Guias e truques para regressar ao trabalho depois de uma pausa dedicada ?? família
S?? nos Estados Unidos o número de m??es dedicadas exclusivamente ao cuidado dos seus filhos, depois de ter deixado uma ocupa????o remunerada, atingia no ano passado 5,1 milhões. Isto significa que neste pa??s em cada quatro m??es com filhos menores de 15 anos uma abandona temporariamente o mercado de trabalho. Mas a este número de sa??das relacionadas com a maternidade, deve somar-se outro contingente cada vez mais relevante: o das mulheres que têm a seu cargo familiares idosos ou doentes. E que acontece quando decidem regressar?
Nos EUA, uma de cada quatro m??es com filhos menores de 15 anos abandona temporariamente o mercado de trabalho por motivos familiares
Quando passam dez anos
Um estudo do Center for Work-Life Policy, anterior ?? última desacelera????o económica, revelava que s?? 40 por cento das m??es conseguiam contratos a tempo completo, enquanto as restantes 34 por cento, s?? os fazia a tempo parcial. No entanto, ?? medida que a dedica????o familiar era mais prolongada os dados tornavam-se cada vez mais desanimadores. Actualmente, segundo Suzanne Bianchi, professora de Sociologia da Universidade da Califórnia, quando as pausas laborais ultrapassam os dez anos "o mais prov??vel ?? que uma mulher tenha de recome??ar directamente a partir do primeiro escal??o; precisa de convencer algu??m para que lhe d?? uma oportunidade e ter a suficiente confian??a em si própria para se lan??ar".
Mas a confian??a e o convencimento devem apoiar-se em algo mais que não seja s?? a necessidade de conseguir um ordenado ou baseada apenas na experiência conseguida numa etapa anterior. A reincorpora????o ou o relan??amento da carreira profissional (relaunch) - termo de conota????es mais positivas que se aplica ao processo de regresso ao mercado depois de uma pausa- j?? tem consultorias especializadas, como iRelaunch, fundada por Carol Fishman Cohen e Vivian Steir Rabin. Em cinco anos de actividade, esta iniciativa j?? ministrou uma centena de cursos em universidades, associa????es e empresas, e al??m disso, disp??e de um site com recursos e ferramentas de ajuda no sistema de procura de emprego.
Num artigo recente publicado no The Washington Post, Cohen assegurava que "mulheres e homens de alto potencial não o perdem s?? por interromper o seu progresso profissional durante um certo per??odo de tempo". Na sua opinião, "perdem sobretudo imagem, mas as pessoas com quem trabalharam ou estudaram não se d??o conta e, em contrapartida, o reencontro com essas pessoas representa um refor??o de confian??a e entusiasmo". Pela experiência adquirida nestes anos e recolhida num livro (1) - um guia para m??es que decidem regressar ao mercado de trabalho -, Cohen e Steir asseguram que para conseguir um posto de trabalho ?? normal demorar seis meses a um ano, com os consequentes esfor??os de reorienta????o, tornar-se flex??vel a novas aspira????es e saber esperar: "se se conseguir enfrentar vinte entrevistas, consegue-se um lugar".
Programas de reinser????o laboral
Algumas empresas importantes come??am a oferecer programas de reinser????o laboral a antigas empregadas
Outra via para o relan??amento da carreira profissional pode ser o recurso a programas empresariais de regresso ao trabalho que come??am a ser disponibilizadas por algumas empresas e bancos, como no caso de Accenture, Morgan Stanley, Goldman Sachs, Deloitte e Sara Lee; esta última empresa ?? conhecida por estar dirigida precisamente por Brenda Barnes, despedida em 1997 de PepsiCo por ter renunciado a um cargo executivo para dedicar mais tempo aos tr??s filhos. Por via de regra os programas de reinser????o laboral t??m esquemas semelhantes: são dirigidos a profissionais que se ausentaram voluntariamente e a que oferecem a oportunidade de reaprender, de se treinar e demonstrar as suas habilidades. Alguns são abertos, isto ??, não exigem que o candidato seja um antigo trabalhador da casa.
Entre os pontos fortes para contratar uma mulher com uma grande pausa laboral no seu curriculum cabe considerar a capacidade de relação, a motiva????o e a estabilidade emocional, que não são f??ceis de encontrar entre candidatos mais jovens. "?? certo que se pede um grande esfor??o para a reintegração no mundo laboral e que se exige sinceridade quando se desconhece o modo de fazer qualquer coisa", mas com a experiência recolhida pela consultora iRelaunch, "as mulheres que regressam são mais est??veis e um dos seus valores próprios consiste na facilidade que têm de trabalhar em equipa". Na opinião de Carol Cohen, o que ?? mais caracter??stico nas que voltam ?? que "trabalham muito e com efic??cia".
Em contrapartida, a consequência menos satisfat??ria das interrup????es laborais situa-se no campo económico. Para Sylvia Ann Hewlett, presidente e fundadora do Center for Work-Life Policy, "?? muito dif??cil que as mulheres que regressam recuperem o mesmo nível e o mesmo ordenado que tinham". Um inqu??rito realizado por este centro em 2009 e publicado na revista de Harvard Business Press, revela que "quanto mais tempo uma mulher permanece fora do mercado laboral maior ?? o efeito negativo sobre os futuros ordenados". Por exemplo, um ou dois anos fora sup??e perder 14 por cento do poder de compra; em tr??s anos ou mais, a queda pode chegar a 46 por cento.
Nem todos estão de acordo com esta perspectiva. Por baixos que sejam os ordenados na reinser????o laboral ou que inclusive impliquem a necessidade de despesas em infant??rios ou em ajudas no cuidado da família, "n??o se pode cair no erro de pensar que não vale a pena", afirma Carol Coem. Segundo esta especialista em reinser????o laboral, "?? preciso valorizar os números no conjunto dum projecto familiar de uma vida inteira, embora possa haver uns anos mais sacrificados"; na sua opinião, não seria razoável atribuir os custos da maternidade unicamente ao maior ou menor ordenado da mulher.
M. ??ngeles Burguera
Notas
(1) Back on the Career Track: A Guide for Stay-At-Home Moms Who Want to Return to Work. Hachette Book Group. 2007

