A ??ndia rejeitou o fundamentalismo hindu
A vit??ria do CP, e a clamorosa queda do BJP e da Terceira Frente (de esquerda) de Nirmala Carvalho, t??m muito a ver com o facto de o eleitorado -sobretudo os jovens- estar farto da política baseada em divis??es religiosas e de castas.
Os cristãos, que sofreram em especial os ataques dos extremistas hindus, mostraram especial satisfa????o com os resultados. Mons. Stanislaus Fernandes, secret??rio-geral da Confer??ncia Episcopal indiana, considera-os um sinal de que "o povo indiano quer um governo est??vel", e de que votou "contra o fundamentalismo e o comunismo". "No que respeita ?? laicidade do pa??s", disse o prelado, "trata-se de um resultado que ?? bem-vindo".
Tamb??m o cardeal Oswald Gracias, presidente da Confer??ncia, defendeu que o voto popular reflecte "um claro mandato a favor da liberdade religiosa". Assegurando que na decisão se expressa "o cora????o das pessoas comuns", afirma que estas desejam "o respeito de todas as religi??es e um compromisso para se viver em paz e em harmonia".
Rejei????o da persegui????o das minorias religiosas
Theodore Mascarenhas, responsável da regi??o asi??tica no Conselho Pontifício para a Cultura do Vaticano, afirmou al??m disso que "o resultado ?? uma resposta do povo ?? política de ??dio contra as mulheres em Karnataka e contra os cristãos em Orissa". Com efeito, este Estado da costa Leste da ??ndia foi em 2008 cen??rio sangrento para a popula????o cristã, perseguida em numerosas ocasi??es pelo extremismo hindu (cfr. Aceprensa, 26-09-2008).
Sobre a situação das minorias religiosas, monsenhor Percival Fern??ndez, bispo auxiliar de Mumbai, disse em declara????es ?? Asia News que os "cristãos e muçulmanos das zonas rurais viviam com medo, pois o BJP não lhes dava apoio". Tamb??m, explica, "eram evidentes as pr??ticas hostis do Rashtriya Seva Sangh (RSS) e do Vishwa Hindu Parishad (VHP) em muitos casos de violência e brutalidade cometidos contra os grupos religiosos minorit??rios". Segundo o bispo, estas organiza????es fundamentalistas "alimentaram o ??dio e instauraram uma cultura de temor e de suspeita entre as comunidades cristãs e muçulmanas".
O Times da ??ndia, um dos jornais de maior circula????o no pa??s, disse abertamente num artigo de an??lise que "o velho subterf??gio de provocar desordens entre comunidades religiosas para polarizar o eleitorado, uma fórmula a que o BJP parece ter aderido até 2008 com os dist??rbios anti-cristãos de Orissa, est?? destinado a fazer perder votos". O secret??rio-geral do BJP, Arun Jaitley, teve efectivamente de reconhecer que "mesmo comparando com os nossos resultados nas eleições de 2004 (nas quais foram derrotados), o número de lugares diminuiu ainda mais", de 138 para 116.
Outro tanto aconteceu com os partidos de esquerda, que obtiveram 24 lugares, menos de metade dos 59 de 2004. Especialmente sonante foi a sua derrota no Bengala Ocidental, Estado governado pelos comunistas durante meio s??culo.
O extremismo na educa????o
Mons. Fern??ndez, que também ?? vice-presidente do Departamento diocesano para a Educa????o, advertiu igualmente que est?? a ser implementada uma clara "hinduiza????o da educa????o" no pa??s. O bispo referiu-se nomeadamente aos programas do RSS relativos ?? Hist??ria e ??s Ci??ncias Sociais, onde se manipulavam os textos escolares e se fazia uma apologia das figuras exaltadas pela ideologia daquele partido, enquanto se demonizava o Cristianismo e o Islamismo.
O governo, que interveio de modo activo em temas como a admissão ??s escolas e ?? universidade, e na forma como estas funcionam, converteu os responsáveis das instituições cristãs no alvo predilecto dos grupos fundamentalistas. O próprio Instituto Indiano de Administra????o, um dos centros mais prestigiados do pa??s, foi afectado por esta situação. Para Mons. Fern??ndez deve ter-se em conta que noutros pa??ses, a educa????o floresce quando consegue alcançar a sua autonomia e fica a cargo de educadores profissionais e de especialistas.

