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Se consigo intimidar, para qu?? debater?

 Política
Se consigo intimidar, para qu?? debater?

Nos Estados Unidos, a Planned Parenthood tentou silenciar a ex-directora de uma das suas clínicas abortivas que denuncia a ??nsia de lucro desta organiza????o. No Reino Unido, o lobby gay protesta porque o Parlamento brit??nico não considera como delito a cr??tica a pr??ticas homossexuais.

 

Abby Johnson dirigiu durante dois anos no Texas a sede da Planned Parenthood, a maior promotora de abortos dos Estados Unidos. A Planned Parenthood ?? em teoria uma organiza????o de planeamento familiar, mas na pr??tica a sua principal fonte de receitas e de lucros prov??m de abortos (289.650 realizados em 2006).

 

A Planned Parenthood tentou silenciar a ex-directora de uma das suas clínicas, que denuncia o af?? de lucros desta organiza????o atrav??s de abortos

 

No passado m??s de Outubro, a vida de Abby Johnson sofreu uma viragem ao ver a ecografia de um feto de 13 semanas durante um aborto. De um dia para o outro, converteu-se em activista a favor da vida e come??ou a divulgar o seu testemunho por todo o pa??s.

 

Provavelmente o seu caso não teria tido t??o grande relevo público se não fosse a manobra da Planned Parenthood para lhe tapar a boca.

 

Esta poderosa organiza????o tentou intimidar Johnson, exigindo-lhe que assinasse um documento em que se comprometia a não revelar qualquer informação sobre o centro que tinha dirigido. Tamb??m a acusaram de ter roubado documentos confidenciais.

 

A C??mara dos Lordes diz "n??o" ?? pretens??o de considerar manifestações de ??dio as cr??ticas ?? conduta homossexual

 

Johnson ficou bastante surpreendida com esta intima????o. Não s?? porque não tinha retirado nenhum documento, mas também porque tinha declarado dias antes a um jornal que não iria revelar dados confidenciais sobre o centro (por exemplo, os dados relativos ??s mulheres que abortam).

 

"Não compreendo de que têm medo", comenta. "Quando vi o documento, fiquei surpreendida. Imediatamente me ocorreu: o que ?? que pensam que eu sei? Porque se sentem culpados?"

 

O que a Planned Parenthood receava era que Johnson revelasse ?? opinião pública as press??es que os chefes tinham exercido sobre ela para conquistar novos "clientes". "Diziam-me em todas as reuni??es: ???Não temos dinheiro suficiente. Necessitamos de mais abortos'", explica ?? Fox News.

 

Repugnava-lhe a ideia de incrementar o número de abortos para aumentar os lucros da organiza????o. Pouco a pouco, come??ou a interrogar-se sobre o significado do seu trabalho. Mas o que fez inclinar a balan??a para a sua posi????o a favor da vida foram as imagens do feto, obtidas por ultra-sons. "Tomei consciência de que não podia continuar com isto".

 

Abby Johnson foi convocada a fim de prestar declara????es em tribunal. Steven H. Aden, advogado da Alliance Defense Fund, encarregou-se da sua defesa. A senten??a deu raz??o ?? antiga funcion??ria, considerando não existirem provas de esta ter retirado do centro qualquer material confidencial.

 

Segundo Aden, não ?? a primeira vez que a Planned Parenthood efectua uma semelhante manobra. "Isto ?? apenas um exemplo, entre tantos, das suas técnicas de intimida????o. Tentam fazer calar umas quantas mulheres para não contarem a outras as fraudes que se cometem. Johnson est?? a dizer a verdade e tem direito a isso, porque a Constitui????o protege a liberdade de express??o".

 

Discord??ncia não ?? "homofobia"

 

Outra t??ctica de intimida????o consiste em procurar que a lei pro??ba cr??ticas a posi????es defendidas por certos grupos, apresentando tais cr??ticas como manifestações de ??dio.

 

H?? cerca de uma semana o Parlamento brit??nico converteu-se em cen??rio de mais uma batalha pela liberdade de express??o. No ano passado foi aprovada uma lei que considera delito a manifesta????o de ??dio contra os homossexuais. A lei inclu??a uma cl??usula que distinguia a cr??tica do ??dio: "Para evitar dúvidas, a discuss??o ou a cr??tica da conduta ou das pr??ticas sexuais ou a incita????o das pessoas a abster-se ou a modificar tal conduta ou tais pr??ticas, não deve considerar-se per se amea??a ou instiga????o ao ??dio".

