Harvard baixa as propinas e d?? mais bolsas
Harvard acaba de fazer um programa de ajudas para as famílias cujos ingressos anuais estejam entre os 60.000 e os 180.000 dólares (41.000 e 122.500 euros). A iniciativa sup??e para estas famílias reduzir o custo dos estudos dos seus filhos entre um ter??o e metade, com o que o custo fica ao mesmo nível das melhores universidades públicas.
Com a nova política de mensalidades, as famílias que ganham 180.000 dólares anuais pagar??o a partir do outono de 2008, 17.500 dólares por reserva de lugar (e não os 30.360 que pagam agora); as que ganham 60.000 pagar??o 2.600 dólares anuais. Entre ambos os extremos, distribuem-se outros dez grupos por receitas anuais, que dedicar??o ?? reserva de lugar uns 10% ou menos que estes. Segundo Harvard, 3.340 dos seus 6.715 alunos recebem actualmente bolsas. Um ter??o destes procedem de famílias cujos ingressos anuais são de 60.000 dólares ou menos. Do resto, a maior parte ganha entre 60.000 e 180.000.
A enorme concorr??ncia entre centros universit??rios de primeira categoria faz com que queiram facilitar a entrada ?? classe m??dia com menos recursos. Segundo um estudo da Century Fondation (NY), entre as 146 universidades de elite, s?? 3% dos estudantes procedem das famílias que pertencem aos 25% dos que têm menos ingressos. 74% procede dos 25% que tem mais ingressos.
A decisão de Harvard d??-se num ambiente de cr??ticas políticas ??s universidades por aumentar o preço das suas propinas, ao mesmo tempo que as suas dota????es crescem ano ap??s ano. As dota????es fundacionais de umas 60 universidades nos Estados Unidos são actualmente superiores aos 1.000 milhões de dólares, e um quinto foi obtido nos últimos dez anos. A dota????o com que conta Harvard ?? a mais alta do pa??s, 35.000 milhões de dólares (24.300 milhões de euros). E segundo a institui????o, o novo plano ter?? um aumento de despesas em ajudas aos seus estudantes de 22 a 120 milhões de dólares (de 15 a mais de 81 milhões de euros).
Este não ?? o primeiro passo de Harvard para atrair estudantes brilhantes atrav??s da melhoria das bolsas e das ajudas financeiras. Desde 2004, os alunos de famílias com ingressos anuais de menos de 40.000 dólares não pagam; medida que aumentou o ano passado até os 60.000 dólares. Al??m de Harvard , outras universidades de prest??gio t??m feito ofertas nesse sentido. Princeton foi a primeira h?? quase dez anos. Outros centros neste grupo são Columbia, Stanford ou Amherst.
No meio de uma enorme concorr??ncia, a posi????o de Harvard obrigar?? outras universidades a tomar medidas semelhantes. Yale prepara a sua própria política a esse respeito, ainda que segundo um porta-voz do centro, a mudança ser?? feita ???sem tomar em consideração os an??ncios de outras universidades ???. O California Institute of Technology, em Pasadena, anunciou que substituir?? os créditos por bolsas para os estudantes cujas famílias ganhem menos de 60.000 dólares por ano.
O Sexo do cérebro, nas aulas
Estudos neurológicos d??o nova luz sobre as diferenças sexuais na aprendizagem.
O reconhecimento das diferenças dos cérebros masculino e feminino, e a sua consideração no processo educativo poderia supor uma revolução no rendimento acad??mico e facilitar uma redu????o not??vel dos actuais níveis do fracasso escolar, segundo as conclus??es de uma jornada convocada pela Associa????o Europeia da Educa????o Diferenciada (EASSE) (I) Uma das estratégias que prop??e esta entidade ???apoiando-se na liberdade do ensino ??? ?? a possibilidade de separar as aulas de var??es e mulheres nalguns patamares de idade coincidindo com os diferentes per??odos cognitivos, j?? conhecidos pela ci??ncia.
Conforme explicou Maria Calvo, presidenta da EASSE ??? pretende-se unir as aporta????es de cient??ficos de ??reas diversas e com diferentes orienta????es, que chegam a umas conclus??es parecidas : h?? diferenças cognitivas ??s que se deveria dar aten????o; pelo tanto, a defesa de uma educa????o diferenciada não ?? uma questão política, cultural ou religiosa, como por vezes pretendem reduzir.???
Ainda que os neur??logos e psicólogos são cautelosos no momento de fazer generaliza????es com as conclus??es dos seus estudos, coincidem em afirmar que ???as capacidades cognoscitivas são em linhas gerais, diferentes entre o cérebro masculino e feminino. O primeiro est?? melhor dotado para pegar em assuntos espaciais e razoamentos matem??ticos. O segundo para fluidez verbal e a interpreta????o dos dados emocionais???, conforme declaro Hugo Lianho, professor da universidade Aut??noma de Madrid e jefe do Servi??o de Neurologia do Hospital Porta de Ferro de Madrid.
