As feministas americanas analisam os benef??cios do New Deal
Recentemente, Dorothy Sue Cobble, professora de Hist??ria e Estudos Laborais, em Rutgers, e autora dos livros sobre justi??a e direitos sociais da mulher trabalhadora, defendia no Washington Post que tinha chegado o momento de recuperar o esp??rito do chamado " Feminismo do New Deal" - etapa da economia americana que viu os maiores avan??os para as mulheres em mat??ria laboral. Em vez de seguir as contestações dos movimentos feministas de finais dos anos 60, centrados nas "guerras culturais", o feminismo de hoje, dizia, "deveria concentrar-se na economia e nos sectores de trabalho, nas enormes transforma????es que se requerem para conseguir maior igualdade e segurança". Na sua opinião, esses objectivos obteriam um amplo consenso, j?? que "podem unir as mulheres sem distin????o de classe e cultura e permitiriam ao feminismo fazer frente ??s preocupações e receios de todos".
Chegou o momento de recuperar o esp??rito do chamado "Feminismo do New Deal", a etapa que viu os maiores avan??os para as mulheres em mat??ria laboral
Cobble, num longo artigo, recordava os principais benef??cios das mulheres trabalhadoras dos anos 30, um per??odo no qual, como agora, se registou uma alta taxa de emprego feminino por conta de outrem, como consequência da grande recess??o de 1929. Naquele momento, as mulheres inseriram-se no mercado de trabalho e tiveram que compaginar a vida familiar e profissional. A autora recorda que foi naquelas reivindica????es das mulheres trabalhadoras e m??es que assentaram as bases da justi??a salarial e impulsionaram leis e condições de trabalho relacionadas com a família sobre as quais agora se pode edificar. "Não queriam s?? empregos, mas melhores empregos; não s?? o direito a trabalhar, mas direitos laborais; não s?? igualdade de sal??rios, mas o reconhecimento do trabalho das mulheres - remunerado ou não - na família, no bairro, na f??brica, na escola, na creche ou no lar de idosos, e as prestações da segurança social e da sa??de, alargadas a todas e não s?? para algumas". A investiga????o da professora Cobble une-se a uma s??rie ampla de propostas que se tornaram públicas em diversos sectores nos Estados Unidos, originadas pelas consequências sociais que derivam da crescente taxa de emprego feminino e do aumento simult??neo do número de maridos e pais que ficam em casa porque estão desempregados. O Shriver Report, apresentado no m??s passado, conclu??a que, neste novo cen??rio, as empresas que não se adaptarem ??s necessidades laborais actuais e não atenderem melhor ??s necessidades da família, correm o risco de perder os seus melhores trabalhadores.
Refor??o do casamento
Outra das consequências derivadas da recess??o, no ??mbito familiar, ?? o aumento da conflitualidade. No entanto, nas circunst??ncias actuais, os desencontros não acabam em ruptura, pois, segundo se depreende do estudo Money & Marriage do National Marriage Project e do Institute for American Values, cujas conclus??es foram recolhidas no Wall Street Journal, "para a maioria dos americanos casados a Grande Recess??o parece cimentar e não desgastar os v??nculos matrimoniais". De acordo com os dados do estudo feito, em 2008 a taxa de div??rcio foi de 16,9 por cada mil mulheres casadas, abaixo dos 17,5 registados no ano anterior.
A an??lise dos dados sugere que "h?? casais que fizeram frente ?? recess??o, dedicando-se novamente aos seus casamentos", assegura Bradford Wilcox, director da referida institui????o, dependente da Universidade da Virg??nia, que atribui a altera????o a dois factores chave para o fortalecimento do casamento. Por um lado, "a recess??o animou os americanos a redescobrir a valor da poupan??a", como o demonstra a dr??stica queda dos gastos anuais realizados com cart??o de crédito. Por outro, a crise económica também leva os c??njuges a um apreço renovado da solidariedade social e económica que deriva dos la??os familiares. Em sua opinião, os aspectos emocionais e de satisfa????o pessoal deixaram de ocupar o primeiro lugar na hora de valorizar o casamento e " os americanos estão a redescobrir o poder que os la??os familiares t??m de os sustentar - financeira, social e emocionalmente - em ??pocas duras".

