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Na Europa, a energia nuclear deixa de ser tabu

It??lia e Su??cia v??o construir novas centrais nucleares

 Progresso
It??lia e Su??cia v??o construir novas centrais nucleares

A energia nuclear, al??m disso, constitui uma alternativa interessante se se tiverem em conta os compromissos assumidos na luta internacional contra a mudança clim??tica. No ??mbito europeu, os pa??ses membros da UE acordaram em reduzir as emiss??es de CO2 cerca de 30% antes de 2020. A inten????o ?? a de que a energia proveniente de combustíveis f??sseis, muito poluentes, seja substitu??da por energias renov??veis. No entanto, a energia solar, a e??lica e a produzida com biocombustíveis ainda não bastam para substituir as centrais t??rmicas, enquanto a nuclear pode satisfazer praticamente todas as necessidades de electricidade.


O caso italiano

 

Seguindo o exemplo da Gr??-Bretanha, a It??lia e a Su??cia projectaram a construção de novas centrais nucleares nos próximos anos. A It??lia renunciou ?? energia at??mica h?? 21 anos, na sequência de um referendo. No ano passado, ap??s a reeleição, Berlusconi e o seu governo anunciaram que um dos seus planos era voltar a permitir a energia nuclear, tendo em conta que o pa??s ?? o maior importador de energia da Europa.

 

O governo italiano deu j?? um dos seus primeiros passos, assinando um acordo de coopera????o com a Fran??a. Com efeito, as empresas francesas Areva e EDF, especialistas em desenvolvimento nuclear, v??o participar na cria????o de quatro novas centrais. Trata-se de instala????es de última gera????o, com maior pot??ncia e com uma maior vida ??til ???60 anos, contra os 20 anos das actuais. Juntamente com a empresa italiana Enel, v??o criar uma sociedade encarregada de estudar os projectos, tanto nos seus aspectos técnicos como económicos. Não ?? a primeira vez que a Fran??a e a It??lia colaboram, dado que a Enel participa com 12,5% no projecto de cria????o de uma central nuclear em Fran??a.


Mudan??a repentina na Su??cia

 

Mais polémica foi a decisão do governo sueco. Formado em 2006 pelos quatro principais partidos de centro-direita, o acordo de coliga????o assinado no princ??pio da legislatura exclu??a expressamente o tema da energia at??mica, precisamente devido ??s controvérsias. No entanto, o primeiro-ministro, Fredrik Reinfeldt, deu a conhecer no início de Fevereiro a sua decisão de promover a energia nuclear. Al??m de modernizar e adquirir novos reactores para substituir os j?? existentes, também foi decidido p??r fim ?? proibi????o de construir novas centrais ap??s mais de trinta anos.

 

A Su??cia conta actualmente com quatro centrais nucleares a funcionar. Ao conhecer os planos do governo, o Fortum, un grupo energ??tico sueco, apresentou um pedido de autoriza????o para construir uma nova instala????o nuclear.

 

?? partida, não se antev??em dificuldades para que o Parlamento sueco aprove os planos do governo. Mas ainda assim, tanto na esquerda como na direita existem grupos desfavoráveis. Alguns consideram que estas medidas são necessárias para a indústria; pelo contr??rio, os verdes defendem que a solução para a crise energ??tica não se encontra na cria????o de centrais nucleares, mas na promo????o de energias renov??veis.

 

Todavia, o governo conta com o apoio da opinião pública. Num inqu??rito realizado pelo Novus Group revela-se que 70% concorda com as medidas do governo e 57% afirma que ?? positivo substituir as velhas instala????es por outras novas.


A situação noutros pa??ses

 

A vizinha Finl??ndia j?? optou anteriormente por impulsionar a energia nuclear. Actualmente, est?? a ser constru??da, em Olkiluoto, a maior central do pa??s, não sem alguma oposi????o por parte de grupos ecologistas.

 

Os pa??ses ex-comunistas nunca suscitaram muitas objec????es ?? energia nuclear. A Pol??nia, a Bulg??ria, a Eslov??quia, a Rom??nia e a Litu??nia encetaram planos para construir centrais nucleares, de modo a abandonarem a sua depend??ncia energ??tica em relação ?? R??ssia. Embora possa falar-se de uma tendência geral na Europa, pa??ses como a Alemanha e a B??lgica, tradicionalmente opostos ?? energia nuclear, ainda não decidiram alterar o rumo da sua política energ??tica.

 

Em Espanha, o aumento da produção de energia nuclear ?? encarado como um meio para reduzir a depend??ncia energ??tica exterior, que tem um custo de 50 000 milhões de euros anuais. Actualmente, as centrais nucleares proporcionam 18% da electricidade, sendo a proposta do Foro Nuclear subir esta percentagem para 30% antes de 2030. Para isso, seria necessário manter operacionais as centrais actuais e construir entre 7 e 10 novas, segundo declara????es da presidente do Foro, Mar??a Teresa Dom??nguez.

 

Embora personalidades como o ex-primeiro-ministro socialista Felipe Gonz??lez se tenham reconvertido ?? energia nuclear, o governo de Zapatero, do mesmo partido, continua a manifestar-se desfavorável.

 

Tamb??m nos EUA se voltou a admitir a possibilidade de incentivar o desenvolvimento desta fonte de energia. Obama referiu que não se podem cumprir os objectivos da luta contra a mudança clim??tica sem um regresso ?? energia nuclear.


D??vidas por clarificar

 

Ser?? realmente a energia nuclear uma solução vi??vel para os problemas ecológicos e de depend??ncia energ??tica? Poder?? a energia nuclear substituir a produzida por fontes f??sseis? A estas perguntas tentava responder Daniel B. Botkin, especialista em ambiente, num artigo publicado no ano passado no International Herald Tribune (21-10-2008).

 

Hoje, assinala Botkin, 87% da energia total do mundo tem origem nos combustíveis f??sseis, e somente 4,8% vem do nuclear. Segundo as estimativas, a quantidade de ur??nio que ?? possível aproveitar ???as chamadas reservas de explora????o directa??? ?? de 5,5 milhões de toneladas. De acordo com os dados disponibilizados pelo Organismo Internacional da Energia At??mica, as centrais hoje em funcionamento consomem 70 000 toneladas por ano. Se fosse seguido o modelo energ??tico actual, as reservas de ur??nio durariam mais 80 anos.

 

Se se substitu??sse toda a energia proveniente de fontes f??sseis, que provocam os maiores problemas de contamina????o atmosf??rica, pela nuclear, as reservas esgotar-se-iam em menos de cinco anos. A verdade ?? que, al??m das reservas de explora????o directa, existem outras. Contando com elas, o ur??nio disponível ascende a 35 milhões de toneladas. Mas mesmo assim, se toda a energia consumida viesse das centrais nucleares, o ur??nio poderia durar no m??ximo, 29 anos.

 

A conclusão de Botkin ?? que não ?? realista pensar que a energia nuclear ?? a panaceia para os problemas energ??ticos. Na sua opinião, ?? necessário ainda saber mais sobre a forma de obter o ur??nio, melhorar tecnologicamente o seu aproveitamento e as suas possibilidades de reutiliza????o. A estes problemas acrescentam-se os relativos ?? segurança das centrais e ?? gestão dos res??duos, sem esquecer os riscos da utiliza????o militar do material radioactivo.