A amea??a do ???canalizador polaco??? era um mito
Quando, em Maio de 2004, ingressaram na UE dez Estados, quase todos os ex-sat??lites sovi??ticos da Europa Central, os até ent??o Quinze viram chegar, por causa da grande diferença de remunera????es, uma ???invas??o' de imigrantes que substituiriam muitos trabalhadores nacionais e diminuiriam os sal??rios. Por isso, com as not??veis excepções da Gr??-Bretanha e da Irlanda, invocaram a possibilidade de prorrogar por cinco anos a livre circula????o de m??o-de-obra para os imigrantes chegados dos novos pa??ses membros. O mesmo fizeram com os da Bulg??ria e da Rom??nia, quando estes dois Estados aderiram em Janeiro de 2007. Estas medidas aplicam-se apenas a trabalhadores por conta de outrem.
Com efeito, houve uma modesta ???invas??o'. O Governo brit??nico tranquilizou a popula????o dizendo que não viriam mais de 15 000 imigrantes por ano dos dez pa??ses que aderiram ?? UE em 2004. Em 2006, tinham entrado quase 600 000, dos quais 427 000 trabalhavam por conta de outrem; dois ter??os eram polacos. No total, emigraram desses pa??ses para os Quinze 1,1 milhões de pessoas que, com as 900 000 que tinham sa??do antes de 2004, representam mais ou menos 2,5% da popula????o dos dez. Mas muitos come??aram a regressar, em particular os polacos.
Da Bulg??ria e da Rom??nia sa??ram também 1,1 milhões de pessoas, de modo que em finais de 2007 estavam fora 1,8 milhões, 6,1% da popula????o total de ambos os pa??ses. Esta segunda ???vaga' não se dirigiu, contrariamente ?? anterior, sobretudo para a Gr??-Bretanha e Irlanda, mas sim para Espanha e It??lia. A Irlanda foi o pa??s que recebeu mais desses imigrantes em termos relativos: o equivalente dos 5% da sua popula????o activa; em segundo lugar, est?? a Gr??-Bretanha, com 1,2%.
Tais fluxos, diz o relatório da Comissão, não causaram problemas de maior nos mercados de trabalho dos Quinze. Apenas fizeram baixar os sal??rios 0,08% e aumentar o desemprego 0,04 pontos percentuais. E estes são efeitos imediatos: a longo prazo, não se prev?? repercuss??o. Por outro lado, os imigrantes dos doze novos pa??ses "contribuíram significativamente para o crescimento económico geral e para o aumento do emprego na UE", l??-se no relatório.
Os mais prejudicados foram alguns pa??ses de origem pela fuga de cérebros e m??o-de-obra em geral. Desde 2004, a Pol??nia perdeu 6-8% dos seus profissionais de Medicina; também um grande número de trabalhadores, o que fez aumentar os custos da construção. A emigração teve também custos sociais apreci??veis. Na Pol??nia come??aram a chamar "??rf??os da UE" ??s crianças que ficaram a cargo de parentes porque os pais foram trabalhar para outro pa??s da Uni??o.
Tendo em conta o que foi dito, a Comissão recomenda que se levantem as restri????es ao estabelecimento de trabalhadores procedentes dos Estados-membros mais recentes. Todavia, quatro pa??ses (Alemanha, ??ustria, B??lgica e Dinamarca) mant??m-nas para os dez que aderiram em 2004, e o relatório aconselha-os a não prorrog??-las por dois anos, como poderiam fazer, quando forem revistas no próximo m??s de Maio. O mesmo diz a respeito da Bulg??ria e da Rom??nia, para cujos nacionais subsistem restri????es em 15 pa??ses até 2013, no m??ximo.
O comiss??rio europeu do Emprego e Assuntos Sociais, Vladim??r ??pidla, sustenta que elimin??-las ?? o mais sensato do ponto de vista económico, e al??m disso "contribuiria para reduzir problemas como o emprego prec??rio e o falso trabalho por conta própria", a que recorrem muitos que na realidade são assalariados para evitar as limita????es actuais.

