Uganda e Quénia: uma agricultura que não chega para subsistir
Este ano, por??m, tanto a maior parte do leste como outras zonas do pa??s sofreram fome. H?? dezoito meses, esta zona geralmente pantanosa sofreu as inunda????es provocadas por El Ni??o, seguidas de escassas precipita????es durante a esta????o das chuvas. Vive-se a?? de uma agricultura de subsist??ncia e, quando a chuva ?? favorável - como costuma suceder - vende-se mandioca, arroz, anan??s, bananas e outras frutas tropicais nos mercados locais ou na capital, Kampala. Como não estão preparados para a falta de chuva, quando tal sucede não h?? rede de segurança alimentar e surge a fome.
Em meados de Agosto, o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, visitou a zona para verificar como o Uganda pode evoluir para " uma agricultura comercial e uma maior segurança alimentar". Apesar de o território do Uganda ser mais pequeno que o do Quénia e o da Tanz??nia - os tr??s pa??ses da ??frica de Leste -, representa 47% da terra cultiv??vel da regi??o. No entanto, a falta de investimentos e de financiamento, a utiliza????o de pr??ticas tradicionais e extensas ??reas dedicadas a planta????es impediram a passagem de uma agricultura de subsist??ncia a um tipo de explora????o superior. Zoellick repetiu o que muitos outros disseram antes, que o Uganda tem potencial para alimentar toda a regi??o.
(Sendo um pa??s sem sa??da para o mar, o Uganda depende também das infra-estruturas de transporte dos pa??ses vizinhos para exportar os seus produtos. Durante a sua visita, Zoellick declarou que o Banco Mundial ia considerar o financiamento para reabilitar a actual linha de caminho -de - ferro entre Kampala e o porto queniano de Momba??a, bem como uma extens??o até ao sul do Sud??o e da Tanz??nia, para conseguir uma maior integração regional atrav??s do com??rcio.)
Seca no Quénia
A FAO calcula que um ter??o dos subsarianos estão "subalimentados" - embora não esclare??a se ?? em termos absolutos ou segundo os padr??es ocidentais -; em compara????o, no Norte de ??frica haveria 6% e na ??sia 15%; 60% dos subalimentados estariam na ??frica Oriental. O Quénia passa fome desde h?? vários meses, devido ?? escassez de chuvas dos últimos cinco anos e ?? violência p??s-eleitoral do ano passado, quando foram incendiadas colheitas e armaz??ns de alimentos do Vale do Rift, o celeiro do pa??s.
Estes dois factores, aliados a uma lenta reac????o por parte do governo, explicam a situação actual. Uma popula????o em aumento, o a??ambarcamento da terra por parte dos ricos e influentes, a seca e o sonho da vida urbana, explicam que centenas de imigrantes cheguem a Nairobi, a capital do Quénia. Deixam por cultivar terras f??rteis para se juntarem ??s longas filas de pedidos de trabalho ocasional em f??bricas e na construção, ou como guardas ou vendedores de rua. Cada pessoa que deixa de trabalhar no campo para ganhar a vida na cidade ?? menos uma pessoa a trazer comida para a mesa, e mais uma a comprar comida no mercado ou no supermercado, onde os alimentos são em grande parte importados.
Por causa da escassez de chuvas e da violência que desorganizou a produção em princ??pios de 2008, os preços dos alimentos b??sicos duplicaram e continuam a subir, enquanto os sal??rios se mant??m ou pouco subiram. O problema não ?? falta de comida, ?? o facto de ser cara demais para as pessoas a poderem comprar; tudo devido aos factores referidos e ao custo do transporte para os locais de venda.
Investimento estrangeiro
A tudo isto acresce um novo factor. Devido ao aumento de preço dos alimentos nos últimos anos, alguns pa??ses do M??dio Oriente e da ??sia procuram terrenos e m??o-de-obra barata em ??frica. Este m??s, segundo informação da Reuters, um grupo de investidores sauditas anunciou um plano para plantar 700.000 hectares ao longo de sete anos e produzir sete milhões de toneladas de arroz na regi??o, sobretudo no Uganda.
Face ao risco de que este tipo de investimentos conduza ao afastamento de agricultores pobres que cultivaram as suas terras por gerações, o Banco Mundial anunciou que dar?? directrizes para estes abusos não se d??em. Mas " não h?? nada a temer". A apropria????o de terras ?? habitual desde h?? décadas, desde antes e sobretudo depois da independ??ncia, e milhares de cultivadores foram reduzidos a ocupantes ilegais que sobrevivem como podem.
Mas os pequenos agricultores do Quénia e do Uganda t??m ainda outra boa raz??o para se acautelarem. As grandes planta????es não desenvolvem as comunidades locais; os benef??cios v??o ami??de para fora do pa??s e não voltam ?? economia local.
?? louv??vel que Zoellick viesse verificar o que se passava no terreno, mas as organiza????es internacionais como aquela a que ele preside precisam de pressionar os l??deres africanos a promover políticas agr??rias que permitam ??s pessoas cultivar a terra e recolher os benef??cios, sem medo ?? violência.
