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Ideologia de g??nero

 Antropologia
Ideologia de g??nero

A agenda ideológica e o termo ??g??nero?? foram lançados por iniciativa das organiza????es feministas em 1995, na IV Confer??ncia Mundial das Na????es Unidas sobre as Mulheres que teve lugar em Pequim. Segundo Aquilino Polaino, contrariamente ?? tese fundamental das feministas, a masculinidade e a feminilidade são biológicas. ??Ningu??m escolhe ser homem ou ser mulher. ?? certo que h?? um conjunto de componentes da masculinidade e da feminilidade que são socialmente aprendidos e constru??dos, mas s??o-no na base de determina????es biológicas que não podem ser apagadas??. As caracter??sticas masculinas e femininas come??am a ser determinadas, em termos biológicos, desde os primeiros meses de gravidez. Essa diferencia????o prolonga-se durante toda a vida do indiv??duo, e ultrapassa em muito as distin????es fisiológicas ??bvias; ?? uma diferencia????o claramente detect??vel na actividade cerebral que se observa (quer nos seres humanos, quer nos mam??feros superiores) durante a realiza????o de uma multiplicidade de fun????es, como por exemplo uma actividade t??o b??sica como a leitura e compreens??o de um texto.

 

Sustenta o professor Aquilino Polaino que o relativismo - de acordo com o qual toda a realidade ?? constru??da - sobre que assenta a tese construtivista do g??nero ???? uma teoria sem fundamento??. Com efeito, se tudo ?? construção e autoconstrução, o que ?? isso que se constr??i? Que entidade ?? essa, que ?? constitu??da pelo próprio? Não ?? algo que j?? est?? objectivamente dado ?? partida? Não ser?? algo que ?? ineg??vel para cada sujeito, algo ao qual ningu??m pode escapar? ??Pode algu??m mudar de pai? Pode algu??m acrescentar ou retirar quinze anos ?? sua vida, alterar o seu ADN???, questionou Polaino. Se a resposta a estas perguntas ?? negativa, também ?? certo que ??h?? um conjunto de caracter??sticas que cada um encontra em si ?? partida, caracter??sticas essas que lhe determinam o comportamento viril ou feminil. Somos homens ou mulheres desde antes de ter nascido??.

 

Para al??m do fundamento ideológico, verificou-se ao longo da história humana da segunda metade do s??culo XX uma sucess??o de acontecimentos e tendências que favoreceram esta conclusão do feminismo radical, segundo a qual o g??nero ?? exclusivamente constru??do. Foram eles: - O div??rcio entre a actividade sexual e a reprodução, que teve origem em 1960, com a introdução da p??lula anticonceptiva; o lema das relações sexuais humanas passou a ser: sexo sem reprodução; o div??rcio entre a actividade sexual e o amor, lançado em 1968, com o lema do ??amor livre??; a introdução da reprodução sem actividade sexual, iniciada nos anos 70, com o lan??amento das técnicas de reprodução artificial; o lema da nova gera????o ??: reprodução sem sexo. Tendo separado a actividade sexual das suas consequências naturais, nas quais se exprime de forma evidente a diferencia????o e complementaridade masculino/feminino, estes desenvolvimentos contribuíram fortemente para a moderna ideia de um ??sexo puramente constru??do??.

 

Outro elemento importante na promo????o da ideologia de g??nero foi o neo-marxismo. Este filho ??rf??o do marxismo clássico, derrotado pela queda do Muro de Berlim, assume as relações entre homens e mulheres como uma luta - j?? não de classes, mas de sexos - e visa abolir por completo as diferenças - j?? não económicas, mas sexuais. Assim, tal como o marxismo clássico pretendia abolir a propriedade privada, para abolir a explora????o económica, este neo-marxismo pretende abolir a família, para abolir a explora????o que ?? (alegadamente) a sujei????o da mulher ?? actividade dom??stica e familiar. Nenhuma mulher deve engravidar, porque uma gravidez ?? uma escravatura de nove meses - a que se seguem muitos mais de presta????o de cuidados ?? criança. A família, defendem estas feministas, perpetua as opress??es, impedindo a satisfa????o sexual dos seus elementos constituintes, em especial as mulheres.

 

Esta ideologia de g??nero tem penetrado as sociedades ocidentais, nomeadamente a Europa e a Am??rica do norte, com consequências que estão ?? vista de qualquer psiquiatra - e aqui, o professor Polaino recorre ?? sua experiência de consult??rio, para salientar que as perturba????es de identidade estão a aumentar com a desagrega????o familiar, como estão a aumentar os quadros de depress??o prolongada e outras patologias associadas ?? solidão.

 

Por outro lado, em consequência do envelhecimento das popula????es, combinado com a não renova????o das gerações, o Ocidente est?? hoje profundamente fragilizado, e presa das massas de imigrantes, jovens e vigorosos, que em breve nos for??ar??o a uma dilui????o da nossa identidade, e a uma submissão a padr??es e a valores não ocidentais.

 

Não querendo concluir a sua interven????o sem contrariar este quadro ??t??o negro??, o conferencista deixou algumas propostas de actua????o para os que não estão dispostos a render-se ?? ideologia dominante: i) Refor??o da coes??o familiar e do papel educativo da família, nomeadamente em mat??rias sexuais; são os pais que têm a obriga????o - e o direito - de dar educa????o sexual aos filhos, e devem faz??-lo no quadro de uma relação ampla e ??ntima, que se inicie nos primeiros meses e anos de vida. ii) Refor??o da participa????o política, em sentido amplo: cria????o de redes de informação e actua????o aos diversos níveis sociais, empenhamento em actividade partidária, recurso aos meios competentes.


Aceprensa