Os emigrantes não voltam ao pa??s de origem se não melhorou
A questão tem particular interesse num momento em que a crise económica se abate sobre os pa??ses que atra??ram m??o-de-obra estrangeira.
O estudo assinala que até ao momento se tem prestado muito pouca aten????o ao fenómeno do retorno, mas que nos últimos dez anos se observa um interesse crescente sobretudo desde que a figura da migração temporária come??a a ser vista como um modo de combater a escassez de trabalhadores nos pa??ses da OCDE. O relatório destaca a necessidade de ??garantir a efic??cia e a credibilidade?? dos programas temporários, que se estruturam como uma mistura de incentivos e compromissos para assegurar o regresso enquanto que se oferece ??s empresas o acesso a m??o-de-obra estrangeira, legal e por um per??odo de tempo limitado.
Mas a melhoria no desenho deste tipo de estratégias apresenta também numerosas dificuldades, posto que h?? que acrescentar elementos de carácter pessoal muito mais determinantes do que os incentivos oficiais. Para John P. Martin, Director de Emprego, Trabalho e Assuntos Sociais da OCDE, ??a assist??ncia e a ajuda financeira do pa??s de acolhimento raramente servem para convencer um número significativo de imigrantes a que regressem aos lugares de origem??.
O relatório da OCDE que apresenta o resultado de dez anos de investigações fornece aos Governos nova informação sobre os fluxos de retorno dos trabalhadores: pelos dados recolhidos em question??rios aos imigrantes e outras reuni??es de peritos, entre 20 e 50 porcento dos imigrantes deixam o pa??s de acolhimento quando muito cinco anos ap??s a chegada, ainda que a maioria o fa??a durante os tr??s primeiros anos, e h?? também outros grupos menores que esperam a idade da reforma.
Resulta relevante que a migração de retorno se concentra nos extremos do ciclo vital, ??tanto entre as pessoas jovens chegadas recentemente ao pa??s receptor como entre as de mais idade, próximas da reforma??. Os retornos também se podem classificar por níveis de educa????o: ??os menos qualificados e os de maior nível educativo são os mais propensos a voltar??. Os motivos principais para o regresso costumam ser a dificuldade para integrar-se socialmente ou encontrar o trabalho adequado no pa??s receptor; ou ter alcançado o nível de poupan??as previsto e a apari????o de novas oportunidades de trabalho no pa??s de origem. Outra tendência p??e de relevo que quanto menor ?? a diferença no desenvolvimento entre o pa??s de origem e o de acolhimento, maior propens??o se observa ao regresso.
Alem das vantagens de ajustar políticas de retorno para os imigrantes, o relatório da OCDE destaca o impacte positivo do regresso dos trabalhadores no nível de desenvolvimento dos seus pa??ses de origem. ??Os emigrantes levam consigo educa????o e experiência laboral que adquiriram no estrangeiro; voltam com financiamento ??? as poupan??as acumuladas durante a sua estada ??? e finalmente possuem um capital social espec??fico obtido durante a sua experiência??, resume o relatório.
Alguns dos trabalhadores preferem uma solução menos radical e optam por um retorno temporário, que consiste em manter um duplo ponto de apoio em ambos os pa??ses, o de origem e o de destino. Deste modo mant??m os la??os que forjaram no pa??s receptor e asseguram o acesso aos serviços sociais a que tinham direito. Para a OCDE, esta fórmula também permite que os emigrantes contribuam para o desenvolvimento do seu pa??s, sem a obrigatoriedade de retorno. Se se d??o condições para favorecer o regresso temporário dos trabalhadores, também se consegue a transferência de conhecimentos ou do uso de tecnologias. ??Assim refor??am-se os la??os com o pa??s de origem e a alguns facilita-se a reintegração se decidem voltar depois??.
M. ??ngeles Burguera
Os polacos dizem adeus ao Reino Unido
Sem necessidade de uma política que favore??a o retorno, muitos polacos que tinham ido trabalhar para o Reino Unido estão a voltar ao seu pa??s. A partida de polacos para a Gr??-Bretanha, com origem na entrada da Pol??nia na Uni??o Europeia em 2004, tem sido um dos fenómenos mais not??veis das modernas migra????es europeias. Pelo menos meio milh??o de polacos foram tentar fortuna na Gr??-Bretanha, e encontrar trabalho no sector dos serviços, na construção, na sa??de. Nos anos subsequentes, a comunidade polaca cresceu até um milh??o de pessoas e converteu-se na terceira maior do pa??s.
Agora, com a crise económica e o trav??o na construção, trabalhar na Gr??-Bretanha j?? não ?? t??o f??cil. Al??m disso, a desvaloriza????o da libra esterlina em relação ?? moeda polaca (uns 40% nos últimos dois anos) torna menos vantajoso trabalhar ali. Pois a maioria dos trabalhadores t??m as suas famílias na Pol??nia e enviam-lhes dinheiro.
Ainda que não haja estat??sticas oficiais sobre o retorno dos trabalhadores polacos, vários indicadores parecem corrobor??-lo. Os trabalhadores inscritos na embaixada da Pol??nia diminuem; a Federa????o dos polacos na Gr??-Bretanha diz que o volume da comunidade est?? a minguar; o Minist??rio do Interior confirma que est?? a decrescer a entrada de trabalhadores da Europa Central e do Leste.
Mas mais decisivo para o retorno ?? o estado da economia polaca, que est?? a crescer a um ritmo de 5% ao ano e onde ?? f??cil encontrar um emprego. Durante os últimos anos, a escassez de trabalhadores qualificados que tinham emigrado foi um obst??culo para o desenvolvimento. Agora os que regressam poder??o preencher os lugares vagos.
Assim, o caso polaco confirma que a política do retorno depende mais do estado da economia do pa??s de origem do que do pa??s de acolhimento.
Aceprensa.
