Que educa????o sexual para os meus filhos?
Depois de exercer durante doze anos como psiquiatra na UCLA (Universiry of California, Los Angeles), Grossman comprovou o desconcerto com que se movem a maioria dos jovens no ??mbito da sexualidade. Ela própria se sentiu frustrada ao ver como, paciente ap??s paciente, se repetiam os mesmos erros que terminavam em doenças sexualmente transmiss??veis, transtornos emocionais e inclusive infertilidade.
"Não podia fazer muito por eles. Eram jovens que estavam muito bem informados e que se preocupavam activamente pela sua sa??de. Cuidavam da alimenta????o, faziam exercício, evitavam fumar e tantas coisas. Mas no campo da sexualidade assumiam todo o tipo de riscos. Assim comecei a perguntar-lhes acerca da educa????o sexual que recebiam nas aulas".
A partir destes testemunhos. Grossman chegou ?? conclusão de que os jovens estavam praticamente desprotegidos. Este foi o título do seu primeiro livro: Unprotected: A Campus Psychiatric Reveals How Political Correctness in Her Profession Harms Every Student. No que agora acaba de publicar analisa o material pedag??gico que os alunos utilizam: p??ginas webs, livros, folhetos, guias, v??deos...
O que primeiramente surpreendeu Grossman foi a falta de conhecimento sobre os fundamentos do desenvolvimento evolutivo de crianças e jovens, assim como as últimas descobertas da neurologia. "Os professores de educa????o sexual insistem em que os adolescentes t??m, tal como os adultos, a maturidade suficiente para assumir decisões responsáveis. O problema, acrescentam, est?? em que lhes falta a informação suficiente e não utilizam preservativos".
"De maneira que a proposta destes "peritos" para reduzir as doenças de transmissão sexual e o número de gravidezes adolescentes ??: mais informação e mais preservativos. Mas as investigações recentes da neuropsicologia não confirmam esta posi????o. Agora sabemos que as m??s decisões dos adolescentes procedem não da falta de informação mas da falta de critério. E s?? h?? uma coisa que cura isto: o tempo".
Outro dado b??sico que a maioria dos manuais sobre educa????o sexual omite ?? a maior vulnerabilidade biológica das raparigas ??s doenças sexualmente transmiss??veis. T??o-pouco se diz aos rapazes que o sexo oral costuma ir associado ao cancro da garganta. "Não ?? demais repetir que se trata de uma informação de vida ou de morte; ocultar estas coisas ?? o cume da irresponsabilidade".
Em lugar de informar sobre os riscos, algumas organiza????es americanas como a Planned Parenthood ou o SIECUS (Sexuality Information and Education Council of the US) "limitam-se a repetir que a adolesc??ncia ?? o tempo id??neo para explorar novas pr??ticas sexuais, ou que as crianças t??m direito a expressar a sua sexualidade em qualquer das formas que lhes ocorra".
Para Grossman, "esta mensagem promove a libertinagem sexual, não a sa??de sexual. ?? pura ideologia, não ci??ncia. E quando a libertinagem sexual passa a primeiro plano, a sa??de sexual ressente-se. A?? est??o, para o demonstrar, os alarmantes números dos Estados Unidos sobre as DST as infec????es por HIV, gravidezes adolescentes e abortos".
A abordagem ideológica da educa????o sexual observa-se também no papel que os educadores atribuem aos pais. Grossman diz que neste ponto h?? muita duplicidade. "Quando os educadores falam para os meios de comunicação social ou nos materiais destinados aos pais, destacam sempre que a educa????o sexual come??a em casa e que os pais são os principais educadores neste campo. No entanto os materiais did??cticos que as crianças utilizam transmitem uma mensagem muito diferente".
"90% dos pais querem que os seus filhos atrasem as relações sexuais, e confiam em que os que ministram a educa????o sexual os v??o ajudar a refor??ar esta mensagem. H?? organiza????es como o SIECUS que se comprometem a difundi-la, mas não o fazem".
Ainda que a situação que Grossman descreve seja bastante crua, o seu livro também transmite esperança. "A boa notícia ?? que todos estes problemas de sa??de sexual podem ser evitados em 100% dos casos. Os pais podem fazer muito pelos seus filhos. Cada vez mais sabemos que os filhos se sentem muito influenciados pelos valores e as expectativas dos seus pais. No livro recolho numerosos estudos que demonstram o efeito positivo que tem nos filhos um estilo educativo que sabe compaginar a compreens??o com a autoridade".
Notas
(1) You're Teaching My Child What?: A Physician Exposes the Lies of Sex Ed and How They Harm Your Child, Regnery Publishing. Washington, DC (2009).

