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Educar na abstin??ncia sexual, uma estratégia que funciona

 Sexualidade
Educar na abstin??ncia sexual, uma estratégia que funciona

Em 2006 -??ltimo ano do qual existem dados disponíveis- houve 71,5 gravidezes por cada 1.000 raparigas norte-americanas com idades entre os 15 e os 19 anos, o que significa um aumento de 3% em relação ?? taxa de 69,5 adolescentes de 2005.

 

Depois, os autores do relatório estabelecem uma correlação -bastante discut??vel- entre o aumento da taxa de gravidezes das adolescentes e os programas de educa????o sexual centrados na abstin??ncia, impulsionados pela Administra????o Bush.

 

O relatório do Guttmacher Institute agitou a opinião pública norte-americana. Quase todos os meios de comunicação social concordam em que os resultados que revela são preocupantes. No que não concordam ?? na identifica????o da causa.

 

Alguns peri??dicos, como o New York Times, acolheram com entusiasmo a hip??tese levantada pelo Guttmacher Institute. Outros, como o Washington Post, menciona essa explica????o mas não a assume. Entre as causas possíveis, este di??rio cita o relaxamento dos jovens perante os perigos da SIDA (o que os leva a terem relações sexuais sem preservativo) ou a aflu??ncia dos imigrantes hispânicos.

 

A verdade ?? que, actualmente, os programas que promovem a abstin??ncia sexual dos jovens estão sob suspeita. Para que possam optar por ser financiados por fundos federais, antes tem de se provar que a sua estratégia funciona.


Os dados falam por si


Pela primeira vez, h?? provas claras de que a estratégia da abstin??ncia pode ajudar muitos jovens a atrasar as relações sexuais

 

Isto ?? o que acaba de conseguir um rigoroso estudo publicado na revista Archives of Pediatric & Adolescent Medicine (2-02-2010). Segundo o estudo, realizado por investigadores da Universidade da Pensilv??nia, os programas de educa????o sexual centrados na abstin??ncia conseguem persuadir muitos alunos a atrasarem o início da sua actividade sexual.

 

?? certo que j?? existiam alguns relatórios que certificavam o sucesso da estratégia da abstin??ncia nos Estados Unidos (cfr. Aceprensa, 7-05-2008). Mas o aspecto inovador ?? que este estudo conseguiu chamar a aten????o dos mais cépticos.

 

Segundo o Washington Post (2-02-2010), "pela primeira vez, existem provas claras de que um programa de abstin??ncia pode funcionar". ?? significativo que esta notícia tenha estado durante vários dias entre as cinco mais lidas da sua edi????o on line.

 

Os autores do estudo seguiram durante quatro anos 662 adolescentes afro-americanos de classe m??dia, com idades entre os 10 e os 15 anos, que participaram em programas de educa????o sexual no início do ano 2000. Estes jovens foram escolhidos, porque se trata de uma popula????o de alto risco.

 

Os programas foram oferecidos em m??dulos de oito horas -com intervalos, evidentemente- ao longo de vários s??bados, em quatro escolas públicas. Alguns alunos participaram em programas centrados exclusivamente na abstin??ncia; os outros assistiram a programas que combinavam diversas estratégias, principalmente a contracep????o e a abstin??ncia.

 

Dois anos ap??s o arranque dos cursos, chegou o momento de fazer o balanço. Um ter??o dos alunos que tinha assistido aos programas que se limitavam ?? abstin??ncia havia-se j?? iniciado nas relações sexuais. Pelo contr??rio, essa percentagem chega até quase metade dos alunos do outro grupo.

 

Por outras palavras, a probabilidade dos adolescentes que tinham participado nos programas centrados na abstin??ncia manterem relações sexuais, ?? 33% mais baixa que nos outros.


Efic??cia demonstrada

 

Para John B. Jemmott, professor da Universidade da Pensilv??nia e director do estudo, estes resultados constituem uma oportunidade para se levar mais a s??rio o debate sobre os programas de educa????o sexual: "Temos vindo a criticar h?? j?? demasiados anos os programas que apostam apenas na abstin??ncia, sem prestar aten????o aos dados". "Este estudo mostra que os programas centrados na abstin??ncia podem ser uma alternativa a juntar aos restantes programas de educa????o sexual que oferecemos", conclui Jemmott.

 

O estudo da Universidade da Pensilv??nia pode ter consequências políticas importantes. Teoricamente, o sistema educativo dos Estados Unidos avaliza tanto os programas de educa????o sexual contraceptiva, como os que promovem aa abstin??ncia dos jovens. Mas na pr??tica, as coisas não são assim t??o equitativas. A Administra????o Obama j?? tomou partido pela educa????o sexual contraceptiva, ao eliminar os mais de 170 milhões de dólares que antes eram destinados a financiar os programas centrados na abstin??ncia.

 

Contudo, uma vez demonstrada a efic??cia dos programas que apostam apenas na abstin??ncia, poderiam voltar a receber apoio dos fundos federais.

 

?? o que se depreende de declara????es de Sarah Brown, directora da National Campaign to Prevent Teen and Unplanned Pregnancy: "Este novo estudo pode mudar as regras do jogo. Pela primeira vez, h?? provas claras de que a estratégia da abstin??ncia pode ajudar muitos jovens a atrasar as relações sexuais".


Juan Meseguer Velasco