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A protecção das crianças na Internet não ?? apenas uma questão de filtros

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A protecção das crianças na Internet não ?? apenas uma questão de filtros

As barreiras tecnológicas instaladas nalgumas p??ginas da Internet, como filtros ou mecanismos de verifica????o de idade e identidade não bastam para garantir uma utiliza????o segura da rede a crianças e adolescentes. Estas medidas técnicas devem ser combinadas com outros elementos, como a supervis??o dos pais, a educa????o, o refor??o da lei e a implementa????o de políticas de segurança entre os fornecedores e as p??ginas que alojam redes sociais, se se quiser evitar os problemas de ass??dio e intimida????o que as crianças enfrentam.

 

O relatório foi acolhido com al??vio pelas empresas que trabalham na Internet, pois minimiza as amea??as de possíveis predadores na rede e, pelo contr??rio, decepcionou os que defendem um controlo tecnológico mais restrito, com barreiras por idade e diferentes filtros. De facto, o grupo de trabalho, dirigido pelo Braman Center for Internet and Society, da Universidade de Harvard, examinou os dados cient??ficos sobre o abuso sexual atrav??s da Internet e concluiu que as crianças e adolescentes não t??m assim tantas probabilidades de deparar com uma oferta sexual e que, nos casos em que acontece, existe uma certa colabora????o dos adolescentes, pois costumam ser jovens que j?? se encontram em situação de risco, pelo seu contexto social ou pelo consumo de drogas.


Cr??ticas dos procuradores

 

As conclus??es suscitaram j?? as cr??ticas dos procuradores de alguns Estados norte-americanos que, juntamente com as empresas, solicitaram a investiga????o. Richard Blumenthal, procurador-geral do Connecticut, um dos mais preocupados com o problema do ass??dio sexual a crianças, mostrou o seu desacordo, pois "o relatório desvaloriza as amea??as", baseia-se em dados antiquados e não foi capaz de definir um plano para melhorar a segurança das redes sociais. "A crua realidade desafia as estat??sticas desta investiga????o acad??mica; as crianças recebem propostas todos os dias atrav??s da Internet, algumas caem na armadilha e os resultados são tr??gicos", referiu.

 

Outro dos procuradores envolvidos, Roy Cooper da Carolina do Norte, indicou que "claramente, a responsabilidade ?? dos pais", embora tenha matizado que "como são as empresas de tecnologia que estão a oferecer estes pontos de encontro e a encorajar as crianças a participar, elas também t??m o dever de incluir os elementos técnicos que possam ajudar a proteg??-las". Desde que as crianças e os adolescentes utilizam mais as p??ginas de redes sociais, t??m-se vindo a contabilizar de modo progressivo os casos de ass??dio sexual e intimida????o. Em 2007, oito dos Estados norte-americanos exigiram altera????es no MySpace - uma das p??ginas mais utilizadas por adolescentes - e 49 procuradores-gerais ordenaram mesmo ?? empresa que trabalhe com investigadores e outras empresas na Internet para eliminar os riscos.

 

O relatório que acaba de ser apresentado também salienta os avan??os substanciais na política de protecção de menores conseguidos por determinados portais da Internet. Por exemplo, o MySpace acordou uma s??rie de modifica????es que incluem a revis??o no prazo de 24 horas dos relatórios sobre abusos emitidos pelos utentes; a possibilidade de os pais enviarem as contas de Internet dos seus filhos para as bloquear e a op????o de converter automaticamente em privados alguns perfis. O MySpace também utiliza a tecnologia da Sentinel Tech Holding para suprimir da rede social os autores de ass??dio que abrem perfis com os seus próprios nomes.

 

Para o procurador Richard Blumenthal, todas estas medidas constituem um passo na direcção correcta. "No nosso trabalho policial, a partir das investigações, vemos que os jovens continuam a ser vítimas de falsidades e a cair em situações muito perigosas, que algumas vezes levam a assaltos criminosos ocorridos ap??s contactos nas redes sociais", afirmou.

 

M. ??ngeles Burguera