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L??bano: Governo e oposi????o negoceiam a partilha do poder político

 Política
O fosso entre as diferentes comunidades tornou-se mais profundo
L??bano: Governo e oposi????o negoceiam a partilha do poder político

A maioria do público que ouviu o discurso de Hassan Nasrallah, l??der do Hezbollah, transmitido na quinta-feira, dia 8 de Maio pela sua cadeia de televis??o, coincidiu em lhe dar raz??o ante o j?? demasiado grande conflito que a oposi????o enfrenta com o governo liban??s desde h?? dezasseis meses. O que não se sabia era até onde chegaria.

 

??Não se entende ??? assinalou o l??der chiita ??? por que raz??o o governo converte num problema actual um assunto que ?? conhecido desde h?? muitos anos??. O governo queria desmantelar o sistema de telecomunica????es implantado pela resist??ncia desde o ano 2000. ??Numa situação de guerra ??? afirmou Nasrallah ??? a arma principal que h?? que salvaguardar ?? a que garanta a comunicação, televis??o, telem??veis, aeroporto, e n??s estamos dispostos a lutar por manter as armas da resist??ncia contra quem for necessário??.

 

E para isso demonstraram que podiam paralisar Beirute e o aeroporto internacional em apenas 48 horas. Uma declaração de guerra ?? qual se uniram outros partidos, e que degenerou num confronto de mil??cias urbanas no qual vieram ao de cima todo o tipo de questões pendentes. Nas imagens viram-se confrontos entre adolescentes, jovens profissionais que compatibilizam a sua milit??ncia com o seu trabalho como empregados da banca, funcion??rios públicos, trabalhadores com capacetes, sem uniforme, com armas novas e desproporcionadamente grandes.

 

As pessoas esperavam o desencadear de uma mudança que desse sa??da a uma situação insustent??vel. No fundo, fazem uma leitura optimista destas circunst??ncias: j?? não se pode cair mais baixo, a partir de agora h?? que come??ar a subir. O pa??s estava paralisado por pretextos muito variados: fim do prazo administrativo de dois anos para eleger um militar como presidente, proposta de uma nova lei eleitoral com outra ordem de circunscri????es, eleições no Ir??o??? e em ar de tro??a, o cidad??o comum diz: ??s?? nos faltam as eleições americanas??.

 

Toda uma s??rie de circunst??ncias que, como j?? ?? conhecido na zona, afectam o L??bano. As conversa????es para sair da crise j?? se estão a produzir. O preço do petróleo e a subida do euro estão a causar a carestia da vida di??ria. Um tema que o governo não consegue superar e que ?? o argumento fulminante de Nasrallah: ??Não ?? um confronto confessional ??? explicou com veem??ncia o l??der chiita ??? ?? um projecto de pa??s em que nem os americanos nem os sionistas se devem intrometer. T??o-pouco os seus seguidores??, afirmou categoricamente.


Uma demonstra????o de for??a

 

Lentamente tinham-se ido armando as diferentes fac????es, lan??ando-se acusa????es mútuas. Ao longo dos últimos meses, os filiados de cada partido foram recebendo armas e treino. O Hezbollah demonstrou ter disciplina e capacidade de organiza????o. Mas também se tem visto que os outros podem defender-se de maneira brutal.

 

Por isso, o facto de que o poder e a oposi????o tenham aceitado reunir-se em Doha foi um grande al??vio para os cidad??os inocentes que se encontravam apanhados entre ambas as fac????es. ??Não regressem sem se porem de acordo??, lia-se num cartaz de uma manifesta????o de inv??lidos de guerra, que se apresentou no aeroporto quando sa??am para o Qatar.

 

O regresso ?? solução política desperta optimismo em alguns, j?? que se se conseguir a participa????o dos 40% que representam os chiitas, ser?? mais dif??cil aos 60% restantes justificar uma lógica de guerra e armas. Nasrallah reafirmou que não lhe interessa o governo do pa??s, mas o reconhecimento do Hezbollah e a proporcionalidade na partilha do poder. Pontos que j?? estão a obter em Doha. A devolução ao Ex??rcito das posi????es obtidas durante o confronto destes dias, tem sido considerada por todos como um gesto de colabora????o e de não se querer uma guerra civil.

 

Mas, desgra??adamente, depois destes dias o fosso entre as diferentes comunidades tornou-se mais profundo. Ainda que se chegue ?? nomea????o de um novo presidente aceite por todos, a uma nova lei eleitoral, e ao aumento do número de ministros da oposi????o, a realidade ?? que na vida quotidiana se mant??m as dist??ncias.

 

??Não temos os mesmos valores e não poderemos vir a t??-los??, dizia um jovem cristão nas cartas ao director de um di??rio franc??s; e uma rapariga chiita de formação franc??fona escrevia: ??Nasrallah complicou-me a vida, não me interessa a política, não sou extremista, mas ningu??m me acredita; agora a minha única sa??da ?? emigrar porque não serei aceite entre outras comunidades??. Uma afirma????o algo dram??tica, porque ?? sabido que no L??bano se pode conviver, enquanto que noutros pa??ses da zona isso ?? mais dif??cil. Talvez por isso os diferentes chefes chiitas, sunitas e drusos permane??am aqui.