O público desconfia das grandes empresas
Alguns pensam que este clima se deve a uma ideia que se instalou na sociedade norte-americana: o sector empresarial s?? procura o seu enriquecimento ego??sta. Neste sentido, as empresas são o bode expiat??rio de todos os males sociais e são acusadas, entre outras coisas, de destruir o meio ambiente. O certo ?? que têm influ??do muito os grandes casos de corrupção, como os de Enron e Tyco.
James Houghton, da sociedade Corning, adverte que em tudo isto t??m tido um papel muito importante os casos de corrupção denunciados pela imprensa, enquanto que as boas pr??ticas não são notícia. Um estudo interno da empresa Wal-Mart assinalava que s?? 8 % dos consumidores não compra os seus produtos porque se op??em ??s suas pr??ticas. Muitas empresas estão a tentar ultrapassar esta onda contra si.
John Castelani, presidente de Rountable, cr?? que não ?? bom dizer que as pessoas estão enganadas, mas sim reconhecer o dano causado e ganhar de novo a confian??a do público. De facto, Rountable implantou programas de ética empresarial na sua empresa (International Herald Tribune, 9-12-05).
Wal-Mart tem acentuado a preocupa????o pelo meio ambiente e despedido os directores culp??veis de abusos laborais. American Chemistry Council destinou 20 milhões de dólares a uma campanha para dar a conhecer a utilidade dos produtos qu??micos na vida di??ria.
Outra das possíveis causas da antipatia generalizada para com os empres??rios est?? relacionada com as suas remunera????es excessivas. Durante o ano passado, estas aumentaram em todos os sectores; na banca comercial, o incremento foi de 9,6 % e de 46,1 % no sector energ??tico. Particularmente, como demonstra um estudo realizado por Corporate Library, nas 500 maiores companhias dos EUA a retribui????o media dos executivos cresceu 30,2 % em 2004, face a 15 % em 2003.
O descontentamento também se acentua quando se tem em conta a disparidade salarial com o resto dos trabalhadores. Ainda que actualmente haja um interesse por relacionar a retribui????o com o rendimento da empresa a largo passo (ver Aceprensa 115/05), a opinião pública não esqueceu alguns casos que o desmentem, como o de Michael Eisner, destacado director da Disney, que recebeu 800 milhões de dólares num mau momento da empresa.
O clima também se passou para a política. O congressista democrata Barney Frank apresentou um projecto de lei no qual se refor??a o papel dos accionistas, pois estes teriam de aprovar as retribui????es dos alto executivos, como sucede na Gr??-Bretanha (ver Aceprensa 63/01). Outros cr??em que isto ?? ineficaz porque ami??de os accionistas estão de passagem e não controlam o governo corporativo.