As suas afirma????es, que são apoiadas em recentes investigações neuropsicológicas, tem origem no dimorfismo cerebral ???diferenças de forma segundo o sexo-, diferença que come??a no per??odo embrion??rio e que se mant??m ao longo da vida por influência hormonal.
Por exemplo, a ac????o das hormonas d?? lugar a ??? um maior tamanho de certos n??cleos cerebrais no homem com respeito ?? mulher, e a uma maior lateriza????o das fun????es cerebrais no homem com respeito ?? mulher???. Afirma Maria Gudin, neur??loga e autora do livro: C??rebro e afectividade (ver ACEPRENSA 25/02 ). Ainda que reconhecendo que muitas das diferenças não se tem estabelecido totalmente, Gudin considera que ???devem tomar-se em consideração???.
Ensinamentos da psicologia
Na opinião de Francisco Jos?? Rubia, catedr??tico de Fisiologia e autor do livro O sexo do cérebro, uma das conclus??es aplic??veis ?? ??rea educativa vem precisamente da ??? matura????o posterior do hemisf??rio esquerdo nos rapazes, que faz que os afectem transtornos de desenvolvimento, como a dislex??a, a hiperactividade e a tartamudez???.
Desde o ??mbito da psicologia juntam-se novos pontos de dissimilitude com implica????es educativas, como ???o rendimento acad??mico, a apari????o e o desenvolvimento da linguagem, as habilidades num??ricas, espaciais, mec??nicas, etc., que manifestam clara diferença entre var??o e mulher???, afirma Serafim Lemos, catedr??tico de psicologia da Universidade de Oviedo.
Assim ??? com umas medidas de desenvolvimento lingu??stico precoce incide-se no desenvolvimento intelectual posterior das mulheres, mais não tanto nos var??es; e uma car??ncia de educa????o no per??odo preescolar - no em tanto - tem efeitos mais negativos nas meninas que nos meninos???, declara Lemos, sem perder de vista que não cabem generaliza????es do tipo: ???qualquer mulher ?? superior ?? qualquer var??o nas capacidades ou destrezas verbais ou que qualquer var??o supera ?? mulher nas habilidades viso-espaciais???.
Lemos também aponta algumas tendências diferentes na personalidade de var??es e mulheres: ???Os var??es caracteri??am-se por um maior nível de agressividade, domin??ncia e motiva????o de lucro; em tanto que as mulheres por uma maior depend??ncia, uma mais intensa orienta????o social, e lhes afectam mais os fracassos.???
Ainda que a apari????o de estes rasgos de personalidade encontrem-se motivados por factores biológicos ??? a heran??a e as fun????es neuropsicológicas - na sua configura????o também actuam elementos de tipo psicosocial - ,quer dizer, de estilos de vida - dentre os que se incluem as formas de educa????o e condicionamento, sobre os que , em opinião de Lemos, se poderia actuar.
Consequências no ensino
Para Maria Calvo: ???haveria que aproveitar todas as diferenças inatas, para tirar o m??ximo partido ?? educa????o???. E no marco da liberdade de ensino, ???permitir uma educa????o diferenciada flex??vel nos col??gios públicos para alguns patamares de idade, com o fim de tentar rebaixar o fracasso escolar masculino ou fomentar as habilidades matem??ticas entre as raparigas, como j?? se fez com ??xito na Alemanha???.
Calvo considera que muitos professores não são conscientes das diferenças e ???exigem o mesmo, de id??ntica forma a meninos e a meninas, no mesmo tempo e pretendem obter uma mesma resposta por parte de ambos sexos???. Um claro expoente ?? o modo de tratar o fracasso escolar, - o nível de abandonos em Espanha atinge o 33% aos 16 anos - pois ???ignora-se a exist??ncia dum forte componente sexual no fracasso escolar e ainda que a variavel de sexo ?? relevante no ??mbito educativo, não h?? nenhuma actua????o para dar-lhes uma solução: nem experimental nem administrativa???.
Os resultados das investigações sobre o cérebro também permitem outras leituras, com consequências educativas a diferentes níveis. Para Nat??lia L??pez Moratalla, catedr??tica de Bioqu??mica e autora do livro: C??rebro de mulher e cérebro de var??o (Rialp), precisamente o facto de que no cérebro do ser humano haja dois hemisf??rios, abre a possibilidade de dois estilos de pensar, que a unidade vital dever?? equilibrar. ???Um cérebro humanizado pode passar a primeiro plano a mirada anal??tica ou a mirada contemplativa conforme a actividade que realize??? e afirma: ???e ainda que a assimetria funcional dos hemisf??rios direito e esquerdo esteja determinada geneticamente por processos precoces da vida fetal, e se module pelos níveis hormonais??? a educa????o, a cultura e as resolu????es pessoais amadure??am ou humanizem um cérebro que permanece formativo toda a vida???.

