Nick Clegg promete mais apoio ??s crianças e ??s famílias
Durante a campanha eleitoral, o liberal-democrata Nick Clegg foi talvez o candidato que falou com mais clareza sobre os cortes da despesa pública que o futuro governo iria fazer. Ora, "isso não significa -esclarece- que tenhamos de condenar a gera????o seguinte a arcar com taxas de juros mais altas, piores serviços públicos e menos emprego".
"Temos de nos interrogar sobre como v??o viver os que vierem depois de n??s, pelo menos com o mesmo interesse -se não maior- com que n??s nos preocupamos com as nossas condições de vida. A nossa gera????o esqueceu-se desta responsabilidade. Convertemos a Gr??-Bretanha num pa??s que não ?? apropriado para que as crianças cres??am".
"Temos de inverter a tendência de tornar as famílias cada vez mais dependentes do Estado
A ideia de Clegg ?? "redescobrir o esp??rito da infância, para que cada criança tenha oportunidades de prosperar. Somos realistas: não ?? missão do governo criar famílias felizes. Mas vamos afastar os obst??culos que impedem as famílias de oferecer aos seus filhos o melhor come??o de vida. Vamos dar-lhes poder. Este governo vai tornar possíveis as vossas escolhas".
A julgar pelo tom do discurso, poderia parecer que o vice-primeiro-ministro continua ainda em campanha eleitoral. Mas não h?? dúvida de que fala a s??rio. Em parte porque, ao longo dos últimos anos, diversos organismos internacionais como a UNICEF ou a OCDE carregaram nas cores da Gr??-Bretanha, situando-a entre os pa??ses ricos que menos se preocupam com a infância.
O próprio Clegg admite que estas cr??ticas se justificam. "Actualmente, uma em cada cinco crianças [neste pa??s] vive na pobreza. Dois milhões t??m habitações pobres: habitações abarrotadas, condições miser??veis e mesmo edifícios perigosos. Este come??o de vida pode ser um peso para as crianças durante o resto das vidas delas".
O governo quer prevenir os div??rcios na medida do possível e, quando o não for, torn??-los menos traum??ticos
Tamb??m ?? preocupante, acrescenta Clegg, que muitas crianças sejam vítimas do ass??dio dos colegas indisciplinados; que a obesidade continue a aumentar entre os adolescentes; ou que 1 em cada 10 menores pade??a de um transtorno mental diagnosticado".
As famílias decidir??o
Segundo Clegg, a crescente falta de protecção da infância insere-se em diversas tendências que foram moldando a sociedade brit??nica durante as últimas décadas. Entre outros factores, destaca as dificuldades para conciliar família e trabalho; a perda do sentido de comunidade; e o impacte da publicidade que levou as crianças a serem encaradas, desde idades muito precoces, como meros consumidores.
Fiel aos seus princ??pios liberais, Clegg pensa que o governo não existe para dizer a quem quer que seja como deve viver. Aquilo que pode fazer ?? dar mais poder aos pais para que sejam eles a fazer as suas escolhas. "Temos de inverter a tendência para tornar as famílias cada vez mais dependentes do Estado".
O vice-primeiro-ministro d?? como exemplo as dedu????es fiscais por filho. Actualmente, 9 em cada 10 famílias pode optar por elas, o que -para Clegg- ?? uma loucura. O novo governo prefere outro caminho: aumentar a parte dos rendimentos isenta de impostos, para que as famílias fiquem com mais dinheiro desde o início e elas próprias decidam como o utilizar.
"Fam??lias independentes, mas apoiadas. Esta ?? a fórmula do novo governo de coliga????o, a que cheg??mos com grande naturalidade. (...) "[David Cameron] disse muitas vezes que queria fazer da Gr??-Bretanha um pa??s mais familiar; e eu sempre defendi que uma sociedade deve ser julgada em fun????o do modo como trata as crianças".
Ajudas pr??ticas
Com esta perspectiva, Cameron e Clegg criaram a Childhood and Families Task Force, um grupo de trabalho onde participar??o diversos especialistas, assim como os ministros de cada ramo. O objectivo desta comissão, presidida pelo próprio Cameron, ?? identificar as necessidades mais agudas das famílias. Depois, os especialistas elaborar??o uma s??rie de propostas -a entregar no Outono próximo-, destinadas a aliviar as famílias dos seus apuros quotidianos.
O mais prov??vel ?? que desta comissão não saia uma política familiar baseada em grandes ideias e princ??pios; algo em que dificilmente chegariam a acordo conservadores e liberais-democratas. Ambos os l??deres optaram por um enfoque pragm??tico, embora com propostas inovadoras que ter??o um efeito ben??fico na vida das famílias.
No seu discurso, Clegg salientou as cinco ??reas principais de trabalho da comissão. A primeira são as licen??as paternais. Para facilitar a distribuição de tarefas entre pai e m??e, o governo quer impulsionar estas licen??as desde os primeiros momentos da gravidez.
Na mesma linha, a comissão ir?? procurar -assessorada por diversas empresas- fórmulas de trabalho flex??vel para todos os empregados, e não apenas para as mulheres. A ideia ?? convert??-las em algo habitual, para que nenhum pai que deseje conciliar família e trabalho se veja estigmatizado.
A segunda ??rea ?? dirigida para melhorar as ajudas ??s crianças deficientes. Para aliviar as famílias com filhos nesta situação, o governo vai potenciar a figura dos cuidadores e os serviços comunit??rios de assist??ncia social.
A terceira ??rea centra-se na protecção das crianças nos casos de rupturas familiares. O governo quer "prevenir as rupturas quando for possível e, quando o não for, torn??-las menos traum??ticas". Entre outras medidas, os serviços de terapia familiar receber??o apoio económico para que sejam acessíveis também ??s famílias pobres.
A quarta ??rea estudar?? como reciclar espa??os abertos onde as crianças possam brincar desafogadamente, e onde as pessoas de diferentes gerações possam reunir-se tranquilamente. Neste ponto, adverte Clegg, cada munic??pio ter?? de as moldar como puder, dada a escassez de dinheiro público.
A última ??rea pretende proteger as crianças "das press??es dos adultos para as fazer crescer a uma velocidade superior ?? que ?? adequada na idade delas". Concretamente, Clegg denuncia a irresponsabilidade dos an??ncios com conteúdos er??ticos ou dos que criam nos meninos e nas meninas a obsess??o devido ao seu aspecto atractivo.
Ter-se-?? de ver no que vai dar o trabalho encetado pela Childhood and Families Task Force. Certamente, os objetivos são ambiciosos: reduzir a despesa pública, proteger o futuro das crianças e fortalecer a família. Mas, como diz Clegg, "se estando no governo não tentarmos implementar isto, o que estamos aqui a fazer?".
Aceprensa
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