A Cruz Vermelha chama a aten????o para a dram??tica situação em Gaza
A Faixa de Gaza est?? isolada do mundo exterior. Mesmo antes das últimas hostilidades, Israel tinha imposto severas restri????es ao movimento de mercadorias e de pessoas, para castigar a popula????o que tinha votado no Hamas.
Seis meses depois da última guerra, escreve a Cruz Vermelha, "as restri????es ?? importa????o impossibilitam os habitantes de Gaza de refazerem as suas vidas. A quantidade de mercadorias que entram em Gaza caiu abaixo do limite necessário ?? satisfa????o das necessidades da popula????o. Em Maio de 2009, apenas 2.662 cami??es de mercadorias procedentes de Israel entraram em Gaza, quase 80% menos que os 11.392 entrados em Abril de 2007, antes de o Hamas tomar o poder no território".
Sem materiais para reconstruir casas
A ajuda prometida pela comunidade internacional tornou-se letra morta devido ao bloqueio israelita
Calcula-se que durante as opera????es militares foram destru??das tr??s a quatro mil casas e outras duas mil ficaram parcialmente danificadas. Vastas zonas habitacionais e infra-estruturas arruinadas pelos bombardeamentos israelitas continuam a parecer o resultado de um terramoto, pois para as reconstruir era preciso importar grandes quantidades de cimento, de a??o e de material de construção que Israel não permite que entre. Por isso, milhares de famílias vivem amontoadas em casas de outros familiares ou em tendas de campanha.
Repara????es de emerg??ncia tornaram possível restaurar o abastecimento de ??gua e o saneamento ao nível insuficiente de antes das opera????es militares. Pelas fugas no sistema de distribuição, a falta de motores para elevar a ??gua aos dep??sitos e outros problemas, milhares de lares s?? em determinados dias t??m ??gua assegurada.
Para recosntruir as infra-estruturas e habitações destru??das seria necessário importar cimento, a??o e material de construção que Israel não deixa entrar
A Cruz Vermelha conseguiu reparar algumas infra-estruturas com materiais reciclados, melhorando assim uma esta????o de tratamento de ??guas residuais que d?? trabalho a 175.000 pessoas em Rafah. Faz no entanto notar que outras repara????es "s??o uma necessidade urgente". "O facto de os serviços de saneamento e de fornecimento de ??guas poderem entrar em colapso a qualquer momento traz-nos ?? mente o espectro de uma s??ria crise de sa??de pública", previne a declaração.
A sua conclusão neste aspecto ?? que "o ??nico meio de superar a crise ?? levantar as restri????es ?? importa????o de pe??as sobressalentes, de tubagem e de materiais de construção como cimento e a??o, para se poderem reconstruir as casas e conservar e melhorar as infra-estruturas vitais".
Situa????o sanit??ria em crise
O comunicado afirma que os doentes que sofrem de doenças graves não podem receber o atendimento de que precisam, porque o sistema sanit??rio de Gaza não a pode proporcionar ou porque as autoridades israelitas lhes atrasam a autoriza????o para a irem receber fora da Faixa.
J?? não são possíveis as exporta????es; as importa????es foram reduzidas em tr??s quartos, e s?? para produtos de primeira necessidade
Os problemas sanit??rios em Gaza estão politizados e os doentes v??em-se muitas vezes envolvidos num labirinto burocr??tico. A coopera????o entre as autoridades sanit??rias palestinianas da Cisjord??nia e de Gaza ?? dif??cil. Os complexos e lentos processos de importa????o de Israel fazem dif??cil o aprovisionamento regular de produtos sanit??rios b??sicos. O CICV diz que chega a ter de esperar cinco meses para importar equipamento m??dico para os blocos operat??rios. A maioria dos aparelhos m??dicos dos hospitais não ?? segura e precisa de repara????o.
