A baixa natalidade não ?? progressista
Longman publicou, h?? tr??s anos, o livro The Empty Cradle (O Ber??o Vazio), em que analisa as consequências económicas, políticas e sociais da baixa fecundidade. Na entrevista aponta que a popula????o mundial ainda cresce muito em termos absolutos (cerca de 77 milhões de pessoas por ano); todavia, o decr??scimo da natalidade ?? universal, de tal modo que, presentemente, h?? menos crianças com idade inferior a cinco anos que em 1990. A fecunda????o est?? abaixo do nível de renova????o de gerações em praticamente todo o mundo, com excep????o da ??frica subsariana; e alguns pa??ses, como a R??ssia e o Jap??o, come??am a perder habitantes. Por este caminho, a popula????o mundial começará a diminuir j?? em vida dos que hoje são jovens.
Isto, acrescenta Longman, não ?? totalmente mau. ??Tanto para as na????es, como para os indiv??duos, não ter filhos traz muitas vantagens, pelo menos, até se envelhecer??. Muitos economistas acreditam que a baixa da natalidade permitiu o crescimento económico em flecha no Jap??o e noutros pa??ses asi??ticos porque reduziu o grau de depend??ncia. Contudo, com o tempo, chega-se a um envelhecimento da popula????o em geral que traz novos problemas. O mais importante ?? que h??, cada vez menos activos para sustentar cada vez mais velhos, o que est?? a afectar a Seguran??a Social e as próprias famílias. ??Se uma pessoa não tem irm??os, como acontece cada vez com mais frequ??ncia em grande parte do mundo actual, não ter?? ningu??m que partilhe com ele o encargo de cuidar dos pais quando forem mais velhos??.
Não ?? habitual ouvir tais advert??ncias da boca de pessoas da tendência ideológica de Longman. O próprio reconhece que ??a maioria dos que se chamam ???progressistas??? não concordam comigo quando considero que a baixa fecundidade ?? um problema??. Uns acreditam que, assim, haver?? mais recursos para os pobres; muitos ecologistas consideram que, a diminui????o da popula????o, ?? um bem para o meio ambiente; ??a feministas, gays e, de um modo geral, aos que não querem ter filhos, costuma soar-lhes a amea??a a ideia de que a sociedade actual precise de mais crianças??.
Para Longman, todos esses argumentos são falaciosos. ??Por exemplo, nos Estados Unidos o ar e a ??gua são mais puros actualmente dos que em 1940, quando a popula????o era metade da que ?? actualmente. Não ?? paradoxo. O aumento da popula????o estimula a utiliza????o dos recursos de modo mais eficaz e limpo (???). De igual modo, foi o aumento da popula????o ?? o que os levou a descobrir como melhorar o rendimento dos terrenos de cultivo??. ??Efectivamente, a produção de alimentos por cabe??a ?? a mais alta de sempre, embora a popula????o mundial ultrapasse os seis mil milhões??. Al??m disso, nos ??Estados Unidos da Am??rica h?? mais ??rea de floresta do que no s??culo XIX, devido ao facto de haver menos necessidade de terreno para cultivar??.
Por outro lado, ??os progressistas costumam esquecer que muitas das suas opini??es sobre a reprodução humana, bem como o ???direito da mulher a escolher???, s?? ganharam apoio suficiente quando o medo da superpopula????o come??ou a impregnar a cultura nos anos sessenta e setenta. (???) Tamb??m esquecem que se eles próprios recusam ter filhos, o futuro estar?? nas m??os dos que militam no lado contr??rio. Finalmente, os progressistas esquecem que se a popula????o não cresce, as suas ??queridas j??ias da coroa??, o Estado do bem-estar e a Seguran??a Social, se tornam insustent??veis??.
Quem s??o, afinal os que ??? apesar de tudo ??? t??m famílias numerosas? interroga-se Logman. ??A resposta mais exacta ??: as pessoas com profundas convic????es religiosas??. Por exemplo, na Europa, afirma Longman, calcula-se que a diferença de fecundidade entre crentes e não crentes ?? de 15 a 20%.
Em conclusão, especifica Longman, nem todos os que nascem em famílias profundamente religiosas o são por sua vez; contudo, muitos deles sim, são religiosos e, ent??o ?? mais prov??vel que também eles próprios tenham filhos. ??Deste modo, os crentes come??am a ??herdar?? a sociedade ???devido ?? retirada dos rivais???. A popula????o total do Ocidente talvez baixe ou fique ao mesmo nível durante algum tempo, mas uma parte desproporcionadamente grande dos que restarem, ser??o defensores convictos da causa de Deus e da família??.
(Nota da redac????o portuguesa: A entrevista foi concedida h?? um ano e publicada na vers??o impressa de Aceprensa. Por se manter a actualidade do tema, parece oportuna agora a sua inser????o na vers??o on-line)
