Nova gera????o de mulheres
Os protestos, que come??aram de maneira mais ou menos velada, foram crescendo nos últimos dois anos. O que aconteceu com a boa f?? e o optimismo das feministas dos anos setenta????, perguntava Rosie Boycott no di??rio The Guardian. ???As revistas para adolescentes e jovens ??? raparigas ou rapazes ??? são profundamente sexistas e s?? se centram na imagem e na atrac????o f??sica???, denuncia, ???ao passo que ridicularizam tudo o resto???. Segundo estas publica????es, ???o teu corpo deve ser como o de uma estrela???. Mas como isto parece inating??vel na maior parte dos casos, o resultado ?? uma nova etapa de insegurança, de baixa auto estima generalizada entre os adolescentes, e que amea??a estender-se a outras idades e a outros ??mbitos ??? estudo, trabalho ??? onde, até agora, as raparigas eram claramente superiores.
Mas não ?? s?? a preocupa????o pela atrac????o f??sica. O que também chama a aten????o ?? a procura deliberada de uma apar??ncia provocante. ?? o que tenta analisar a autora americana Ariel Levy no livro Female Chauvinist Pigs: Women and Rise of Raunch Culture, em que lan??a a pergunta: ???Por que estão a ressuscitar todos os estere??tipos da sexualidade feminina que o movimento feminista se esfor??ou por erradicar a bem das mulheres????.
O que Levy pretende analisar ?? o seguinte: ???por que ?? que os jovens de hoje estão a adoptar aspectos escabrosos da actual cultura que provavelmente teriam causado v??mitos ??s suas antepassadas feministas???? A autora surpreendeu-se muito quando ao falar com raparigas que participavam em programas como ???Girls Gone Wild??? lhe diziam que esta evolução não significava uma derrota, mas o seu triunfo, j?? que supostamente prova que as mulheres chegaram a ser suficientemente fortes para exprimir a sua sexualidade de um modo expl??cito.
Nalgumas publica????es, o tom cr??tico em relação a supostos defeitos f??sicos ?? t??o agressivo e generalizado que ro??a a misoginia. Longe de ficar reduzida a publica????es ou lugares de Internet de escassa qualidade, a tendência a super valorizar o aspecto f??sico e a ridicularizar as mulheres que não destacam neste ponto est?? a estender-se também ??s revistas femininas e ?? imprensa cor de rosa, que sempre reflectiram com uma aura de glamour a vida das famosas. A eleg??ncia do papel couch?? deu azo ?? vulgaridade e ?? provoca????o, a desnudar literalmente actrizes conhecidas que não tiveram necessidade deste recurso para triunfar no ecr?? ou conseguir est??tuas em Hollywood.
Actrizes que reagem
No princ??pio de Setembro, Kira Cochrane na sua habitual coluna manifestava o seu profundo desacordo com actrizes consagradas, como Nicole Kidman e Maggie Gyllenhaal, que desde h?? uns anos aceitam capas de revistas em que aparecem com falta de roupa ou se convertem na imagem de produtos de lingerie. ???Por que ?? que as acho deprimentes????, pergunta Cochrane, referindo-se a fotos e capas com este tipo de protagonistas. ????? como se afirmassem: não importa o talento de uma mulher, os prémios que tenha recebido ou o alcance da sua intelig??ncia????? hora da verdade, se quer permanecer na crista da onda, se quer aparecer nas capas das revistas ou conseguir os pap??is principais, tem que rebaixar-se ?? situação de agradar aos homens???.
Actrizes como J??lia Stiles ??? que contracena com Matt Damon no filme Ultimato de Bourne ??? ou Rachel McAdams j?? reagiram e defendem a integridade da própria imagem, apesar de a sua atitude poder travar de algum modo a carreira. Stilles est?? encantada com o facto de todas as mulheres Bourne serem elegantes, seguras de si mesmas, e de aparecerem completamente vestidas. ???Sou uma pessoa modesta e geralmente evito os nus e as cenas amorosas, porque com muita frequ??ncia me parecem gratuitas???. No caso de McAdams, o facto de não se deixar fotografar sem roupa para uma capa da Vanity Fair em 2005, causou-lhe um ponto de inflex??o na carreira, que naquela altura ia a um ritmo vertiginoso, com estreias como A j??ia da família, Red Eye ou Wedding Crashers.
A necessidade de travar esta tendência e de contrabalan??ar, pelo menos, as suas consequências sobre os mais vulner??veis ??? os adolescentes ??? j?? mobilizou o comit?? dirigente das Mulheres Jornalistas que, coincidindo com a London Fashion Week, reuniu na British Library uma centena de estudantes do secundário, numa jornada sobre a imagem pessoal. As conclus??es dos jovens foram un??nimes: ???Os meios de comunicação deveriam ser mais responsáveis e difundir aspectos mais positivos para a nossa gera????o???.
Segundo Fiona Badwon, uma das jornalistas impulsionadoras da iniciativa, ???apesar de tantos anos de feminismo, as raparigas ainda continuam dependentes da própria imagem???. Badwon salientou que as adolescentes se queixam da press??o que os media exercem para as aproximar de uns prot??tipos de beleza totalmente irreais e aportou os dados de um inqu??rito recente: 75% das mulheres entre os 16 e 25 anos declaram não se sentir respeitadas nem pela imprensa nem pela indústria da moda, o que não significa que sejam capazes de escapar da sua influência.
