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Entrevista

Debate sobre o matrim??nio para ganhar a batalha das ideias

 Casamento
Maggie Gallagher demonstra que o melhor para as crianças ?? o casamento dos pais
Debate sobre o matrim??nio para ganhar a batalha das ideias

Um novo livro, "The Meaning of Marriage: Family, State, Market, and Morals" (Spence) ???O sentido do casamento: Fam??lia, Estado, Mercado e Moral???, re??ne uma mostra do excelente trabalho intelectual que realiza o actual movimento pro matrimonio. Maggie Gallagher, presidente do Instituto para casamento e Politica P??blica (www.marriagedebate.com), ?? uma das firmas que contribuíram para essa obra colectiva, coordenada por Robert George y Jean Bethke Elshtain.

 

- Podemos supor que o matrim??nio ?? a melhor protecção para as crianças, mas existem provas cient??ficas que o provem?

 

- Nos últimos trinta anos fizeram-se sobre esta mat??ria milhares de estudos de várias especialidades: psicologia, sociologia, economia e medicina. Em praticamente todos os aspectos que as ci??ncias sociais podem estudar, estão melhores, por meio de compara????o, as crianças de pais casados que permanecem juntos, sempre que o matrim??nio não seja conflituoso ou violento. Por outro lado, as crianças de pais não casados podem sofrer as mais importantes patologias sociais.

 

Quando os matrim??nios falham, normalmente também se debilitam os la??os entre pais e filhos.

 

Acontece que os filhos de divorciados, adultos, não mant??m relações estreitas e cordiais com os seus pais: assim acontece em 65% dos casos, relativamente a 29% de filhos de matrim??nios intactos.

 

- O que se passa com o matrim??nio que protege os filhos,?? o reconhecimento legal e social, como alegam os defensores do matrim??nio "gay", ou ?? algo mais?

 

- O matrim??nio, enquanto institui????o jur??dica e social, protege as crianças de dois modos: primeiro, torna mais prov??vel que a criança seja concebida num ambiente de compromisso; segundo, aumenta as possibilidades dos pais permanecerem juntos. Ou seja, para jovens atra??dos por sexo oposto, evitar uma gravidez fora do matrim??nio, exige esfor??o. Eles necessitam de uma motiva????o forte, e parte desta motiva????o vem da institui????o do matrim??nio, que tem as condições ideais para ter filhos. No matrim??nio, o jovem do casal tem ajuda nesta luta.

 

Assim, o planeamento a longo prazo próprio do matrim??nio em ci??ncias sociais chama-se "efeitos de selec????o". Uma cultura do matrim??nio coloca aos jovens a questão com que tipo de pessoa querem ter filhos.

 

E as qualidades de uma boa m??e ou um bom pai (s??rio, responsável, comprometido) são também qualidades próprias de um conjugue duradouro, algu??m com quem se poder?? partilhar a vida. A isto se junta que o matrim??nio recebe mais apoio da sociedade e que apenas se pode dissolver mediante processo judicial, o que aumenta a probabilidade aos filhos de crescerem num ambiente est??vel.

 

O g??nero importa

 

- O ideal de família baseado em estere??tipos sexuais não ?? algo que as sociedades avan??adas deixaram para tr??s? Porque insiste na ideia de que "o g??nero importa" na educa????o dos filhos?

 

- ?? evidente que o homem e a mulher não são iguais no modo de cumprir missão parental, e as diferenças acentuam-se até ao ponto de que cada um se especializa nos aspectos da educa????o para os quais cada um se sente mais inclinado. Mas os pais não são meros cuidadores que fazem tarefas espec??ficas. Aqui temos de ter em conta recentes investigações que confirmam a relev??ncia do g??nero e os indícios de que ?? algo que levamos incorporado antes do nascimento. Quando a criança come??a a desenvolver-se procura entender seu corpo, o progenitor do mesmo sexo como ele desempenha um papel vital.

 

Por exemplo, ao experimentar o amor fiel do seu pai, uma criança tem uma profunda experiência pessoal de masculinidade não ego??sta, orientada ao amor e ao bem da mulher e os filhos. Sem essa experiência, ser?? mais prov??vel que o rapaz se desenvolva agressivo e violento. De modo an??logo, uma rapariga criada sem pai chega a adolesc??ncia sem conhecer como ?? o amor viril quando ?? realmente protector, não movido primordialmente por impulso sexual. Quando procurar o amor masculino ser?? vulner??vel ao uso e abuso por parte de jovens rapazes. Por isso o g??nero dos pais ?? muito importante para o bem estar dos filhos. Como também, por certo, os nossos genes. Por exemplo, a psicologia mostra que os homens, em particular, são afectados pela presen??a ou aus??ncia de uma relação biológica com um filho, como confirmam os dados sobre os maus tratos a crianças.


- Mas os defensores do matrim??nio e a adop????o de pares homossexuais citam estudos segundo os quais os filhos criados por um casal homossexual se desenvolvem igualmente, ou melhor que os criados por pares heterossexuais. Ser?? que esses estudos não são t??o bons como os que apresenta?

 

- ?? certo que existe um conjunto de estudos que contradizem a opinião comum de que o melhor para as crianças ?? a família formada pelos seus pais unidos no matrim??nio. Mas as revis??es da literatura cient??fica sobre orienta????o sexual e educa????o dos filhos mostram que esses estudos t??m deficiências de estrutura e de m??todo.

 

Uma revis??o completa chegou ?? conclusão que nenhum teria uma mostra representativa de casais homossexuais.

 

As conclus??es sobre os filhos limitam-se, em geral, a medir coisas como a identidade sexual ou a auto-estima, e apenas existiam estudos a longo prazo, coisa que não surpreende.

 

A maior parte dos estudos sobre filhos criados por casais homossexuais comparam filhos de casais l??sbicas com filhos a cargo de m??e solteira, pelo que não podem entender a estrutura da família como tal.

 

Nesses estudos v??-se que a aus??ncia do pai est?? correlacionada com os piores ??ndices de bem estar dos filhos.

 

- Tem dedicado grandes esfor??os ao debate do matrim??nio. Este debate ser?? ganho pela for??a dos argumentos, ou ?? mais importante a mobiliza????o de gente corrente que vemos em movimento a favor do matrim??nio, da qual forma parte?

 

Os debates são ganhos pelos intelectuais, artistas e santos:

 

Pessoas que persuadem com a raz??o, pessoas que despertam sentimentos e pessoas que pelo seu comportamento nos movem a imitar e a adoptar as suas ideias.Todas as ideias sobre o matrim??nio que d??vamos como supostas até h?? pouco tempo não são "naturais". S??o produto de vários mil??nios de cultura, com polemistas que venceram disputas com o paganismo romano, artistas que contaram histórias sobre o que exige o amor verdadeiro, e pessoas cuja santidade inspira confian??a moral.

 

As provas cient??ficas são uma parte, nada mais. As guerras culturais não se podem ganhar com mobiliza????es. Assim ganham-se batalhas políticas, que são importantes. Mas contestando a sua pergunta, se tiver que eleger uma, eu diria que as ideias são o mais decisivo para ganhar o debate em torno do matrim??nio.