Os leitores de imprensa não trocam o papel pela Internet
Segundo as conclus??es de um relatório da OCDE intitulado "A Evolu????o das Not??cias e a Internet", ler notícias online ?? uma das actividades preferidas dos utilizadores da Rede, logo a seguir ao correio electr??nico e ?? procura de informação sobre produtos e serviços. O estudo revela que, de todos os utilizadores da Internet nos pa??ses estudados, uma percentagem significativa - entre 77% na Coreia e 20% em Portugal - navega para ler jornais. A preferência por este tipo de leitura foi aumentando progressivamente a partir de 2002, sobretudo com a expans??o da banda larga, embora uma sondagem realizada entre cerca de cinco mil utilizadores da internet pelo "PEW Internet & American Life Project" revele existirem outros factores que possivelmente também ter??o influ??do nesta escolha, como a comodidade e a possibilidade de aprofundar ou de aceder a mais pontos de vista.
A maioria dos leitores de imprensa na Internet não seguem um padr??o pr??-determinado e a sua actividade revela-se antes irregular e espor??dica.
Mas o relatório da OCDE revela igualmente que o consumo de notícias na Internet continua a ser um complemento a outras fontes de informação, dado que a maioria dos leitores de jornais tradicionais l?? simultaneamente notícias na Internet. Por exemplo, 70% dos leitores online do New York Times eram assinantes da sua respectiva edi????o impressa. Assim, o desaparecimento dos velhos tabl??ides não passa de uma amea??a te??rica, pois, ainda que o estudo refira que as novas gerações elevar??o rapidamente a percentagem de leitores de imprensa na Internet - esta ?? a principal fonte de informação para o grupo compreendido entre os 15 e os 24 anos -, não confirma que os leitores da imprensa escrita v??o ser substitu??dos por jovens leitores online. Contra os progn??sticos, depreende-se do relatório que quem quiser andar bem informado continuar?? a usar os dois suportes. Outro elemento interessante ?? o tempo m??dio dedicado ?? leitura dos di??rios impressos nos pa??ses da OCDE, que oscila entre 20 e 30 minutos por dia, valor que o relatório classifica de "enorme" e considera pouco ajustado ?? competência da leitura online. As sondagens que comprovam estas conclus??es e que comparam a leitura online e off line, indicam que 92% do tempo dedicado a esta actividade se faz ainda ao estilo tradicional, com recurso ao papel impresso, e apenas uns 8% atrav??s da Internet. ?? verdade que se trata de uma compara????o dif??cil, pois aos cálculos de p??ginas vistas por um s?? visitante em edi????es digitais dos jornais haveria que acrescentar as novas formas de consumo, como os agregadores de notícias ou os fornecedores de notícias a telem??veis.
A Gera????o Google não costuma analisar a informação que encontra na Rede nem ajuizar do seu valor.

Menos aprofundamento
Independentemente do aumento do número de leitores na Internet e das suas respectivas preferências, a investiga????o também revela algumas fraquezas deste novo modo de aproxima????o da actualidade. A maioria dos leitores de imprensa na Internet não seguem um padr??o pr??-determinado e a sua actividade revela-se mais irregular e mais espor??dica que a dos adeptos do papel. "Não ficou claro se os leitores online atingem a mesma profundidade e abrang??ncia de notícias que os leitores tradicionais", refere o relatório. Tal irregularidade ?? muito mais not??ria entre os mais novos, com idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos. Nessa faixa et??ria, existe maior propens??o para não ler notícias ou, quando muito, para o fazer de modo totalmente aleat??rio. O relatório da OCDE inclui os dados de uma sondagem realizada nos Estados Unidos pelo Instituto PEW: o número de jovens que admitia não saber nenhuma notícia do dia anterior tinha passado de 25% a 34% nos últimos dez anos. A conclusão ?? clara: entre os mais novos, um maior uso da Internet não significa mais leitura de jornais digitais.
Para a OCDE, a chamada Gera????o Google não tem por h??bito analisar a informação que encontra na Rede, nem ajuizar do seu valor, pese embora a sua familiaridade com a tecnologia. Ter nascido ou crescido com a Internet não ?? garantia de maior compreens??o das notícias, segundo os resultados de uma investiga????o realizada no Reino Unido com base nas actividades dos estudantes. Sendo embora certo que os mais novos conhecem perfeitamente os buscadores, da velocidade do seu desempenho depreende-se que, mais que ler, v??em ou surfam as p??ginas, sem analisar o que encontram nem ajuizar do seu valor.
Enquanto se confirmarem tais tendências, a capacidade de gerar negócio a partir da informação diariamente encontrada na Internet continua a ser pequena, procedendo a sua maior parte dos an??ncios e dos classificados. No que respeita ?? imprensa tradicional, os autores do trabalho prop??em que se continue a ajudar as empresas jornal??sticas, sobretudo as que passam por maiores dificuldades: os m??dia de cariz local e o jornalismo de qualidade, j?? que não parece claro que iniciativas deste estilo se consigam sustentar apenas com o mercado.

