Rapazes e raparigas não aprendem do mesmo modo
Sax publicou um livro ??Why Gender Matters: what Parents and Teachers Need to Know About The emerging Education?? (Porque ?? que o G??nero ??? Feminino e Masculino ??? Interessa: O que os Pais e Educadores Precisam de Saber Acerca da Educa????o Actual) em que apresenta os últimos dados cient??ficos sobre as diferenças de g??nero ??? muito surpreendentes, em alguns casos, e a ignor??ncia que se verifica em relação ao mundo da educa????o.
Em muitas escolas dos estados Unidos, os professores enviam recomenda????es aos pais para que levem os filhos a um m??dico para que este avalie qualquer possível transtorno no que se refere ao d??fice de aten????o das crianças. H?? mais de dez anos que Leornard Sax constata que essas situações acontecem centenas de vezes com crianças de 6 e 7 anos. A maior parte das vezes, contudo, o problema não ?? das crianças, mas sim da parte dos professores que se recusam a aceitar as diferenças naturais entre masculino e feminino. Assim sendo, eles não são capazes, de distinguir as diferenças entre rapazes e raparigas, j?? comprovadas cientificamente, no que se refere ?? rapidez na capacidade auditiva e ao desenvolvimento cognitivo, nem sabem até porque ?? que h?? diferenças no expressar de sentimentos, em que ambiente aprendem melhor uns e outros, etc.
Como resultado das suas investigações e, sobretudo, da sua experiência profissional, Sax tem vindo a publicar diversos artigos sobre as diferenças de g??nero e o desconhecimento profundo que impera nas escolas dos Estados Unidos. Tornou-se também um ac??rrimo defensor do ensino diferenciado junto da National Association for Single Sex Public Education, embora afirme que o problema não ?? s?? educativo. O facto ?? que, os últimos trinta anos, t??m sido monopolizados pela ideia de que se se ensinar a rapazes e raparigas as mesmas mat??rias, na mesma idade e da mesma forma, as diferenças desaparecer??o. O resultado paradoxal ?? que certos estere??tipos se t??m vindo a refor??ar.
Sax sugere neste seu livro que os educadores fizeram tudo para não ter em conta as diferenças de g??nero. Contudo, reafirma que h?? muito mais aspectos para al??m do educativo. Por exemplo, ??num dos capítulos mais vastos do meu livro ?? dedicado ??s diferenças no consumo de drogas entre rapazes e raparigas. Provou-se que um an??ncio anti droga dissuade eficazmente as raparigas enquanto que, por outro lado, incentiva os rapazes. Assim, todos os an??ncios que centram a sua mensagem nos perigos para o cérebro, surtem efeito no caso das raparigas porque temem arruinar o seu cérebro. No entanto, o tipo de rapaz que gosta de expor-se ao perigo, torna-se precisamente no potencial consumidor de droga. O seu racioc??nio ?? este ??Que bom, as drogas ??fritam??* o cérebro. Onde posso arranj??-las?
??O Governo dos Estados Unidos anunciou h?? alguns anos que a campanha de cinco anos de dura????o ??? que custou 900 milhões de dólares ??? para dissuadir os jovens do consumo de drogas tinha sido um aut??ntico e enorme fracasso. Os rapazes, que viram os cartazes anti, tornaram-se muito mais vulner??veis ao consumo de droga do que aqueles que não viram tais an??ncios.
Do mesmo modo, as raparigas que fumam com muita frequ??ncia afirmam que fazem isso para perder peso. Os rapazes nunca dizem nada deste g??nero. Falar com as jovens sobre os riscos do tabaco não produz qualquer efeito a não ser que centremos aten????o no peso. Dizer ??s m??es das jovens que fa??am o ??contrato?? com as filhas: ???pago-te a quota mensal de um gin??sio na condi????o de deixares de fumar???
Tamb??m h?? enormes diferenças entre rapazes e raparigas ??? afirma Sax ??? na sua vida sexual. ???Uma grande auto estima reduz as probabilidades de as adolescentes terem relações sexuais, mas com os rapazes acontece o inverso: a elevada auto estima estimula os rapazes a agirem de modo oposto: aumenta as probabilidades de terem relações sexuais.. (...) Como se constata, h?? muito mais factores para al??m dos que se registam no plano meramente educativo??.
Interrogado se as raparigas são mais emotivas do que os rapazes, Sax responde: ??N??o, a maior parte das raparigas sabe lidar melhor com as suas emo????es do que os rapazes, se se avaliar a emotividade em relação a outros aspectos ??? mais para al??m da sua express??o verbal, a conclusão ?? que os rapazes são frequentemente mais emotivos do que as raparigas.
