N??veis de Leitura em Portugal: Repercuss??o Económica
"Se Portugal não obtiver um aumento rápido e substantivo no nível de literacia funcional de toda a sua popula????o, o pa??s ter?? dificuldades em realizar os seus objectivos económicos e sociais, e s?? transferências maci??as da Uni??o Europeia evitar??o um decl??nio relativo do seu nível de vida", afirma o relatório A Dimens??o Económica da Literacia em Portugal: Uma An??lise, encomendado pelo Minist??rio da Educa????o e apresentado a 2 de Dezembro na Funda????o Calouste Gulbenkian, em Lisboa.
Baseado em indicadores recolhidos nos últimos anos (o relatório trabalha dados PISA, IALS, EUROSTAT, OCDE que recuam a 1998, 2000, 2003, 2006), o estudo analisa as competências em literacia (capacidade para ler e compreender o que se l??, de modo a dar resposta a problemas concretos) e as suas relações com os níveis de competitividade económica, sal??rios e nível de vida dos portugueses.
Realizado pela Data Angel Policy Research Incorporated e coordenado por Scott Murray, foi apresentado recentemente na Funda????o Calouste Gulbenkian, confirmando os dados j?? apurados em estudos anteriores: são graves as deficiências nas competências de literacia da nossa popula????o - o estudo evidencia que em cada cinco sujeitos apenas um possui um nível m??dio de literacia, o que ?? o nível mais baixo do conjunto de pa??ses investigados. Na Su??cia a correspond??ncia ?? de quatro em cinco.
O relatório trabalha na base das teses económicas segundo as quais a baixa literacia tem consequências directas na economia e na possibilidade de gerar riqueza. "D??fices altos de literacia geram níveis indesej??veis de desigualdade social e económica". No que se refere ao caso portugu??s, o relatório aponta para um "baixo interesse pelo nível de literacia entre os portugueses - o valor da literacia tem pouco impacto no sucesso dos indiv??duos no mercado de trabalho num pa??s em que dois ter??os dos empregadores optam por profissionais pouco qualificados". Perante esta constata????o, o analista e autor do estudo T. Scott Murray, defendeu que "o futuro económico de Portugal est?? em risco e um dos caminhos para encontrar uma solução que permita ao pa??s ser mais competitivo passa pelo investimento na literacia".
Popula????o
Em Portugal h?? uma diminui????o da taxa de natalidade, a popula????o est?? a envelhecer, verificando-se um decl??nio geral da popula????o em idade escolar. Prev??-se, por exemplo, que a popula????o com idades compreendidas entre 20 e 29 anos diminua em 21 pontos até 2025 (OCDE 2008). A este panorama sociodemogr??fico junta-se a caracteriza????o pouco animadora da popula????o adulta no que respeita ?? literacia: "Dos jovens portugueses teoricamente em idade de conclusão do ensino em 2006, apenas 57% tinham, efectivamente, obtido certifica????o do ensino secundário. Esta conclusão comparativa negativa aponta para uma efic??cia interna relativamente baixa de ensino portugu??s. Factores como a fraca qualidade da aprendizagem de competências de base d??o origem ?? repeti????o do ano de escolaridade, que afecta mais de 25% de todos os alunos portugueses e que acaba por conduzir a uma elevada taxa de abandono escolar".
Outras especificidades
No que se refere ?? relação da literacia com os sal??rios, Murray aponta outra perplexidade portuguesa: "contrariamente ?? maioria dos outros pa??ses da OCDE, em Portugal os sal??rios não aumentam necessariamente com o nível de competências de literacia ou com o nível de instru????o. Dado que ?? coerente com a constata????o de que um número elevado de empregos no mercado de trabalho portugu??s ?? pouco qualificado no que se refere ao empenhamento na leitura. A conclusão para estes empregos ?? que a educa????o formal tem pouco ou nenhum valor no que respeita ?? produtividade do trabalho".
O objectivo do relatório ?? apresentar os dados emp??ricos que sustentam o argumento económico para mais investimento na literacia dos adultos pelo que se considera que o Plano Nacional de Leitura e o Programa Novas Oportunidades são "boas op????es para melhorar os níveis de literacia" em Portugal e se defende "mais investimentos nestes projectos". "Se não houver mais investimento e melhor legisla????o, Portugal vai enfrentar quebras no emprego e nos sal??rios e aumento da pobreza e desigualdades sociais", referiu Scott Murray na apresenta????o do estudo.No entanto esta tese, defendida também pelo minist??rio da Educa????o, não ?? apoiada pelos economistas V??tor Bento e João Salgueiro, convidados a comentar o relatório. João Salgueiro defendeu que "se h?? indicador em que não estamos mal ?? no volume de recursos que dedicamos ?? Educa????o e temos dos piores resultados no desempenho". A causa, adiantou, "est?? no funcionamento do Sistema de Educa????o e no Sistema Económico". Por seu lado, V??tor Bento defendeu a aposta numa "responsabilidade cultural da sociedade civil" que saiba investir na Educa????o e no desenvolvimento de "Skills" que funcionem depois como "ponto de atractividade económica". O economista salientou ainda o "papel formativo importante da Televis??o", questionando se ela tem funcionado mais como "elemento deformador do que formador das competências de literacia".

