Cameron estreia-se: mais escolas públicas poder??o tornar-se aut??nomas
O projecto-lei sobre as Academias foi o que mais impacto teve na opinião pública brit??nica, pelas duas seguintes raz??es. Por um lado, trata-se da primeira iniciativa a chegar ?? C??mara e, por outro, constitui um passo importante - seguindo o caminho das charter schools nos Estados Unidos e das escolas independentes na Su??cia - a favor da liberdade e qualidade de ensino na rede pública. ?? projecto que corresponde ao que Cameron chama "uma nova forma de fazer política", com menos intervencionismo estatal e mais iniciativa privada.
Segundo o novo ministro de Educa????o, Michael Gove, a transformação das escolas públicas em academias permitir?? cortar as amarras com as "autoridades educativas locais" (LEA), órgãos administrativos que, até agora, tinham decisão preponderante no ensino público.
As City Academies são col??gios financiados pelo Estado, com ensino gratuito, que permanecem dentro do sector público mas são geridos com autonomia por organiza????es de benefic??ncia, associa????es de pais, igrejas ou empresas.
As academias ter??o maior autonomia para desenvolver os seus próprios m??todos pedag??gicos
As academias ter??o maior autonomia e mais dinheiro para desenvolver os seus próprios m??todos pedag??gicos, e ainda para programar - até certo ponto - o plano de estudos e seleccionar alunos e professores.
Este facto, na opinião de Gove, ir?? ter influência nos níveis educativos. Na realidade, ?? esse o objectivo: melhorar os centros públicos de Inglaterra que, em geral, trazem descontentes os pais dos alunos.
Ser?? mais f??cil que os pais professores e outros grupos abram novas escolas, com financiamento público, sem que as autoridades educativas locais as possam vetar
O projecto de lei para as Academias retira ??s autoridades educativas locais o poder de veto sobre novas escolas, pelo que ser?? mais f??cil que pais, alunos, professores e outros grupos abram novas unidades, com financiamento público consoante o número de alunos que possam atrair.
Prioridade do governo
Este tipo de academias j?? existia em Inglaterra. Foi inven????o dos conservadores, mas Tony Blair não se importou de continuar com o mesmo modelo e, inclusivamente, de procurar incentiv??-lo.
Dantes, somente as escolas públicas secund??rias podiam converter-se em academias aut??nomas mas, com o actual projecto, essa possibilidade estende-se também ??s escolas prim??rias.
Tamb??m ?? surpreendente o entusiasmo com que o governo abra??ou esta causa. Segundo o The Times (26-05-2010), Gove enviou uma carta aos directores das 20.000 escolas públicas de Inglaterra oferecendo-lhes esta op????o, com o objectivo de que a mesma fosse norma e não apenas excep????o.
Se bem que Gove insista tratar-se de decisão que tem de ser tomada pelas escolas, parece que a difusão deste modelo educativo ?? uma das prioridades do novo governo.
De facto, a filosofia que inspira estas academias encaixa perfeitamente com a ideia de "grande sociedade" que Cameron prop??s no seu programa. Se bem que muitos, ent??o, desconhecessem a que se referia (cf. Este site: O novo "centro compassivo" de David Cameron), agora ficam com um exemplo concreto do que significa dar mais protagonismo aos cidad??os.
Experi??ncias de ??xito
David Ross, um dos patrocinadores destas academias aut??nomas, p??e como exemplo no The Times (26-05-2010), a rede escolar Harris Academies, cujos centros atendem algumas das zonas mais carenciadas do sul de Londres. "Nestas academias podem ver-se todos os sinais clássicos da excel??ncia acad??mica: cortesia no trato, uniformes limpos, ensino rigoroso de mat??rias dif??ceis, como matem??tica, ci??ncias, l??nguas ou latim".
"Nos últimos tr??s anos, os resultados das Harris Academies melhoraram, em m??dia, 3 ou 4 vezes mais do que os da m??dia do pa??s. Al??m disso, quatro das seis academias inspeccionadas até agora pelo Ofsted (órgão oficial que avalia a qualidade de ensino nas escolas) foram classificadas como excepcionais".
Outro exemplo ?? a Havelock Academy, com sede na cidade portu??ria de Grimsby que, nos dois anos da sua actividade, conseguiu baixar o absentismo escolar da zona, de 10% para 5%. Tamb??m melhorou sensivelmente a percentagem de aprova????es nos exames finais do secundário, que passou de 23 para 41%.

