As escolas públicas mais populares dos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, as charter schools* (escolas públicas, mas aut??nomas) são um motor de inova????o educativa e d??o ??s famílias mais liberdade de op????o. O presidente Barack Obama incentivou os estados a facilitar a sua cont??nua expans??o. Um estudo recente de Caroline Hoxby, professora de Economia da Universidade de Stanford, conclui que estas escolas conseguem obter melhores resultados que as escolas públicas tradicionais.
Embora as charter schools fa??am parte da rede pública e sejam, portanto, totalmente financiadas pelos estados ou pelas c??maras, t??m caracter??sticas próprias por surgirem da iniciativa de grupos de professores ou de pais, de ONGs ou de empresas. T??m uma certa margem de liberdade para definir o plano de estudos, prolongar o hor??rio lectivo, seguir determinados m??todos pedag??gicos, escolher professores a contratar e fixar a escala salarial.
Prolongar o hor??rio lectivo, pagar aos professores em fun????o de objectivos e ter um regime disciplinar bem definido favorece a obten????o de melhores resultado
Em contrapartida, t??m de sujeitar-se ??s normas gerais das escolas públicas, como, por exemplo, não seleccionar os alunos: se não houver vagas para todos os que desejam entrar, seleccionam-se por sorteio. Assim acontece habitualmente: h?? mais de 4 700 charter schools em 40 estados e no distrito da capital, com quase um milh??o e meio de alunos e cerca de 365.000 em lista de espera (ver o mapa completo, assim como a web oficial). Algumas escolas distinguem-se pelo ??nfase dado a determinadas mat??rias (humanidades, a uma determinada l??ngua, etc.). Existem várias com educa????o diferenciada.
Escolas ou alunos?
O trabalho recentemente publicado examina 44 charter schools, quase todas as que estavam a funcionar em Nova Iorque no ano lectivo 2005-2006. ?? a segunda parte de um estudo que foi confiado h?? vários anos ?? equipa da Prof. Hoxby, para fazer a avalia????o das charter schools da cidade; foi elaborado com dados dos anos 2000-2001 a 2007-2008. Actualmente as escolas deste tipo são cerca de uma centena. Um ??ndice da sua aceitação ?? o facto de terem cerca de 30.000 alunos e 40.000 em lista de espera.
As "charter schools" são tidas em especial apreço por pessoas de condi????o modesta, que sem elas não poderiam deixar de frequentar escolas públicas que não as satisfazem
Antes do último estudo, j?? outros tinham sublinhado que os alunos das charter schools obt??m melhores resultados que os das escolas públicas normais. Mas sobre estas conclus??es paira a suspeita de que as melhores notas não se devem tanto ao nível da educa????o como ?? qualidade dos próprios alunos. Embora não possam fazer selec????o, as charter schools recebem alunos de famílias que, pelo simples facto de pedirem um lugar, mostram mais interesse pela educa????o que a m??dia geral das famílias. Estas escolas podem não ser as melhores, mas talvez tenham ficado com os melhores alunos.
Para descartar esta dúvida, o recente estudo de Hoxby compara as classifica????es dos alunos das charter schools de Nova Iorque com as obtidas pelos que se candidataram a um lugar mas não conseguiram vagas, acabando for ficar matriculados em escolas públicas convencionais. Pois bem, os estudantes do primeiro grupo obtiveram melhores resultados que os do segundo em matem??ticas e leitura. Assim, nos exames estatais chamados Regents, obt??m uma m??dia de mais 3 pontos por cada ano passado numa charter school. Parece, portanto, que tais escolas t??m efectivamente algo que faz os estudantes progredir mais.
Hoxby pensa saber onde se encontra o possível "segredo" do ??xito. Pelo estudo que fez, h?? uma correlação estat??stica entre os melhores resultados e certas pr??ticas muito comuns nestas escolas: a maior dura????o do hor??rio lectivo, pagar aos professores em fun????o dos seus objectivos e um regime disciplinar bem definido que castiga as infrac????es e premeia a boa conduta.
De qualquer modo, algo t??m também os alunos que aspiram entrar numa charter school. Segundo revela o estudo, os que pediram lugar e não conseguiram, t??m notas ligeiramente superiores ?? m??dia.
Dados discutidos
Apesar dos bons resultados, as charter schools não contam em geral com a simpatia dos sindicatos de professores do ensino público (no entanto, a United Federation of Teachers, o sindicato maiorit??rio de Nova Iorque, dirige uma charter school, ainda que tenha recusado participar no estudo de Hoxby). Uma raz??o fundamental ?? que estas escolas costumam aproveitar a sua maior autonomia para contratar pessoal docente não sindicalizado e, portanto, não abrangido por um contrato colectivo, a fim de poderem exigir mais horas de trabalho e os remunerarem por resultados, em vez de pagarem apenas de acordo com a classifica????o e a antiguidade.
Por seu turno, os sindicatos não estão convencidos das virtudes acad??micas das charter schools. Quando foi publicado o último estudo de Hoxby, Randi Weingarten, presidente da American Federation of Teachers, o maior sindicato nacional, recordou que em Junho passado outra equipe de Stanford tinha publicado um trabalho mais amplo e muito menos favorável ??s charter schools (cf. The Wall Street Journal, 22-09-2009). Esse trabalho, obra do Center for Research of Education Outcomes (CREDO), examinou as charter schools de 16 estados e concluiu que metade não tinha melhores resultados que as escolas públicas convencionais, e uma terceira parte tinha piores resultados.
A Prof. Hoxby publicou a seguir uma nota em que censurava um grave erro metodológico no estudo do CREDO. Na sua opinião, a falha est?? em comparar as classifica????es de cada aluno de uma charter school com a m??dia de um grupo de alunos, de caracter??sticas semelhantes (sexo, ra??a, nível de vida...), que frequentam as escolas públicas tradicionais da mesma ??rea geogr??fica. Isto pressup??e que as notas de uns e de outros tenham diferentes margens de erro.
De qualquer modo, parece significativo que, segundo o CREDO, as charter schools não sejam melhores em geral, mas que o sejam para dois tipos de alunos: os de famílias de baixos rendimentos e os que são admitidos sem saber ingl??s. De facto, estas escolas são procuradas sobretudo por pessoas de condi????o modesta, que sem elas não poderiam deixar de frequentar escolas públicas que não as satisfazem. Como se v?? pelo estudo de Hoxby, as charter schools nova-iorquinas t??m uma propor????o de alunos negros muito superior ?? m??dia das escolas públicas convencionais. Mais de metade das charter estão situadas em Harlem ou no Bronx.
O citado artigo do Wall Street Journal refere o exemplo expressivo de uma m??e (sozinha), gerente de um hospital de Harlem, que participou em dez sorteios de vagas para que a filha de treze anos fosse admitida numa charter school. Como não teve sorte, decidiu inscrev??-la num col??gio católico onde tem de pagar 3 100 dólares por ano. "Não tinha outra op????o, explica. Prefiro ficar sem um c??ntimo, a t??-la numa escola pública".
A popularidade do sistema animou as autoridades educativas de Nova Iorque, que aprovaram a cria????o de mais 22 charter schools, que abriram este mesmo ano lectivo. Tendo em conta os resultados da recente investiga????o de Stanford, Joel Klein, o responsável da rede escolar do munic??pio manifestou que deseja "fazer de Nova York o Silicon Valley das charter schools".
Aceprensa
*cf. Google: Educare.pt e Proz.com
Como se pode ver, este termo j?? aparece em ingl??s em textos portugueses; consideram-se estabelecimentos de ensino cooperativo.

