Michal Heller, Pr??mio Templeton
Michal Kazimierz Heller (Tarn??w, 1936) ?? actualmente professor de Filosofia da Academia Pontifícia de Teologia de Crac??via e decano da Faculdade de Teologia de Tarn??w. Desde 1981 ?? membro associado do Observat??rio Astron??mico Vaticano e desde 1991 pertence ?? Academia Pontifícia das Ci??ncias.
Nascido no seio de uma família profundamente crente, Heller e os seus pais tiveram de suportar a domina????o alem?? e russa, sendo deportados para a Sib??ria durante seis anos. Depois de voltar ?? Pol??nia, quando o filho decidiu entrar no semin??rio, o pai sofreu diversas persegui????es por parte das autoridades. Seria o pai de Heller, engenheiro electrotécnico e mec??nico, muito interessado durante toda a sua vida por questões te??ricas fundamentais, quem inspiraria o amor ?? ci??ncia ao seu filho, influindo decisivamente na sua voca????o de investigador.
Heller estudou na Universidade Católica de Lublin e foi ordenado sacerdote em 1959. ?? doutor em Teologia (1959), Filosofia (1965) e F??sica (1966) por esta Universidade. Desde os anos sessenta participou num grupo de discuss??o interdisciplinar promovido pelo Arcebispo de Crac??via Karol Wojtyla. Apesar da crescente fama de Heller na Pol??nia e no estrangeiro, não se lhe deu possibilidade de sair do pa??s até meados dos anos setenta, momento em que teve de receber a ajuda do seu amigo Wojtyla para o financiamento das primeiras viagens.
A origem e causa do universo
Ao longo da sua carreira de investiga????o, Heller desenvolveu uma investiga????o original sobre a origem e a causa do universo e publicou vários livros e centenas de artigos sobre cosmologia, filosofia, teologia e as relações entre a ci??ncia e a teologia. Trabalhou em questões como a unifica????o da relatividade geral e a mec??nica qu??ntica, as teorias do multiverso e os m??todos geom??tricos em f??sica relativista, assim como em diversos aspectos de filosofia e história da ci??ncia. O seu campo espec??fico de investiga????o ?? o problema da singularidade em cosmologia.
Não obstante, foram a cont??nua preocupa????o pelas questões fundamentais e os esfor??os por oferecer uma perspectiva unit??ria da realidade, conhecida pelas ci??ncias e criada por Deus, os seus principais créditos para a concess??o do prémio Templeton.
Heller sempre se mostrou partidário de fazer filosofia no contexto da ci??ncia. Desde os seus anos de formação inicial foi-se convencendo de que não podia haver uma filosofia da natureza separada das ci??ncias naturais e da consideração filos??fica do m??todo cient??fico, até ao ponto de considerar que as estruturas da f??sica matem??tica revelam a estrutura do mundo.
A import??ncia da matem??tica
Segundo Heller, a import??ncia da matem??tica na ci??ncia actual ?? enorme. A f??sica b??sica ?? uma f??sica matem??tica. ?? uma ci??ncia da estrutura, de como elementos particulares de estruturas id??nticas podem deduzir-se a partir de outros e como as estruturas se relacionam umas com as outras por meio de diversos tipos de infer??ncia. Mediante a matem??tica, podemos penetrar na estrutura interna do universo, que resulta de outro modo inacessível aos olhos humanos.
Assim, "a natureza resulta modelada com a ajuda de estruturas formais, e a ess??ncia das estruturas formais (...) ?? serem compostas por uma completa hierarquia de conex??es essenciais e não essenciais. (...) Chega-se a um conhecimento relevante da natureza não pensando na natureza da exist??ncia sen??o atrav??s dos modelos matem??ticos do que pode ser medido. Por ele, a actual filosofia da natureza deveria ser hoje filosofia da cosmologia relativista. Em virtude das necessárias extrapola????es e interpretações das diferentes teorias, a cosmologia interroga e implica a filosofia.
Heller recusa a dicotomia entre teoria e experiência, assim como o isolamento metodológico, que enfatiza a diferença das ??reas do conhecimento cient??fico, filos??fico e teológico, em vez de acentuar a sua profunda unidade fundamental. Para ele, sem preju??zo da autonomia de cada ci??ncia, o m??todo cient??fico não ?? algo de monol??tico; necessitamos reflectir continuamente sobre ele. Tem os seus limites, mas podem ser superados com o avan??o epistemológico. ?? na cosmologia actual onde se manifesta mais claramente a instabilidade da fronteira entre ci??ncia, filosofia e teologia.
A origem criadora
O pensamento de Heller conduz ?? ideia tradicional de um Deus transcendente que, por outro lado, ?? origem criadora, o fundamento do ser, donde surge o espa??o-tempo do mundo criado. Na conferência da atribui????o do prémio, explica assim a sua posi????o: "Os processos do universo podem ser visualizados como uma sucess??o de estados de modo que o estado precedente ?? causa do seguinte (...). H?? sempre uma lei din??mica que prescreve como um estado gera outro. Mas as leis din??micas expressam-se sob a forma de equa????es matem??ticas; por isso, se nos interrogarmos acerca da causa do universo, dever??amos interrogarmo-nos sobre a causa das leis matem??ticas. Fazendo isso, voltamos a um enorme projecto de Deus pensando o universo, a questão sobre a causalidade última (...)" Por que existe algo em vez de nada? Ao interrogarmo-nos sobre esta quest??o, não nos estamos a interrogar por uma causa como as outras. Estamos a interrogar-nos sobre a raiz de todas as possíveis causas".
Com o seu trabalho, o sacerdote polaco relan??ou a discuss??o sobre a necessidade de uma causa para o universo e situa a concepção cristã tradicional sobre o mesmo dentro de um contexto cosmológico mais amplo. ?? um dos iniciadores do que podemos chamar na actualidade "teologia da ci??ncia". Heller manifestou o desejo de dedicar a valiosa quantia económica do prémio ?? cria????o do centro "Cop??rnico", em colabora????o com a Universidade Jagel??nica e a Academia Pontifícia de Teologia de Crac??via, para a investiga????o e a educa????o em ci??ncia e teologia como disciplina acad??mica própria.

