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Rapazes e raparigas aprendem melhor com professores do seu mesmo sexo

 Educação Diferenciada
Um estudo norte-americano sugere que tem influência a diferente atitude dos docentes segundo o sexo dos alunos.
Rapazes e raparigas aprendem melhor com professores do seu mesmo sexo

Uma investiga????o a mais completa até ?? data sobre a influência do sexo dos professores nos resultados dos alunos proporciona indícios a favor do sim. Revela também que as raparigas rendem menos quando ensinadas por docentes do outro sexo. A peculiaridade dos rapazes ?? que o fenómeno os afecta mais, simplesmente porque a maioria dos professores são mulheres.

 

O estudo (???How a Teacher?s Gender Affects Boys and Gils???) apareceu no número da revista trimestral Education Next (Outono de 2006), mas este antes disponível na Internet e recebeu os primeiros coment??rios e cr??ticas. O seu autor, Thomas Dee (Swarthmore College), adverte que ter professores do sexo oposto não explica toda a diferença de resultados entre rapazes e raparigas, mas uma parte sim. Sublinha que as suas conclus??es são congruentes com as diferenças observadas em diferentes mat??rias. Assim, l??ngua ?? a disciplina em que as raparigas mais sobressaem em relação aos rapazes e em que ?? maior a propor????o de professoras. Em ci??ncias passa-se o mesmo, mas ao contr??rio, isto ??, a favor do sexo masculino.

 

Dee baseia-se num inqu??rito a 25.000 alunos de 14 anos, de escolas públicas e privadas, realizado pelo Departamento de Educa????o do Estados Unidos desde 1988. Dee empregou técnicas distintas para separar o sexo do professor dos outros factores que influem no rendimento e nas atitudes dos alunos.

 

O rendimento mede-se pelas notas e atitudes, mediante perguntas a alunos e professores. As suas principais conclus??es são as seguintes: Ter uma professora faz subir os resultados das raparigas e baixar os dos rapazes em Ci??ncias Naturais, Ci??ncias Sociais e L??ngua; pelo contr??rio, se o professor ?? homem, os rapazes melhoram e pioram as raparigas. Em m??dia ,o efeito nessas tr??s disciplinas equivale mais ou menos ?? quarta parte da diferença do rendimento entre os sexos.

 

Com um homem ?? frente , ?? maior a propor????o de raparigas que consideram a disciplina in??til para o seu futuro, v??o ??s aulas com pouca vontade e t??m medo de fazer perguntas.

 

Em compara????o com os seus colegas homens, as professoras dizem ter mais rapazes que perturbam o decorrer das aulas e menos raparigas distra??das ou indisciplinadas...

 

Por fim, segundo Dee, o seu trabalho autoriza-o a afirmar que ter um professor do sexo oposto ?? pior para os alunos, mas não esclarece exactamente porqu??. Parecem influir as atitudes espont??neas ou inclusivamente inconscientes dos docentes para com os alunos do outro sexo, e destes para com aqueles. Tamb??m poder?? ser que os docentes desconhe??am ou não tenham em conta que cada sexo tem o seu próprio estilo de aprendizagem. S??o necessários mais estudos para chegar a explicações prov??veis, adverte Dee.

 

Como numa escola masculina ou feminina os professores costumam ser do mesmo sexo dos alunos, o estudo parece pender a favor da educa????o diferenciada. Por??m, Dee assinala expressamente que as suas conclus??es não apoiam essa alternativa pedag??gica, entre outras coisas porque para a sua investiga????o s?? contou com dados de escolas mistas, de modo que não pode compar??-las com as de escolas de um s?? sexo. Por isso opina que ???talvez a melhor op????o em política educativa seja estar abertos a uma variedade de estratégias que, nem protejam inequivocamente a educa????o diferenciada, nem a excluam por princ??pio???.