Predominaram os dramas com tema familiar
O J??ri, presidido pelo realizador americano Jonathan Demme (O silêncio dos inocentes), acompanhado pelo director de fotografia Michael Ballhaus, a produtora argentina Martina Gusman, o realizador japon??s Masato Harada, a realizadora e actriz libanesa Nadine Labaki, a realizadora tanzaniana Clare Peploe e a actriz espanhola Leonor Watling, deu a Concha de Ouro de Melhor Filme a Pandoranin Kutusu (A caixa de Pandora), uma co-produção turco-francesa que, apesar de ser um filme com um certo fundo, não constou da lista dos favoritos da cr??tica.
Dirigida por Yesim Ustaoglu, realizadora j?? premiada em Sundance e na Berlinale, este belo filme conta a evolução interior de tr??s filhos quarent??es que deviam tomar conta da m??e, que vivia s??, na sua aldeia e ?? qual foi diagnosticada a doença de Alzheimer. Bem realizado e muito bem interpretado, tendo-se destacado a actriz de noventa anos Tsilla Chelton, que recebeu uma merecida Concha de Prata de Melhor Actriz.
Melissa Leo, pela sua interpreta????o no americano Fronz River, obteve também o prémio de Melhor Actriz, ex aequo. Cruel e realista mas também positiva, a história desenvolve-se ?? volta de uma mulher cujo marido, grande viciado no jogo, a abandona e ela tem de sustentar , sozinha, a casa e dois filhos. Tamb??m ?? a história da amizade entre ela e outra mulher, com uma problem??tica em parte semelhante, a história da luta contra a adversidade e a busca de solu????es. Muito interessante.Agradou e mereceu o prémio Signis e o da TVE.
Michael Winterbottom, melhor realizador
O Pr??mio Especial do J??ri foi o mais contestado. Recaiu na co-produção iraniano-francesa Asbe du-pa (O cavalo de duas pernas), dirigida pela conhecida realizadora iraniana Samira Makhmalbaf, que integra uma família de realizadores que são uns perfeitos vencedores de prémios. Conta as perip??cias de um rapaz que, por um dólar por dia, se encarregava de levar um menino coxo, ??s cavalitas, ao col??gio. Dif??cil e muito lenta foi a avalia????odo J??ri, dada a sensibilidade, visto que reflecte a situação de perigo e desamparo em que vivem muitas crianças do mundo.
O Pr??mio para o Realizador foi para o experimentado Michael Winterbottom, um ass??duo do festival, por G??nova, bonito filme sem grandes pretens??es, que narra a vida de um pai ( o sempre e eficaz Colin Firth) que tenta refazer a vida e a das suas duas filhas, depois da morte da mulher ,num acidente de via????o.
O Pr??mio de Actor foi para o argentino ??scar Mart??nez, pelo seu papel No ninho vazio, o novo filme de Daniel Burman (O abra??o partido, Direito de família). Esta tragicom??dia reflecte os problemas que podem surgir num casal, quando os filhos crescem e saem de casa. Tamb??m obteve o prémio de fotografia.
Finalmente, o Pr??mio de Argumento foi para os franceses Benoit Del??pine e Gustave Kerven pelo seu trabalho em Louise-Michel, uma com??dia negra, exageradamente grotesca que, em geral, entreteve mas não convenceu. Narra as perip??cias de um grupo de mulheres que foram despedidas de uma f??brica e com o escasso dinheiro do despedimento decidiram solucionar os seus problemas, contratando um profissional do crime para matar o chefe.
O grande esquecido, Hirozaku Kore-Eda
Se h?? que falar de um grande perdedor foi o magnífico Aruitemo,aruitemo (Caminhar devagar), do realizador Hirozaku Kore-Eda, que conta o dia em que dois filhos itaram seus pais de idade, com a finalidade de recordarem a tr??gica morte do irm??o mais velho, falecido h?? uns anos num acidente. Delicada e contundente, cheia de pequenos detalhes quotidianos, descreve com fina ironia as diferentes facetas de uma vida familiar, com momentos agrad??veis e outros aborrecid??ssimos. O filme recebeu o prémio concedido pelo C??rculo de Escritores Cinematogr??ficos.
Ao contr??rio da edi????o anterior, em que foi premiado Sete mesas de bilhar franc??s, de Gracia Querejeta, o cinema espanhol a concurso, não obteve qualquer prémio do j??ri. Dos tr??s apresentados a concurso, O p??tio do meu c??rcere, da principiante Bel??n Macias, foi bastante fraco. Caminho, um exercício consumado de manipulação, ficou sem nada. Tiro na cabe??a, do catal??o Jaime Rosales (A solidão) ?? um filme interessante que despertou reac????es diferentes, tanto pela sua est??tica, como pela sua posi????o perante o terrorismo etarra. Ganhou o prémio Fipresci, dado pela imprensa internacional acreditada no Festival.

