Come??am os cortes nos ordenados de altos executivos
Este novo clima manifesta-se numa onda de cortes que parece marcar o fim da ??poca de sal??rios exagerados nas grandes empresas. Por exemplo, Josef Ackermann, presidente do Deutsche Bank, e outros quatro membros do conselho de administra????o renunciaram ao seu b??nus correspondente a 2008. O que Ackermann recebia anualmente ascendia a uns 13,6 milhões de euros, mais de metade a título de retribui????o vari??vel.
O grupo su????o UBS, por seu lado, redesenhou o seu plano de retribui????es para todo o pessoal . No caso do Royal Bank of Scotland, a medida tornou-se al??m disso como um requisito para aceder ?? ajuda do governo brit??nico. Este condicionamento da administra????o para participar do plano de resgate também valeu na Alemanha, onde se limitou a 500.000 euros anuais o vencimento do principal executivo nas entidades que utilizam dinheiros públicos.
Em Fran??a, a revis??o feita pela Assembleia Nacional da Lei de Finan??as prevista para 2009, decidiu incluir a emenda do deputado socialista Didier Migaud, segundo a qual "remunera????es diferidas" superiores a 200.000 euros devem ficar submetidas ao imposto de sociedades. Por outro lado, o Tribunal de Apela????o sentenciou que o Carrefour não tem de pagar ao seu ex-conselheiro delegado uma fabulosa quantia acompanhada de outras compensações, como um cheque de 9,4 milhões de euros ao abrigo de uma cl??usula que o impedia de trabalhar para qualquer outro grupo de distribuição por um per??odo de quatro anos.
Mais renitentes ao sacrif??cio mostram-se, contudo, os banqueiros norte-americanos, que não s?? não renunciam ao seu b??nus, como persistem nos seus lucros. Um caso extremo ?? o de Richard Fuld, de Lehman Brothers, que chegou a pretender - ainda que sem ??xito, finalmente - uma repara????o milion??ria (um "p??ra-quedas de ouro", como se chamam a estas cl??usulas) depois de ter contribu??do para a ru??na da sua institui????o. O governo norte-americano resolveu suprimir este tipo de contratos blindados para os bancos que forem salvos com os impostos dos cidad??os, assim como restringir as dedu????es fiscais de que podem beneficiar os seus executivos.
Para o caso de Espanha, e como o revelaram os dados fornecidos pelos próprios bancos na Comissão Nacional do Mercado de Valores, os executivos das 14 principais entidades financeiras cotadas na bolsa ganharam 115,6 milhões de euros durante o primeiro semestre deste ano, um aumento de mais 40 milhões que se deve em boa parte aos espectaculares resultados dos bancos espanh??is em 2007. Assim, ao todo, as quantias do sistema retributivo espanhol estão muito longe de poder comparar-se ??s de Wall Street, ainda que uma reportagem do El Pa??s tenha referido h?? pouco que nas empresas do Ibex h?? 283 contratos blindados, facto de que os accionistas raras vezes estão ao corrente.
Demasiado dinheiro para demasiado risco
Um artigo de Pascual Berrone publicado pelo IESE da Universidade de Navarra (http://insight.iese.edu/es/) vai ao fundo do que para muitos ??, na realidade, o sistema de valores injusto que permitiu chegar a esta crise. Considera especialmente que as stock options pensadas para estimular a produtividade dos executivos em fun????o dos interesses dos accionistas resultaram contraproducentes e favoreceram o olhar a curto prazo, a falta de compromisso corporativo e a exacerba????o do risco.
O executivo compensado com op????es sobre ac????es, por exemplo, obt??m lucros quando aumenta o valor da empresa nos mercados. Mas a sua riqueza não diminuiu se o valor cai. Nessas circunst??ncias, o agente reage arriscando demasiado, posto que não tem nada a perder. Como indica o Prof. Berrone no seu documento, esta ?? provavelmente a raz??o pela qual os mais cotados directores se atrevem a realizar investimentos incertos como as que estão relacionadas com hipotecas inseguras.
Outro tanto sucede com as "cl??usulas de rescis??o"douradas", que são pagas independentemente de a relação laboral terminar por aquisi????o, bancarrota ou fim do contrato. Estes "p??ra-quedas" justificam-se habitualmente, alegando que protegem os executivos de riscos que estão para l?? do seu controlo e permitem concentrar-se na maximiza????o de lucros para os accionistas. Mas, diz Berrone, os "pacotes de sa??da garantida" são por vezes t??o elevados que pura e simplesmente parecem encorajar o fracasso.
Para lutar contra estes excessos, em Fran??a multiplicam-se as iniciativas parlamentares. A Comissão para os Assuntos Sociais da Assembleia Nacional deu luz verde a uma emenda ao projecto de lei do financiamento da Seguran??a Social destinado a submeter as stock options, as ac????es gratuitas e os "p??ra-quedas de ouro" superiores a um milh??o de euros a um "desconto social" de 2%.