Do mesmo modo, os rapazes não são naturalmente mais bem dotados para a matem??tica ou para as ci??ncias do que as raparigas.
As raparigas podem conseguir os mesmos ou até melhores resultados que os rapazes nessas disciplinas se os professores as souberem ensinar. Tamb??m no que se refere ??s raparigas, elas não estão naturalmente mais vocacionadas para a arte, a m??sica ou a escrita criativa, do que os rapazes. Depende do facto de alguns professores terem conhecimento de algumas técnicas para ensin??-los de modo conseguirem iguais ou melhores resultados do que as raparigas??.
A cada sexo, o seu m??todo pedag??gico
Se se pedir a um rapaz ou a uma rapariga algo que exija um desenvolvimento que ainda não tenham alcançado, a primeira coisa que fazem ?? falar e a segunda atitude que tomam ?? criar e desenvolver uma avers??o em relação ao que lhes propusemos. Por esta raz??o, encontramos raparigas que, aos 12 anos, detestam ci??ncias e rapazes dessa mesma idade, que não lhes agrada nada ler. Para muitos, a situação ?? irrevers??vel, não se pode fazer marcha atr??s.
Sax explica algumas diferenças surpreendentes no desenvolvimento do cérebro de rapazes e raparigas, na capacidade auditiva, em que medida o cérebro est?? integrado na reac????o ao stress, etc.
Sax desenvolve bem esta particularidade: ??H?? provas cient??ficas que confirmam que o estar sob certa tens??o ajuda os rapazes a aprender, o mesmo não acontecendo com as raparigas. Isto tem implica????es não s?? na escola, mas também em casa.
Pensemos no modo como os pais corrigem os filhos. A maior parte dos ???especialistas da educa????o??? aconselham os pais a utilizar a técnica conhecida como ???indu????o???, que consiste em propor a quest??o: ???como me sentiria se algu??m me fizesse isto????. Isto funciona com as raparigas, mas ?? completamente errado com os rapazes. Com estes resulta melhor certa confronta????o, sempre feita de um modo carinhoso e h??bil. Ocasionalmente também funciona numa classe.
Diferenças de pontos de vista
O desenho ?? outros tema muito interessante... ??Inicio este capítulo com um estudo da Universidade de Cambridge com rec??m nascidos, com menos de 24 horas de vida.
Faziam com que o rec??m nascido olhasse, de um lado do ber??o, para o rosto humano, do outro lado do ber??o um objecto sonoro em movimento. As meninas olhavam para o rosto e os meninos para o objecto.
A explica????o mais completa ?? que o sistema visual dos meninos, come??ando pela retina, est?? integrado de forma diferente nos meninos e nas meninas. No caso das crianças do sexo feminino, o sistema visual provem das c??lulas P da retina, que estão feitas para detectar a cor e a textura. No caso das crianças do sexo masculino, as c??lulas M, que estão feitas para detectar movimento e velocidade, predominam na retina.
Consequentemente, as meninas desenham substantivos e os rapazes verbos. Se se puser diante de uma menina de cinco anos um papel em branco e uma caixa de l??pis de cores, desenha pessoas, animais dom??sticos ou flores e utiliza dez ou mais cores, com predomínio do encarnado, laranja, amarelo, verde, beije e castanho. O menino da mesma idade desenhar?? ac????es, como ??? por exemplo ??? um foguete esborrachando-se contra um planeta, um extraterrestre devorando um animal ou um choque entre dois carros e utilizar?? poucas cores, com predomínio do preto, cinzento, prateado e azul.
As professoras do pr?? escolar ignoram estas diferenças. Ningu??m lhes falou de c??lulas P ou c??lulas M. A consequência deste desconhecimento ?? que, ironicamente, acabam por refor??ar os estere??tipos. Ao fim de um ano, num jardim de infância misto, os meninos dir??o: ???desenhar ?? para meninas???. E apenas uma criança do sexo masculino continuaria a apreciar os seus desenhos??.
1) O texto acima ?? parte de uma entrevista dada por Leonard Sax ??? m??dico e psicólogo norte americano ??? concedida ao jornal canadiano ???National Post??? com base no livro do mesmo autor ???Why Gender Matters: What Parents and Teachers Need to Know About the emerging Education???.
*Express??o utilizada pelos que consumem Extasy ??dita ???droga leve???. Não possui qualquer benef??cio para o corpo humano, limitando-se a ???fritar??? o cérebro e a criar uma depress??o que, muitas vezes, leva ao suic??dio??. (excerto de um artigo de Francisco Jorge de Carvalho, jurista, publicado no Expresso de 02Mar??o2005.