Como consequência destas dificuldades, "alguns doentes, incluindo doentes de cancro ou com problemas renais nem sempre recebem os tratamentos de que necessitam". Umas 100 a 150 pessoas, que perderam algum dos membros na ofensiva militar israelita, estão ainda ?? espera da coloca????o de uma pr??tese.
O comunicado do CICV pede que seja permitido aos doentes graves sair de Gaza com rapidez e em segurança, a fim de serem atendidos fora; e também requer permissão para importar rem??dios e pe??as sobressalentes "sem demoras e em quantidades suficientes para garantir os serviços de sa??de b??sicos da popula????o".
Uma economia estrangulada
Uma das mais graves consequências do bloqueio de Gaza ?? o desemprego, que atinge 44%, tendo-se perdido 70.000 empregos desde Junho de 2007. A exporta????o de produtos para Israel e para a Cisjord??nia ?? praticamente impossível.
Como resultado, 70% da popula????o vive na pobreza, " com rendimentos mensais inferiores a 250 dólares por família de 7 a 9 membros" (excluído o valor da ajuda humanit??ria que possam receber). 40% das famílias usufruem de um rendimento mensal de 120 dólares. Muitos dos mais pobres j?? não t??m poupan??as, venderam a mob??lia e os instrumentos de trabalho. "A descida do nível de vida afectar?? a longo prazo a sa??de e o bem-estar da popula????o, e as mais afectadas ser??o as crianças, que representam mais de metade da popula????o de Gaza".
Para o CICV, "a alarmante pobreza de Gaza est?? directamente relacionada com o embargo imposto ao território", pelo que pede autoriza????o para as empresas locais importarem as mat??rias-primas de que necessitam para trabalhar, e para exportarem os seus produtos.
Por terra e por mar
A agricultura da Faixa de Gaza, na qual trabalhava um quarto da popula????o, perdeu as exporta????es de morangos, tomates e flores para Israel e para a Europa, que eram uma importante fonte de rendimentos habitual.
Durante a invas??o, o ex??rcito israelita arrancou milhares de ??rvores como limoeiros, oliveiras e palmeiras, incluindo muitas que estavam longe da fronteira. Tamb??m destruiu sistemas de rega, fontes e estufas.
Israel criou na fronteira uma zona tamp??o que se estende um quil??metro para o interior de Gaza, da qual não deixa ningu??m aproximar-se. 30% da terra ar??vel inclui-se nesta zona, o que faz com que muitos agricultores não tenham acesso a parte das suas terras.
As restri????es de movimentos impostas por Israel afectam também o mar. Em Janeiro passado, diz o referido relatório, a ??rea onde Israel permite a pesca foi reduzida de seis para tr??s milhas mar??timas, limitando assim a possibilidade de capturas. Os peixes maiores e as sardinhas, que constituem 70% das capturas, encontram-se na sua maior parte fora da zona das tr??s milhas.
Mergulhados no desespero
Como Israel fechou os pontos de passagem das fronteiras, os habitantes de Gaza t??m escassas oportunidades de contactar com os familiares que estão no exterior ou de sair para receber uma melhor educa????o. Os estudantes que conseguiram bolsa para estudar fora são frequentemente impedidos de abandonar Gaza.
??s famílias que têm algum familiar detido em Israel não se lhes permite visit??-lo. Desde Junho de 2007 que Israel suspendeu o programa de visitas organizado pela Cruz Vermelha.
Em conclusão, o CICV sublinha que a leg??tima preocupa????o de Israel pela sua segurança deve ser compat??vel com o direito da popula????o de Gaza a ter uma vida normal. Recorda que, segundo as normas humanit??rias internacionais, Israel tem obriga????o de assegurar a defesa das necessidades b??sicas de alimenta????o, habitação, ??gua e provis??es m??dicas.
"Uma vez mais o CICV pede que sejam levantadas as restri????es ao movimento de pessoas e bens como primeira e mais urgente medida para acabar com o isolamento de Gaza e permitir que os seus habitantes refa??am as suas vidas".
Aceprensa
Notas
1) Gaza: 1 .5 million people trapped in despair

