspondentes.

 

A marca outorga personalidade, distin????o e valor a um produto ou serviço. E serve também para evitar riscos e nas aprecia????es de confian??a. Na arte contempor??nea a principal componente do valor acrescentado procede das citadas casas Leiloeiras de marca: Christie's e Sotheby's, que outorgam aos licitadores grande poder aquisitivo, conota????es de status, qualidade e celebridade.

 

A insegurança dos coleccionadores de arte - que não costumam ter um critério est??tico muito s??lido, nem conhecer muito bem este mercado - leva-os a confiar numa marca: e esta ?? o prest??gio.

 

A feira, a galeria e o museu

 

Os coleccionadores são clientes habituais dos marchantes "superestrelas", licitam nas casas leiloeiras de prest??gio e procuram artistas na moda: a inter relação entre eles e a feira de arte, a galeria e o museu ocupam os capítulos da obra The $12 Million Stuffed Shark. Thompson inicia o seu livro mostrando tanto o preço final da obra de arte, como o valor que esta pode chegar a atingir em futuras transac????es, como se a compar??ssemos com a bolsa de valores...

 

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Assim, Thompson presta especial aten????o ?? Christie's e ?? Sotheby's: constituem o duop??lio e o cen??rio, onde o espect??culo das marcas se torna mais vistoso e o lugar onde se incubam e nascem as marcas dos artistas. O ambiente dos leil??es, o seu modo de actuar, um pouco opaco e dif??cil para o ne??fito, a sua relação com os marchantes, os lan??os, as licita????es, os licitadores e compradores: são descri????es, cifras e epis??dios que ocupam boa parte do livro, mesmo dentro dos capítulos especificamente dedicados ao resto dos agentes do mercado da arte. Mas também conta as histórias de alguns marchantes importantes, como Vollard, Leo Castelli e Larry Gagosian.

 

Ainda que o autor tenha efectuado entrevistas a pessoas de reconhecido prest??gio, dominam os números e os nomes de coleccionadores, artistas, galerias de maior reputa????o internacional, as feiras de arte e os leil??es a que assistiu...; mas, ao longo da leitura do livro, conclu??mos que o mercado da arte contempor??nea se torna muito complexo e pouco transparente. Sabemos também que estamos a ler um livro de divulga????o, e não pretendemos converter-nos em especialistas investidores nem que se nos revelem processos que, obviamente, como noutros ??mbitos, s?? os especialistas conhecem bem. Precisamente o último capítulo dissuade-nos de pretender enriquecer deste modo, pois as enormes cifras em jogo são - evidentemente - as das boas transac????es, pois das m??s quase não se fala.

 

Artistas medi??ticos

 

Thompson trata con especial atenci??n os artistas medi??ticos, famosos y de marca como Damien Hirst, Warhol, Koons e Emin. Fornece-nos brev??ssimas histórias dos seus inícios, dados chave, epis??dios variados e frases de especialistas, que ilustram tanto estes capítulos, como os dedicados aos museus importantes ou ??s feiras de arte, que apresenta como a mudança cultural na compra de obras de arte. O modo de comprar arte, de vender ou leilo??-la, e os motivos pelos quais se compra, mudam conforme se fa??a numa galeria, numa feira, atrav??s de um museu ou num leil??o nocturno ou diurno.

 

MoMA, Guggenheim o Tate são marcas de museus: os mais relevantes do panorama internacional. Quando o MoMA exp??e a obra de um artista, transmite uma marca comunit??ria, que no mundo da arte se chama "proced??ncia". Os marchantes de arte contempor??nea como Gagosian ou White Cube de Jay Joplin em Londres, são marcas respeitadas. Escolhidos coleccionadores como Saatchi e artistas como os citados obtiveram o status de marcas reconhecidas.

 

Daniel Thompson afirma claramente: "o mercado est?? dirigido pelos leil??es de alto standing e as feiras de arte, que se convertem em eventos, por direito próprio, entretenimento e exibi????o pública para os mais opulentos". A marca neste mercado de arte, outorga um plus de celebridade, de confian??a, de distin????o, de status ?? obra de arte contempor??nea, que os mais ricos, entre os ricos, requerem para distinguir-se um pouco mais entre os da sua classe.

 

Patricia Morodo

 

(1) Editado por Aurum Press Ltd, London, 2008; e Palgrave Macmillan, New York, 2008. Muito expl??citamente traduzido em espanhol por Blanca Ribera, que inclui também o subtítulo original: El tibur??n de 12 millones de dólares. La curiosa econom??a del arte contempor??neo y las casas de subastas. Ariel, Barcelona, 2009, 330p.

 

(2) Editado por Grana Books, London, 2008. (Tradu????o espanhola: Siete d??as en el mundo del arte. Edhasa. Barcelona (2010). 246 p., por Laura Wittner).