Os defensores das altera????es clim??ticas face a uma opinião pública mais céptica
Segundo o trabalho destes cientistas, apesar de ao longo do s??culo XX a temperatura se ter elevado 0,8?? C, a extens??o da mal??ria regrediu." A repetida afirma????o de que o aumento das temperaturas m??dias provocou, ?? escala mundial, um aumento da morbilidade e da mortalidade da mal??ria, est?? em contradi????o com as tendências mundiais ?? baixa tanto no seu carácter end??mico como na sua extens??o geogr??fica", resumem os cientistas que pela primeira vez quantificaram o decrescimento mundial da mal??ria desde 1900.
O director destes trabalhos, Pete Gething, da Universidade de Oxford, declara: "Sabemos que o aquecimento pode aumentar a transmissibilidade do paludismo, mas os retrocessos importantes que medimos produziram-se durante um s??culo em que as temperaturas aumentaram. Claramente, a mudança clim??tica não explica tudo". Mais decisivas do que a subida da temperatura foram as medidas de preven????o - como o uso de mosquiteiros impregnados de insecticidas - e o acesso aos medicamentos.
O retrocesso da mal??ria observa-se em todas as regi??es do mundo, excepto em algumas pequenas zonas da ??frica Oriental, Am??rica Central ou China Meridional.
Uma opinião pública mais céptica
O caso da mal??ria confirma que os peritos devem ser muito cautelosos ao falar dos possíveis efeitos do aquecimento global, pois os excessos anteriores levaram a que a opinião pública se manifeste hoje mais céptica. Dados recolhidos no International Herald Tribune (25-05-2010) mostram esta tendência. Uma sondagem publicada em Der Spiegel mostra que a percentagem de alem??es que temem os efeitos das altera????es clim??ticas ?? actualmente de 42%, face aos 58% de h?? tr??s anos. No Reino Unido, segundo um estudo da BBC, a percentagem de brit??nicos que cr??em numa altera????o clim??tica provocada pelo homem baixou para 26% face aos 41% de Novembro passado. De facto, o novo Primeiro-ministro David Cameron mal falou no tema na passada campanha eleitoral.
Nos EUA, onde sempre tem havido menor sensibilidade para este tema, numa recente sondagem do Pew Research Center que perguntava quais as prioridades que o Governo deveria afrontar, as mudanças clim??ticas figuravam no último lugar de uma lista de 21 problemas.
Na evolução da opinião pública nota-se que contribuiu o efeito do chamado "Climategate" de finais do ano passado, quando se divulgaram as mensagens electr??nicos escritas por peritos da Universidade de East Anglia, na Gr??-Bretanha, que mostravam que os cientistas tinham alterado alguns dados sobre as temperaturas para se enquadrarem na sua tese sobre o aquecimento global. A isto somou-se a descoberta de alguns erros circunstanciais no parecer do Painel Intergovernamental sobre Altera????es Clim??ticas.
Por outro lado, um Inverno mais frio que o habitual no Norte da Europa e nos EUA refor??ou a impress??o de que a Terra não est?? a aquecer.
Para fazer frente a este novo cepticismo da opinião p??bica, que torna dif??cil a adop????o de medidas que exijam sacrif??cios e mais ainda em tempos de crise económica e desemprego, os defensores da realidade das altera????es clim??ticas lan??aram uma contra-ofensiva. Cientistas da Fran??a, da Holanda e dos EUA assinaram cartas abertas em que subscrevem esta tese, entre elas uma publicada na revista Science (7-05-2010). Asseguram que os erros verificados no Parecer do IPCC na sua maior parte eram de escassa import??ncia e que, em qualquer caso, não invalidavam as provas de que as altera????es clim??ticas são reais e influenciadas pela actividade humana.
Mas também ?? muito real que houve uma mudança no clima da opinião pública: se antes os "climacépticos" eram tratados como hereges não frequent??veis, agora são os que cr??em no aquecimento global os que estão na defensiva e se v??m obrigados a tentar convencer o público.

