Crise da maternidade e raz??es de esperança
O mote foi dado pelo reitor da Universidade Católica, Manuel Braga da Cruz, ao falar do "afastamento dos valores da fertilidade e maternidade do horizonte familiar". Uma tendência igualmente referida por Isilda Pegado, Presidente da Federa????o Portuguesa pela Vida, ao salientar "a cultura individualista e pouco generosa com a vida" aliada ?? falta de apoios da sociedade para m??es com carreiras profissionais, ??s falhas no urbanismo, no direito e na educa????o. Tem??ticas que foram desenvolvidas durante o congresso.
A maternidade como valor social foi apresentada por Lola Velarde, Presidente do Instituto de Pol??tica Familiar - Rede Europeia. A especialista analisou dados demogr??ficos de uma Europa envelhecida: nível de fecundidade cada vez mais baixo, mulheres a terem filhos mais tarde, aumento do número de filhos fora do casamento e uma m??dia de um aborto a cada 27 segundos no continente europeu. "Tudo isto demonstra que se vive uma crise da maternidade", declarou Lola Velarde, para quem outros problemas sociais e culturais contribuem para a crise: "os lobbies que pressionam o governos, uma agenda oculta que pretende controlar a natalidade e uma no????o da maternidade como papel substitu??vel". Por??m, afirmou, h?? raz??es de esperança que residem "nalguns acordos universais que apoiam a família, como a conven????o sobre os direitos da criança, e a for??a da família como institui????o eficaz, com valores educativos fortes, e até como ajuda na crise económica".
Marcelo Rebelo de Sousa, professor universit??rio e comentador na RTP1, salientou que a crise da natalidade pode encontrar-se também na "falta de dinamismo e iniciativa". "Temos necessidade de estratégias de vida, porque a natalidade ?? indissoci??vel da maternidade e paternidade", disse o professor de Direito da Universidade de Lisboa. "Tudo depende da educa????o, que come??a com os pais ainda antes do nascimento e termina na morte. Os anos decisivos são principalmente os que rodeiam a educa????o p??s-nascimento". Segundo Rebelo de Sousa, assisti-se ainda a uma crise nos "educadores clássicos" - família,Igreja e escola -, que hoje são substitu??dos pela televis??o, internet e novas formas de associa????o e integração de jovens. "De todos estes, quem continua a ter o melhor papel educativo ?? a família, com a voca????o da maternidade e paternidade, prolongado ao longo da vida". "Valeria a pena fazer um debate global sobre esta questão para que os legisladores optassem por um pacote de medidas coerente", salientou, defendendo o "optimismo" como arma "fundamental".
Maternidade e Economia
A economia também tem relações com a maternidade. H?? um precioso "contributo para um crescimento económico, sustentado a prazo, que se centra na m??e", defendeu o economista Fernando Branco. O capital humano, cuja medi????o ?? feita em capacidades cognitivas (escolaridade, formação) e capacidades não cognitivas (??tica, motiva????o), são potenciadas durante a infância. Segundo o economista, as solu????es passam por "estimular condições para a maternidade de qualidade a longo prazo, dirigir a interven????o para crianças nascidas em meios desfavorecidos e colocar em cima da mesa, prioridades de política pública", j?? que o investimento nas crianças tem um alto valor económico e social.
Ant??nio Jorge Fontes, arquitecto, apresentou solu????es urban??sticas para potenciar o crescimento da família. As cidades do futuro devem albergar comunidades mistas, não devem ser sectorizadas, mas antes um centro de serviços, habitação e trabalho, ao mesmo tempo que integram todas as comunidades sociais. Tendo como pano de fundo a perspectiva da criança, é preciso seguir alguns critérios na escolha de casa. Estar perto de um espa??o comunit??rio ou para brinquedos, jardins, escola, entre outras. O arquitecto falou ainda da forma e dimens??o do espa??o e da import??ncia da "flexibilidade para se ir agregando ??s funcionalidades e alargamento da família".
Sobre psicologia e maternidade falou a pedopsiquiatra Susana Farinha. "Dos pais, os filhos esperam uma história, um passado, mem??rias e tradi????es. Esperam uma identidade própria, serem reconhecidos como filhos e recolhem conteúdo que mais tarde os ensinam a ser pais. Esperam segurança e que os pais lhes mostrem o mundo real, ensinando-os a construir defesas. Os pais procuram nos filhos a continuidade, como um testemunho e a entrega".
Nas conclus??es deste 1?? Congresso Nacional da Maternidade Ant??nio Maria Pinheiro Torres, da Federa????o Portuguesa pela Vida, real??ou a import??ncia de se criarem condições para uma efectiva maternidade e paternidade: o reconhecimento por parte dos poderes públicos da influência que um v??nculo est??vel entre homens e mulheres proporciona ?? criança e da import??ncia de tudo o que faz parte da experiência humana da maternidade e paternidade.