 

O governo trabalhista tentou suprimir esta cl??usula, mas deparou-se com a oposi????o da C??mara dos Lordes, que também neste caso quis salvaguardar a liberdade de express??o.

 

Depois de conhecida a notícia, a LGBT Labour - um grupo de l??sbicas, gays, bissexuais e transexuais associado ao Partido Trabalhista - manifestou ao governo o seu descontentamento: "A protecção contra o ??dio homof??bico ?? um direito importante para gays e l??sbicas. Estamos profundamente decepcionados com o facto de que a nova lei apresente esta isen????o em fun????o de cren??as religiosas", disse a co-presidente Katie Hanson.

 

Compreende-se que o colectivo das associa????es LGBT se preocupe em se proteger de atitudes intolerantes. O que ?? mais surpreendente ?? a sua concepção omnicompreensiva do "??dio homof??bico", que incluiria o t??o democrático direito a discordar das ideias alheias.

 

Tamb??m não se entende a correlação que Hanson estabelece entre o apoio ?? cl??usula e as cren??as religiosas. A julgar pelos argumentos esgrimidos na C??mara Alta, parece bastante claro que o que ali se estava a discutir era a liberdade de express??o.

 

Foi precisamente este argumento que a própria C??mara empregou numa outra ocasi??o para indeferir um projecto de lei que pretendia tipificar como delito a incita????o ao ??dio religioso. Nesse caso, os crentes do Reino Unido estariam t??o desprotegidos como os homossexuais.

 

A justificação última para a cl??usula poderia encontrar-se em alguns abusos ocorridos recentemente. Num artigo publicado no Daily Telegraph (16-11-2009), Philip Johnston conta o epis??dio de Pauline Howe, uma idosa que escreveu uma carta ?? sua autarquia para protestar contra uma marcha gay que qualificou de "manifesta????o pública de indec??ncia". Poucos dias depois, Howe recebeu a visita de dois polícias que lhe disseram que poderia ter cometido um delito de instiga????o ao ??dio.

 

Um caso semelhante foi o de Lynette Burrows, membro Pro-Family, que foi submetida a um interrogat??rio por afirmar na r??dio que não deveria ser permitida a adop????o por homossexuais.

 

Johnston conclui o seu artigo com uma reflex??o final: "O governo deve criar um enquadramento jur??dico para garantir que as inj??rias sejam punidas de acordo com a lei. Mas não ?? esse aqui o caso. O problema est?? em querer suprimir ideias s?? porque não agradam a um partido ou a um grupo de press??o. Estes grupos ter??o de aprender a conviver, enquanto estivermos numa sociedade livre".


A Declara????o de Manhattan

 

Para evitar este tipo de press??es provenientes da indústria do aborto e do lobby gay, 125 l??deres religiosos de tr??s confiss??es cristãs (ortodoxos, católicos e evang??licos) assinaram no passado dia 20 a Declara????o de Manhattan. Trata-se de um apelo aos cristãos para não abdicarem das suas convic????es nos debates públicos sobre a vida, o casamento, a f?? e a liberdade.

 

O manifesto abre com uma aut??ntica declaração de princ??pios: "Somos cristãos que sem olharmos ??s nossas diferenças hist??ricas, nos unimos para reafirmar o nosso direito - e, o que ?? mais importante, a nossa obriga????o - de falar e de actuar em defesa destas verdades".

 

"Comprometemo-nos perante n??s próprios e perante os outros crentes a não nos deixarmos intimidar por nenhum poder terreno, quer seja político ou cultural (...). Com muito gosto, daremos a C??sar o que ?? de C??sar. Mas em nenhuma circunst??ncia daremos a C??sar o que ?? de Deus".

 

A declaração advoga com firmeza a liberdade de express??o: "?? absurdo que os que defendem certas pr??ticas imorais como se fossem direitos, sejam depois os primeiros a atropelar a liberdade que os outros t??m de manifestar os seus compromissos morais e religiosos, a santidade de vida e a dignidade do matrim??nio".

 

Em tr??s dias apenas, aderiram ao manifesto mais de 28.000 subscritores. Entre os mais conhecidos figuram: James Dobson, presidente e fundador da Focus on the Family; Leith Anderson, presidente da National Association of Evangelicals; Timothy George, editor da revista Christianity Today; e os arcebispos de Nova Iorque e Washington DC, Timothy Dolan e Donald Wuerl.

 

Juan Meseguer Velasco