???Sexo e a Cidade???: liberta????o pelo cart??o VISA
Tantas pessoas t??m lutado e continuam a lutar para fazer ver ao mundo que a dignidade da mulher ?? igual ?? do homem, e por isso devem ter iguais direitos e deveres!...E agora as protagonistas de Sexo e a Cidade mostram-se mais preocupadas pelos efeitos do Botox.
D?? ideia que para elas a luta acabou quando tomaram posse de um cart??o de crédito para derreter. Alcan??ada esta meta, os problemas mais graves passaram a ser os seguintes: onde armazenar várias dezenas de pares de sapatos; conseguir um guarda-fato ?? medida das suas "necessidades"; descobrir onde se bebe o melhor cocktail; disfar??ar o mais possível as rugas (os pneus não entram neste rol, porque passam directamente ?? categoria de dramas, remetendo-nos ao filme).
Estas personagens não se interessam pela política, nem perdem minutos de sono a pensar em direitos e deveres. Nunca aparecem a ler um livro (quando muito, a folhear revistas) e embora se imagine que trabalham, nunca falam de assuntos profissionais (realmente s?? falam de roupa e de homens, e destes, como se fossem carroceiros...talvez devido ?? igualdade).
A ??nica liberta????o que desejam chega-lhes pela via do consumo: quando t??m qualquer contratempo, doença ou dificuldade, v??o ??s compras! E o próprio filme chega a converter-se num enorme cat??logo de publicidade: carros, roupa, m??veis de design, sapatos, acess??rios, viagens e hot??is. Uma revista monumental de 140 minutos, com centenas de an??ncios inseridos em fotogramas com tudo o que parece necessário para uma pessoa ser feliz, ou pelo menos, para não pensar (sin??nimos, no filme). Em resumo: frivolidade elevada ?? m??xima pot??ncia! E o paradoxo: converter a mais feroz e evidente tirania, a do consumismo compulsivo, num s??mbolo de liberta????o!
Quem delira com esta abordagem ?? a indústria da moda e do luxo. A luta pela cultura, pelos direitos, pela pacifica????o, não d?? lucro. A competi????o brutal das marcas, a corrida desenfreada para envelhecer sem rugas, a olimp??ada pelo melhor estilo de eleg??ncia, ou com o desportivo mais moderno, isso ?? que d?? lucro, e não pouco!
A prova ?? a enxurrada de marcas que aderiram ao filme. Por exemplo, uma das personagens deixa o seu cocktail favorito para beber vodka Skyy, uma das marcas que fizeram um acordo com a produtora New Line Cinema para a promo????o recíproca. Id??nticos contratos foram assinados por Bag Borrow, Steal (carteiras e j??ias), Coty (perfumes), Glac??au Vitaminwater (agua mineral da Coca-Cola) e Mercedes-Benz. As verdadeiras protagonistas do filme são estas marcas... e os 300 vestidos que Patricia Field criou para o filme, lan??ando, de passagem, uma p??gina web onde vende os artigos do filme em formato low cost.
Sarah Jessica Parke, protagonista e co-produtora do filme, afirmava que o Sexo e a Cidade far?? história no cinema. Duvido, assim como duvido de que contribua para melhorar minimamente a situação das mulheres: vistas neste espelho acabam por ficar totalmente deformadas. Na história, s?? se for por enterrar todo e qualquer pensamento s??rio sobre o papel da mulher na sociedade, em toneladas de frivolidade.

