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Como fortalecer o casamento num pa??s

 Casamento
Como fortalecer o casamento num pa??s

The Marriage Index, promovido pelo Institute for American Values e pelo National Center of African American Marriages and Parentig, apresenta cinco indicadores que permitem fazer um retrato-rob?? do estado actual do casamento num pa??s. Os autores analisam o que aconteceu nos Estados Unidos entre 1970 e 2008.


50% dos filhos nascidos em uni??es de facto v??em os pais separar-se antes de decorrerem 5 anos, em compara????o com 15% em pessoas casada

 

Esses cinco indicadores s??o: a percentagem de adultos casados; a consciência de felicidade matrimonial; a percentagem de casamentos intactos; o número de nascimentos dentro do casamento; a percentagem de crianças que vivem com os pais casados.

 

Tal como acontece com os indicadores económicos, estes critérios também servem para fazer uma avalia????o no tempo. Se comparamos os resultados de um ano com os dos anos anteriores, saberemos se a situação est?? a melhorar ou a piorar. Se est?? a piorar, logicamente perguntaremos: que podemos fazer para melhorar?

 

Os investigadores que se reuniram para estabelecer o ??ndice procedem de diversas universidades e pertencem a diferentes tendências políticas. Não obstante, coincidem neste ponto: "o matrim??nio ?? algo mais que uma simples relação privada entre dois adultos: ?? um bem social com s??rias implica????es no bem-estar dos filhos".

 

E mais ?? frente acrescentam: "Se o casamento consiste fundamentalmente em criar um v??nculo entre adultos e filhos, qualquer ??ndice que pretenda medir a sa??de do casamento deve captar a for??a ou a debilidade deste v??nculo".

 

Por isso, os critérios seleccionados - sobretudo, os dois últimos - referem-se, em última an??lise, ?? perspectiva do matrim??nio como uma institui????o social que une sexos e gerações.

 

Mesmo quando o ??ndice tenta medir um dado t??o pessoal como ?? o grau de satisfa????o dos c??njuges com o seu próprio casamento, os autores chamam a aten????o para as repercuss??es que - para bem ou para mal - isso tem nos filhos: "Quando a relação matrimonial dos pais sofre, as crianças também ir??o sofrer".


O ??ndice nos EUA

 

A percentagem de adultos que estão casados ?? o primeiro indicador da situação do casamento num pa??s. The Marriage Index incide no sector da popula????o dos Estados Unidos com mais possibilidades de iniciar um projecto de vida em comum (a partir dos 20 anos) e com menos de enviuvar (abaixo dos 54).

 

Embora o casamento continue a ser o ideal da maior parte dos casais, este indicador apresenta uma mudança de tendência. Enquanto em 1970, 78,6% de adultos estavam casados, em 2008 essa cifra desceu para 57,2%. Ao mesmo tempo, a coabitação cresceu aceleradamente: das 439 000 uni??es de facto que havia em 1960, passou-se para 6,4 milhões de uni??es em 2007.

 

O segundo indicador refere-se ?? percentagem de pessoas casadas que nos inqu??ritos se declaram "muito felizes" no seu casamento. Embora os que se sentem muito felizes sejam a maioria, os dados estat??sticos mostram que a qualidade matrimonial desceu ligeiramente de 67% em 1970 para 62% em 2000.

 

O ??ndice segue a linha de um relatório do sociólogo Norval Glenn, da Universidade do Texas, que atribui parte do decr??scimo da felicidade matrimonial ?? eros??o do ideal de fidelidade conjugal (cf. "The Recent Trend in Marital Success in the United States", Journal of Marriage and Family 53, No. 2, 1991).

 

O terceiro indicador ?? a percentagem de primeiros casamentos não fracturados. Aqui também se escolheu um segmento da popula????o (entre os 20 e os 59 anos) para evitar incluir os vi??vos. A queda ?? pronunciada: em 1970, 77,4% dos casamentos permaneciam intactos, enquanto que em 2007 havia apenas 61,2%.

 

Não obstante, um dado positivo ?? que na última década se produziu um ligeiro aumento da estabilidade matrimonial. Segundo os autores do ??ndice, isto significa que ?? possível evitar que o número de casamentos est??veis continue a descer.

 

O quarto indicador refere-se ao número de nascimentos dentro e fora do casamento. Nas últimas quatro décadas, o número de nascimentos extra-matrimoniais disparou. Em 1970, 89,3% dos filhos nasceram de pais casados, enquanto actualmente esse número ?? de 60,3%.

 

?? indiferente nascer num casamento, numa união de facto ou numa união monoparental? De acordo com os estudos citados no ??ndice, a resposta ?? que n??o. Entre outras diferenças, a realidade sociológica indica que os casais que coabitam sem v??nculo são mais fr??geis, com o consequente preju??zo para os filhos.

 

Um estudo revela que 50% dos filhos nascidos numa união de facto v??em os pais separar-se antes de decorrerem 5 anos, em compara????o com 15% no caso dos filhos de pessoas casadas (cf. W. Bradford Wilcox et al., Why Marriage Matters: Twenty-Six Conclusions from the Social Sciences, Institute for American Values, New York, 2005, p. 13).

 

Finalmente, o quinto indicador mostra a percentagem de crianças que vivem com os pais casados. De 68,7% em 1970 desceu-se para 60,5% em 2000, tendo-se em 2007 estabilizado em 61%. "Mesmo tendo a percentagem de crianças que vivem com os seus dois progenitores biológicos ou adoptivos descido desde 1970, ?? possível evitar que continue a cair, como indica a estabiliza????o das últimas décadas", dizem os autores.

 

Em termos globais, The Marriage Index revela que a sa??de do casamento nos Estados Unidos desceu de 76,2% em 1970 para 60,3% em 2008. Segundo os dados que The National Center of African American Marriages and Parentig aporta ao ??ndice, a situação agrava-se na comunidade afro-americana desse pa??s, onde a queda nesse mesmo per??odo foi de 64% para 39,6%.


Que podemos fazer?

 

Uma das ideias que inspira os autores do ??ndice ?? que a situação do casamento num pa??s não ?? necessariamente o resultado de for??as sociais ocultas. Face ao fatalismo dos que pensam que o aumento das rupturas conjugais ?? inevit??vel, os autores cr??em que "podemos renovar o casamento como compromisso com outra pessoa, para toda a vida".

 

Para melhorar o ??ndice de sa??de do casamento nos Estados Unidos, The Marriage Index recolhe também uma bateria de 101 ideias dirigidas a pais, professores, p??rocos, políticos, l??deres de movimentos a favor da família, profissionais da opinião pública, etc.

 

As ideias são de ??ndole muito variada. Algumas pretendem reavivar entre vizinhos o apreço pelo compromisso conjugal mediante a cria????o de programas de ajuda para casais em crise; cursos para ensinar estratégias de comunicação e resolução de conflitos; actividades comunit??rias para fomentar que pais e filhos passem tempo juntos, etc.

 

Outras ideias centram-se na formação dos filhos adolescentes: explicar-lhes o sentido do namoro; ajud??-los a desenvolver uma personalidade integral; dar-lhes a conhecer modelos de conduta atraentes, atrav??s do cinema e da literatura, etc.

 

Outras ideias t??m por objectivo influir nos debates públicos centrados no casamento: difundir o ideal de perman??ncia conjugal mediante campanhas publicit??rias; apresentar o casamento como o contexto id??neo para ter e educar os filhos; relacionar a preocupa????o actual pelas crianças com o apoio ao casamento, etc.

 

Juan Meseguer Velasco