???Parece-me absurda a acusa????o de anti-semitismo que ?? feita a Pio XII???
Falamos com Rosenm??ller num dia de rodagem do filme, no cen??rio escolhido para a Nunciatura que Eug??nio Pacelli ocupou em Munique, desde 1917 até ?? mudança da sede diplom??tica para Berlim, em 1925.
- Por se tratar da vers??o cinematogr??fica de um romance de Martha Schad, a protagonista do seu filme ?? a Irm?? Pascalina. No entanto, o maior interesse do público vai provavelmente centrar-se em Pio XII.
- Embora Pascalina esteja no centro das aten????es, atrav??s dela o espectador ver?? Pio XII e assim poder?? ter uma perspectiva muito pessoal, uma vez que ela esteve muito perto do Papa e talvez fosse mesmo a pessoa que mais próxima esteve dele na vida di??ria. Ali??s, o que mais me atraiu neste projecto foi precisamente o facto de apresentar acontecimentos hist??ricos atrav??s do olhar de uma pessoa.
- A que per??odo se refere o filme?
- Depois de um flash-back do ano de 1912, pouco antes de Josephine Lehnert ingressar na Ordem da Santa Cruz de Alt??tting com o nome de Irm?? Pascalina, o filme come??a em 1918, quando a jovem religiosa entra ao serviço dom??stico do n??ncio Pacelli, em Munique. E termina em 1958, com a morte de Pio XII. Para poder tratar devidamente estes 40 anos, tivemos de dar alguns saltos no tempo, concretamente de 1929, quando Pacelli deixa a Nunciatura de Berlim, até ?? redac????o da enc??clica Mit brennender Sorge, em Mar??o de 1937.
Exigir que o Vaticano, e em particular de Eug??nio Pacelli, tivessem entendido tudo desde o princ??pio com clareza di??fana, ?? um anacronismo
- Que traço caracter??stico de Pio XII sublinha especialmente o filme?
- Os debates com a sua própria consciência, que alguns denominaram o seu "silêncio". O Papa encontrava-se numa situação hist??rica extremamente dif??cil e teve de sopesar os diferentes argumentos para actuar correctamente. O nosso filme procura traduzir essas reflex??es num diálogo. Por exemplo, quando, a 26 de Julho de 1942, o Bispo de Utrech protestou contra as deporta????es de judeus, os nazis alargaram-nas aos judeus baptizados. Isto levou Pio XII a duvidar da efic??cia dos protestos públicos e a queimar um discurso que j?? tinha escrito. No filme, Pascalina v?? o Papa lan??ar o documento, p??gina a p??gina, no fog??o da cozinha.
- Mas, apesar da habitual dramatiza????o, os acontecimentos narrados pelo filme t??m fundamento hist??rico.
- Esfor????mo-nos por não acrescentar nada. No entanto, isso não nos impediu de tomarmos algumas liberdades, introduzindo figuras fict??cias, como por exemplo a de Mons. Wilson, que aparece como antagonista de Pascalina, porque não est?? de acordo que uma mulher esteja t??o perto do Papa. Essas resist??ncias existiram... mas não podiam ser atribuídas a uma determinada figura hist??rica.
- Anteriormente, referiu-se a Mit brennender Sorge. Como se apresenta no filme a g??nese desta importante enc??clica, a única cujo original est?? em alem??o e não em latim?
- O filme mostra o cardeal Faulhaber de Munique a come??ar a enc??clica e o cardeal secret??rio de Estado Pacelli a redigir a vers??o definitiva da mesma. Num close-up ver-se-?? como Pacelli muda o título proposto pelo cardeal Faulhaber "Mit gro??er Sorge" (com grande preocupa????o) por "Mit brennender Sorge" (com preocupa????o ardente). Al??m disso, o filme recolhe as reac????es dos nazis depois da enc??clica: mostra, por exemplo, o ataque ??s tipografias onde foi impressa. E também se ouve um discurso de Hitler, em que este exige ?? Igreja - com grande agressividade - que se limite ??s suas tarefas meramente pastorais.
- O Papa Pio XII de Gottes m??chtige Dienerin, ?? o Papa de Hitler de John Cornwell ou, pelo contr??rio, O Papa que se op??s a Hitler de Michael Hesemann?
- O filme não tem nada a ver com a imagem que certa literatura anglo-sax??nica, ou o próprio Rolf Hochhuth, d?? de Pio XII. De qualquer modo, a acusa????o de anti-semitismo feita a Pacelli parece-me completamente absurda; ?? mera provoca????o. N??s apresentamos um Papa que se op??s intelectualmente ao nacional-socialismo, e que em determinadas situações - como por exemplo as deporta????es nos Pa??ses Baixos - sentiu grande dificuldade em discernir qual a decisão correcta. Al??m disso, como era um diplomata até ?? medula, ?? possível que a própria diplomacia lhe tenha dificultado, em parte, a ac????o. Mas também nos esfor????mos por ter em conta o per??odo em que viveu. Exigir que o Vaticano, e em particular Eug??nio Pacelli, tivessem entendido tudo desde o princ??pio com clareza di??fana, seria um anacronismo. O fenómeno "Hitler" ?? também o fenómeno da sua subestimação: durante muito tempo, os políticos ingleses e franceses subestimaram a dimens??o do nazismo. Quando Hochhuth afirma que o mundo inteiro estava contra Hitler, e s?? Pio XII fez ouvidos moucos aos pedidos de ajuda, est?? a dizer algo que ??, pura e simplesmente, falso.

