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Educa????o da afectividade

Um mito: o cérebro adolescente ?? imaturo

 Educação

Todos conhecemos a perspectiva pragm??tica apresentada pela educa????o sexual: ???A contin??ncia deve ser apresentada como a melhor op????o; mas sejamos realistas e ensinemos também a usar o preservativo.??? Ao que dever??amos responder: ???Ser?? que, quando encorajamos os jovens a abster-se de drogas, também os dev??amos ensinar a praticar um ???consumo seguro das drogas???? Se estamos convencidos de que determinado comportamento traz preju??zo para n??s ou para os outros, como sem dúvida acontece com a promiscuidade sexual, iremos mesmo assim ensinar os jovens a pratic??-la, ou ensinamos-lhes aquilo que estamos certos de ser realmente melhor para eles e para a sociedade?

 

Como se a educa????o na castidade não tivesse j?? bastantes inimigos, receio que ande ?? solta por esse mundo um novo inimigo, que amea??a enfraquecer o senso comum. Esse novo perigo ?? o mito do ???cérebro adolescente???. Ando a ler um livro intitulado ???The Primal Teen: What the New Discoveries About the Teenage Brain Tell Us About Our Kids??? (???O Adolescente Prim??rio: O Que As Recentes Descobertas Sobre O C??rebro Adolescente Nos Ensinam Acerca Dos Nossos Filhos). Nele são citados ???peritos em cérebro???, que fazem afirma????es do seguinte teor: ???Os adolescentes t??m paix??es mais violentas,(???) mas não as podem travar, e talvez não cheguem a conseguir trav??-las (ou seja, a atingir a matura????o do c??rtex pr??-frontal, necessária para inibir uma conduta impulsiva) antes dos 25 anos.

 

Os adultos não são melhores

 

Meses atr??s, apresentei uma exposição sobre contin??ncia num congresso em que havia um semin??rio sobre as implica????es destas novas investigações no cérebro. Ao terminar a minha exposição, levantou-se um m??dico que estava na mesa da presid??ncia e disse-me: ???Todos esses argumentos lógicos a favor da contin??ncia estão muito bem, mas que efic??cia podem ter num cérebro adolescente ao qual faltam ainda dez anos para atingir o seu completo desenvolvimento????

 

Respondi que, se troux??ssemos até aquela sala cem rapazes de 15 anos escolhidos ao acaso, poder??amos alinh??-los numa progress??o cont??nua, come??ando por aqueles que nunca tinham tido relações sexuais nem feito nenhuma insensatez e terminando nos que têm relações sexuais várias vezes por semana e realizam muitas outras pr??ticas de alto risco. Todos os seus cérebros teriam mais ou menos a mesma idade e o seu c??rtex pr??-frontal o mesmo grau de maturidade. De onde derivaria ent??o a grande variedade quanto a comportamentos que exigem uma regula????o dos impulsos? Acrescentei que, quando andava no secundário, não tive relações com a minha namorada não devido ao meu grau de maturidade cerebral, mas devido aos meus princ??pios. Entre outras coisas, acreditava que era pecado mortal, e não estava disposto a p??r a minha alma em risco.

 

De facto, inqu??ritos levados a cabo nos Estados Unidos mostram que os adultos com idades compreendidas entre os 35 e os 54 anos apresentam diversos comportamentos perigosos em maior propor????o que os adolescentes. ?? muito mais frequente morrerem em acidentes de autom??vel, suicidarem-se, embebedarem-se ou serem levados para o hospital por ???overdose???.

 

Criticas Cient??ficas

 

Come??aram a surgir cr??ticas cient??ficas ??s teorias sobre o cérebro adolescente. Em Setembro passado, o The New York Times (17-09-2007) publicou nas suas p??ginas de opinião um artigo de Mike Males, investigador veterano do Center on Juvenile Justice e fundador de ???Youthfacts.org???. Dizia Males: ???Uma avalanche de informação jornal??stica anuncia com grande alarido que a ci??ncia pode explicar a raz??o pela qual os adultos t??m tantas dificuldades em lidar com adolescentes: estes t??m cérebros imaturos, não desenvolvidos, que os levam a comportamentos perigosos, detest??veis e irritantes para os pais. Mas este punhado de peritos e responsáveis públicos que fazem tais afirma????es incorrem em exageros insensatos. Investigadores do cérebro mais s??rios, como Daniel Siegel (Universidade da Califórnia, em Los Angeles) ou Kurt Fischer (Programa ???Mente, C??rebro e Educa????o???, de Harvard), advertem que os cientistas estão apenas nos prim??rdios dos estudos sobre o funcionamento dos sistemas cerebrais. ???Pretende-se, naturalmente, usar a ci??ncia do cérebro para definir políticas e m??todos, mas o nosso limitado conhecimento do cérebro imp??e-nos limites muito severos a esse objectivo. Nestes come??os da sua história, a neuroci??ncia não pode basear-se no conhecimento do desenvolvimento cerebral para justificar um certo tipo de educa????o???, diz Siegel.

 

Robert Epstein, ex-director de ???Psychology Today??? e chefe da sec????o ???colaboradores??? da ???Scientific American??? rebate deste modo as teorias sobre o cérebro adolescente: ???Os adolescentes são t??o capazes como os adultos de mostrar um vasto leque de qualidades. Est?? comprovado que superam os adultos em provas de mem??ria, intelig??ncia e percepção. A tese de que os adolescentes t??m um ???cérebro imaturo???, que necessariamente causa uma crise, fica inteiramente desmentida se prestarmos aten????o ?? investiga????o antropológica que se faz a nível mundial. Os antrop??logos encontraram mais de cem sociedades contempor??neas nas quais a crise da adolesc??ncia não se faz sentir de todo; na maioria dessas sociedades nem sequer existe voc??bulo para designar adolesc??ncia.

 

Subir a fasquia

 

Mais contundentes ainda são os estudos antropológicos de longa dura????o feitos realizados em Harvard nos anos 80: mostram que a crise da adolesc??ncia come??a a aparecer numa sociedade onde não existia poucos anos depois de se adoptar o sistema escolar ocidental e de estar sob a influência dos meios de comunicação ocidentais. Por último, existem numerosos dados indicadores de que, em se dando aos jovens verdadeiras responsabilidades e a possibilidade de se relacionarem com adultos, eles aceitam prontamente o desafio e vem ao de cima o ???adulto que trazem dentro de si.??? (???Education Week???, 4-04-2007)

 

O pior erro que podemos cometer em educa????o ??? e sem dúvida o pior na educa????o do carácter e na castidade ??? ?? subestimar a capacidade dos nossos alunos. Tenho uma amiga que ?? neste momento dirigente do movimento para a educa????o na contin??ncia. Conta ela que em adolescente era prom??scua. Era t??o mal tratada em casa que cometia pequenos delitos para poder gozar da relativa segurança que a cadeia lhe proporcionava. Foi l?? visit??-la um orientador, a quem contou a sua insensata vida sexual. Ele falou-lhe com carinho e incitou-a a comportar-se com mais dignidade e disciplina. Hoje ?? casada, m??e e educadora respeitada. Diz ela: ???Que teria sido de mim se aquele orientador me tivesse dado um preservativo em vez de confiar em mim????

 

Se aos seres humanos se prop??em metas altas e se lhes oferece o apoio adequado, eles t??m tendência para se esfor??arem por as alcançar. A castidade ?? dif??cil, como tudo o que vale a pena na vida. ?? tempo de todos, escolas e pais, subirem a fasquia