R??ssia: não h?? pot??ncia forte com popula????o reduzida
A fraca natalidade na R??ssia ?? um problema que também existe noutros pa??ses industrializados, mas a sua elevada mortalidade ?? uma anomalia para o seu nível de desenvolvimento. Desde meados dos anos 60 que o ??ndice de fecundidade ?? inferior ao necessário para assegurar a renova????o de gerações, tendo atingido o nível mais baixo em 1999. Come??ou depois a subir ligeiramente, e em 2007 situou-se em 1,4 filhos por mulher. A natalidade subiu, em parte porque, dada a estrutura da pir??mide de popula????o, existem agora mais mulheres em idade fertil.
A partir de 2007, foram também adoptadas medidas natalistas. A mais relevante foi o chamado "capital materno", uma quantia equivalente a 10.000 dólares, que ?? entregue sob a forma de certificado especial ou quando nasce o segundo filho ou os seguintes. Esta quantia s?? pode ser usada para comprar uma casa, financiar os estudos do filho ou aumentar a pens??o de reforma da m??e. Melhoraram igualmente os abonos de família durante os primeiros dezoito meses de vida da criança, e os reembolsos das despesas de ginecologia, ber????rio, etc.
Os dem??grafos mostram-se ainda assim prudentes relativamente ao efeito destas medidas a longo prazo. Anatoli Vychnevski, director do Instituto de Demografia de Moscovo, fez um estudo sobre a crise demogr??fica da R??ssia, publicado pelo Instituto Franc??s de Rela????es Internacionais. Vychnevski pensa que as medidas natalistas podem influir adiantando o "calend??rio" da procria????o, e assim aumentar a taxa de fecundidade de um ano para o outro. Contudo, ?? mais céptico acerca da probabilidade de isso mudar o número total de filhos das mulheres no fim da sua vida reprodutiva.
Mortalidade elevada
A grande diferença entre a popula????o russa e a de outros pa??ses industrializados est?? no facto de a esperança de vida não ter melhorado e inclusivamente ter baixado desde meados dos anos 60. Actualmente ?? de 73 anos para as mulheres e s?? de 61,4 para os homens, uma diferença particularmente not??ria em compara????o com o que acontece na Europa Ocidental, nos Estados Unidos e no Jap??o. No caso dos homens, a evolução da esperança de vida em compara????o com estes pa??ses reflecte um atraso maior do que no princ??pio do s??culo XX. Um homem em cada tr??s morre entre os 20 e os 60 anos.
O abuso do ??lcool ?? em boa parte responsável pela elevada mortalidade masculina, devida a doenças vasculares e a outras causas
A que se deve este retrocesso? Na elevada mortalidade masculina influem uma s??rie de maus h??bitos (alcoolismo, tabagismo, alimenta????o errada...). O mais nocivo ?? o abuso do ??lcool, responsável por boa parte da elevada mortalidade masculina por doenças vasculares ou outras causas: segundo um estudo da C??mara C??vica da R??ssia, 40 % dos suicidas e 80 % dos homicidas estão embriagados no momento em que cometem tais actos.
Vychnevski menciona também a insufici??ncia dos gastos com a sa??de na R??ssia, que ?? s?? de 4,2 % do PIB, contra uma m??dia de 8 % - 10 % nos pa??ses europeus desenvolvidos. Na R??ssia, os gastos com a sa??de são de 561 dólares anuais por habitante, o que fica ao nível do que gastavam os pa??ses europeus em meados dos anos 70.
O decr??scimo da popula????o
A baixa natalidade e a excessiva mortalidade estão a provocar a diminui????o do número de habitantes, que passou de 148,6 milhões no princ??pio de 1993 para os actuais 142 milhões. Desde 1992 que o saldo natural (nascimentos menos mortes) atinge um balanço negativo de 12,6 milhões, compensado em parte com o saldo migrat??rio positivo de 6 milhões.
Contrariamente ao que ??s vezes se pensa, esta crise demogr??fica não ?? consequência das mudanças ocorridas durante a dif??cil transi????o ap??s o desaparecimento da URSS. Na realidade, h?? mais de quarenta anos que a R??ssia não acompanha o decr??scimo da mortalidade que se tem vindo a observar noutras zonas.
Nos últimos anos, o saldo natural negativo tem-se atenuado, passando do d??ficit de 0,84 milhões em 2005 para 0,47 milhões em 2007. Segundo o estudo de Vychnevski, esta melhoria deve-se sobretudo ao facto de haver mais mulheres em idade de procriar. Mas, uma vez passado este efeito conjuntural, a separa????o da popula????o por faixas et??rias vai ser mais desfavorável para a natalidade e para o crescimento da popula????o activa.
Sem o recurso aos imigrantes, a R??ssia ver?? diminuir drasticamente a sua popula????o activa
Vychnevski observa que "o pa??s vai sofrer a curto prazo uma redu????o dr??stica da sua popula????o activa". Segundo as previs??es do Instituto de Estat??stica da R??ssia, a hip??tese m??dia ?? que o decr??scimo natural da popula????o seria de 11 milhões de habitantes entre 2008 e 2025, ao passo que a popula????o em idade de trabalhar ficava reduzida a 14 milhões.
Imigração: um mal, mas necessário
O recurso ?? imigração poderia compensar este decr??scimo natural. A partir dos anos 90, o saldo migrat??rio melhorou, pelo regresso de russos que estavam desde a ??poca sovi??tica noutras repúblicas da ex-URSS, e pela sa??da do pa??s de menor número de russos. Mas, uma vez que a "repatria????o" se esgotou, a imigração seguinte foi sobretudo do tipo económico e de n??o-russos.
A popula????o não v?? com bons olhos a entrada de imigrantes. Mas Vychnevski pensa que não h?? outro rem??dio. O objectivo oficial ?? estabilizar a popula????o em 142-143 milhões até 2015, e passar a 145 milhões em 2025. Mas isso requer uma imigração massiva. O documento oficial "Concep????o da política demogr??fica" enuncia o objectivo de atingir um saldo migrat??rio positivo anual de pelo menos 200.000 pessoas até 2016, e de 300.000 em 2025. Mas, diz Vychnevski, por agora nem a sociedade russa nem as elites t??m um comportamento favorável em relação ?? imigração, e o pa??s não disp??e de uma política de acolhimento para uma imigração desta amplitude.

