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A religi??o nas eleições dos USA

Obama e McCain ?? ca??a da capta????o do chamado voto religioso

 Política
Obama e McCain ?? ca??a da capta????o do chamado voto religioso

???A direita religiosa apropriou-se da f?? e dividiu o pa??s???, disse Obama em 2007. Agora o senador de Illinois est?? empenhado em disputar ao partido republicano o apoio dos sectores mais religiosos e quer faz??-lo com uma mensagem: unidade. Da?? que uma das suas primeiras promessas como candidato tenha sido manter o financiamento público dos programas de assist??ncia social desenvolvidos atrav??s de instituições religiosas, quer sejam cristãs, judias ou muçulmanas, como j?? foi feito pela Administra????o Bush.

 

Dif??cil quebra-cabe??as

 

No entanto, para Obama não est?? a ser f??cil desenvolver-se no campo da sua religiosidade difusa. Os seus problemas com a religi??o não se limitaram a um turbante mais ou ??s ingerências de um reverendo concreto. Tamb??m não parecem terminar com o abandono da Trinity United Church, pouco depois de ganhar a nomea????o democrata. O dif??cil para Obama ?? querer pescar peixes em todos os rios.

 

Uma sondagem do Newsweek, realizada no passado m??s de Maio, afirmava que 11% dos cidad??os dos Estados Unidos acredita que Obama ?? muçulmano, enquanto 22% não se atreve a definir a sua religi??o.

 

Para os muçulmanos, Obama ?? um ap??stata que decidiu fazer-se cristão e que expressou muito claramente o seu processo de convers??o. O certo ?? que o candidato de Illinois est?? muito interessado em desvincular-se de qualquer sombra de parentesco com as cren??as islâmicas. Entre outras consequências, tal circunst??ncia complicaria seguramente a organiza????o das visitas do eventual presidente aos Estados muçulmanos.

 

Tamb??m lhe não faltam problemas com os católicos, um sector em alta devido ?? imigração latina. Antes da eleição definitiva de Obama como candidato, s?? 59% dos democratas católicos ??? um número muito baixo em compara????o com os 70% dos protestantes ??? disse que votaria no partido do burro em Novembro se Obama fosse o candidato. Não obstante, tradicionalmente o eleitorado católico ?? maioria entre o swing voter, o grupo de votantes mais oscilante e vol??til. Segundo o colunista do The Washington Post E.J. Dionne, ?? hora de votar os católicos podem fazer tombar a balan??a em estados muito combativos e vitais na corrida para a sala oval, como a Pensilv??nia, o Ohio, o Missuri e o Novo M??xico.

 

O disputado voto evang??lico

 

No entanto, ainda mais importante do que o católico parece ser o apoio dos evang??licos, que constituem cerca de um quarto do eleitorado dos Estados Unidos. Em 2004 j?? foram decisivos ao pronunciarem-se por Bush numa ampla maioria (80%).

 

Agora a estratégia dos democratas ?? bem precisa. Sabem que existem dois temas espinhosos ?? hora de melindrar votantes neste sector: o aborto e a equipara????o das uni??es homossexuais ao matrim??nio. Por isso, ?? muito prov??vel que utilizem um discurso soft nestes pontos e procurem desviar o interesse dos evang??licos mais democráticos para assuntos como as altera????es clim??ticas e a luta contra a pobreza.

 

Segundo explicava ao International Herald Tribune Corwin Smidt, director do Henry Institute do Calvin College, a sua organiza????o lida com sondagens que demonstram como os votantes cristãos protestantes se estão a movimentar para posi????es mais democratas. ???Uma das coisas que as sondagens revelam ?? que nestes grupos come??am a ressoar as questões em que Obama faz finca-p?????, afirma Smidt.

 

Outros autores argumentam na mesma linha. No seu livro Souled Out: Reclaiming Faith and Politics after the Religious Rigth, E.J. Dionne sustenta que as margens de apoio se equilibrar??o devido a que os crentes dar??o maior import??ncia a temas como a justi??a social, a ajuda ao Terceiro Mundo e a protecção do meio ambiente.

 

Entre os republicanos

 

E McCain? Ser?? que mant??m uma posi????o mais firme relativamente ao chamado voto religioso? Segundo The Economist, ???esta ?? a boa notícia para Obama???: ?? que também o senador do Arizona não tem esses votos assegurados.

 

John McCain perteneceu ?? Igreja episcopaliana e mudou-se para a Igreja baptista depois de se ter casado com a sua segunda mulher. Essa mesma divaga????o e indetermina????o ?? que caracterizou até ao momento a sua campanha nos temas candentes para os grupos religiosos.

 

Entre os evang??licos, conta com um apoio muito menor do que no seu tempo obteve Bush, e ?? questionado pela sua posi????o favorável ?? investiga????o com c??lulas-m??e embrion??rias. Tamb??m ?? criticado pela sua atitude excessivamente t??bia noutros aspectos. ???Para que John McCain possa ser um bom rival, tem que ser mais en??rgico???, explica Tony Perkins, presidente do Family Research Council. Como explica The Economist, ???ele ??, em muitos aspectos, um retrocesso na etapa pr??-Reagan do Partido Republicano, um partido que considerava a religi??o como um assunto meramente privado???.

 

O que confunde muitos católicos são essas mesmas posi????es difusas de McCain, al??m do envenenado cons??rcio do candidato do Arizona com o telepregador evangelista John Hagee, cujas declara????es contra a Igreja católica são frequentes e muito agressivas.

 

Em resumo, ambos os candidatos estão conscientes de que no pa??s que pretendem governar tr??s em cada quatro cidad??os consideram que o presidente tem de possuir umas cren??as religiosas s??lidas. Sabem também que aspiram a dirigir os destinos da grande na????o do pluralismo religioso, essas terras que causaram assombro a Tocqueville pela ???intensa religiosidade que invade tudo???. O que eles não sabem ?? como contentar a todos.

 

Talvez não tardem em perguntar-se se isto ?? realmente possível fora da coer??ncia com unas convic????es firmes. A m??xima marxista (n??o de Karl mas de Groucho) ???s??o estes os meus princ??pios; se lhes não agradam, tenho outros???, pode produzir os seus frutos num pluralismo, o político, imbu??do de relativismo. Por??m, do lado de l?? do oceano, o pluralismo religioso não parece ser t??o relativista.