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Elei????es presidenciais de 2009 na ??frica do Sul

 Política
Intranquilidade e insegurança face a uma eventual vit??ria do populista Jacob Zuma
Elei????es presidenciais de 2009 na ??frica do Sul

Atendendo ?? for??a do partido maiorit??rio, o pa??s ficou bic??falo. Ao fim de um ano de cont??nua tens??o entre as duas fac????es, o partido pediu a Mbeki que, a bem da estabilidade do pa??s, renunciasse ?? presid??ncia.

 

Os dirigentes representam diferentes grupos. Zuma tem pelo seu lado a maioria dos pobres, as for??as de esquerda e grande parte da etnia zulu. Mbeki conta sobretudo com o apoio da elite e de outros grupos ??tnicos.


O legado de Mbeki

 

Apontam-se graves erros ao presidente Mbeki. O detonador foi a acusa????o de não respeitar a independ??ncia do poder judicial, ao querer intervir na decisão tomada pelo juiz Nicholson no "caso Zuma", suspeito de corrupção.

 

Anteriormente a este facto, j?? se acumulavam outras raz??es: não dar prioridade ??s necessidades dos mais pobres; nomear para o seu gabinete algumas pessoas consideradas inadequadas e impopulares; destituir, em 2005, Jacob Zuma do cargo de vice-presidente do pa??s, quando um seu s??cio foi julgado por corrupção na compra de armamento a uma empresa francesa.

 

Para al??m do que atr??s foi dito, acrescentam-se as posi????es tomadas como mediador na cr??tica situação no Zimbabwe; o ter atrasado o acesso gratuito aos medicamentos para combater a SIDA (e as suas ideias sobre esta doença); e, por último, o ter encoberto o chefe da polícia, quando era evidente que estava envolvido num esc??ndalo de corrupção.

 

Mas, também h?? aspectos positivos na sua gest??o, dif??ceis de negar. Nos últimos quatro anos a economia teve um crescimento m??dio de 5% - apesar da distribuição per capita continuar a ser muito desigual - e formou-se uma crescente classe m??dia negra. Tomou também medidas, apesar de insuficientes, para aumentar o emprego. Acrescente-se que desenvolveu uma política externa muito favorável ao pa??s.

 

Muitos criticaram o modo como o ANC obrigou Thabo Mbeki a demitir-se. Depois destes momentos turbulentos, come??ou-se a falar de uma possível fractura no partido maiorit??rio, que acabasse por criar um novo partido, ideia que muita gente acolheu com satisfa????o. (NdR: lan??amento previsto para 16 de Dezembro, com o nome de Congresso do Povo).

 

O que acalmou temporariamente as ??guas foi a escolha acertada de um presidente de transi????o, Kgalema Motlanthe, que inspira confian??a, um homem de carácter ponderado, aberto ao diálogo. Motlanthe anunciou no seu primeiro discurso como presidente que continuaria a política económica do seu antecessor, o que também acalmou a intranquilidade de muitos, no sector económico.

 

De momento, Jacob Zuma não podia chegar ao poder, pois a Constitui????o estabelece que, para ser eleg??vel como presidente, ?? necessário ser parlamentar. Mas, fica em aberto a possibilidade de aceder ao poder depois das próximas eleições de Abril de 2009.

 

A tenta????o de emigrar

 

Perante essa possibilidade, muitas pessoas com uma vida acomodada, ou de classe m??dia, (brancos na sua maioria) come??aram a considerar a hip??tese de emigrar. Nestes últimos anos, também a emigração de pessoas de outras ra??as tem aumentado progressivamente (apesar de não ser f??cil quantificar, por falta de registo do movimento migrat??rio, que se está a tentar contabilizar).

 

O medo radica no facto do possível candidato ?? presid??ncia, apesar de ter prometido seguir uma política económica liberal, j?? ter falado de estatiza????o ou de outras políticas semelhantes e ser conhecida a sua "amizade" com a ala esquerdista. Para al??m disso, o seu maior apoio provem "das massas" que, em certas ocasi??es, se mostraram violentas a ponto de dizer "matamos por Zuma".

 

?? instabilidade política soma-se a instabilidade económica e social causada por vários factores. Em primeiro lugar, o desemprego: o ??ndice oficial ?? de 23%, mas, na realidade, parece que pode ascender a 40%, se tivermos em conta os trabalhadores que desistiram de procurar emprego; para al??m disso, a taxa de desemprego desceu, desde 2001, apenas tr??s pontos percentuais.

 

Outros problemas são o alto ??ndice de criminalidade, com casos de brutal xenofobia contra imigrantes; a emigração de pessoal qualificado e a imigração ilegal ou legal de militares africanos de pa??ses vizinhos, que fogem de situações de mis??ria e chegam ?? ??frica do Sul para viver em condições deplor??veis e para competir por um trabalho com um grande número de sul-africanos negros. Nota-se a falta de prepara????o profissional e os problemas de relações humanas. A SIDA continua a afectar duramente o pa??s, com as inerentes consequências, entre outras os ??rf??os.

 

O impacto da imigração não ?? s?? o ??xodo de pessoal qualificado. Diminui também a cobran??a de impostos indispens??veis para cobrir tantas necessidades do pa??s, especialmente as das pessoas que se encontram em condições inferiores, alarmantes, sob o ponto de vista económico e educativo.

 

Que pa??s queremos

 

As infra-estruturas, cada vez mais deterioradas, constituem um problema que carece de solução urgente. A situação piorou este ano por causa da escassez de energia el??ctrica, o que fez falir ou fechar empresas.

 

Os políticos sul-africanos, como em tantos outros pa??ses de ??frica ou do mundo em desenvolvimento, ter??o que lutar contra a crescente corrupção e come??ar a ver com mais seriedade o "tipo de pa??s" que querem ser. Fala-se de liberdade, mas não sabem para onde querem ir, nem querem arcar com as consequências. Querem libertar-se da SIDA, mas não querem mudar ou fomentar estilos de vida que, longe de lutar contra a infec????o, a favorecem (como por exemplo, o mercado da pornografia, que cresce de dia para dia). Querem ser um pa??s pr??spero, mas retirando a melhor fatia para benef??cio próprio. Querem reduzir o crime, mas não v??em a import??ncia de fortalecer as estruturas familiares, onde se transmitem valores humanos e solid??rios.

 

Longo Caminho Para A Liberdade, título do famoso livro de Mandela, her??i da "Na????o do Arco-??ris", pede que sejam repensados pontos b??sicos, como os valores morais, solid??rios e humanos, família, educa????o, compromisso, responsabilidade... Na ??frica do Sul, também h?? muitas pessoas a quererem inverter a queda vertiginosa do pa??s (muitos falam de não querer "outro Zimbabwe"). Por isso, pode falar-se de esperança.


??gueda Colom