O bloqueio israelita continua a impedir a reconstrução de Gaza
Segundo o documento, que aparece resumido na web da Amnistia Internacional, apenas 41 cami??es com materiais de construção foram autorizados pelas autoridades israelitas a entrar em Gaza desde o termo da ofensiva, em meados de Janeiro, declaram os grupos de direitos humanos, entre os quais se contam a Amnistia Internacional, a Christian Aid, a Medical Aid for Palestinians, a Mercy Corps e a Oxfam Internacional. E acrescentam que s?? os trabalhos de reconstrução e repara????o de casas requerem milhares de carregamentos de materiais de construção.
At?? agora s?? foi reparada uma pequena parte dos mais graves estragos causados pela ofensiva israelita em casas, infra-estruturas civis, serviços públicos, campos e empresas, porque tanto a popula????o civil como as organiza????es da ONU e de ajuda humanit??ria estão proibidas de importar materiais como o cimento e o vidro, a não ser em raras excepções, afirma o relatório.
Cortes di??rios de energia e de ??gua
Os autores do documento manifestam que o bloqueio também causou frequentes cortes de energia el??ctrica, de g??s e de ??gua, que afectaram gravemente a vida quotidiana da popula????o e a sa??de pública. A rede el??ctrica de Gaza ficou destru??da pelos bombardeamentos e precisa de repara????es urgentes, que ainda não foram autorizadas, quase um ano ap??s o conflito. Isto, aliado ao facto de Israel continuar a restringir o fornecimento de combustível industrial a Gaza, significa que 90 por cento da popula????o de Gaza sofre cortes di??rios de energia durante per??odos de quatro a oito horas.
Os cortes de energia também produzem interrup????es di??rias no abastecimento de ??gua, al??m de impedirem a repara????o da canaliza????o geral e dom??stica e dos dep??sitos de ??gua nos telhados, porque Israel não considera que os materiais necessários e as respectivas pe??as sejam bens humanit??rios b??sicos e usa o bloqueio para lhes barrar a entrada. Como consequência da diminui????o da press??o nas canaliza????es, a ??gua contaminada do solo infiltra-se na rede de abastecimento. A par da m?? qualidade da ??gua, o mau estado cr??nico do sistema de esgotos constitui uma grande preocupa????o para as organiza????es de ajuda humanit??ria em Gaza, onde a diarreia causa 12 por cento das mortes de jovens.
O bloqueio, que come??ou em Junho de 2007, quando o Hamas tomou o controlo da Faixa de Gaza, fez aumentar drasticamente a pobreza, e contribuiu para que 8 em cada 10 pessoas dependam de algum sistema de ajuda. Empresas comerciais e agr??colas viram-se obrigadas a encerrar e a despedir os trabalhadores. A proibi????o quase absoluta das exporta????es afectou extremamente os agricultores, agravada por uma ofensiva militar que destruiu 17 por cento das terras de cultivo, incluindo estufas e dispositivos de rega, e deixou outros 30 por cento inutilizados nas intransit??veis zonas provis??rias de segurança, ampliadas pelo ex??rcito israelita, ap??s a ofensiva.
Castigo colectivo ?? popula????o
As ONGs pedem ?? Uni??o Europeia que adopte medidas imediatas de forma concertada para garantir o termo do bloqueio de Gaza
No relatório destes grupos de direitos humanos argumenta-se que, embora Israel tenha obriga????o de proteger os seus cidad??os, as medidas adoptadas para esse fim devem ajustar-se ao direito internacional humanit??rio e ao direito internacional dos direitos humanos. Aplicando o bloqueio de Gaza, Israel viola a proibi????o de castigo colectivo estabelecido pelo direito internacional humanit??rio.
"A popula????o de Gaza foi atrai??oada pela comunidade internacional, que pode e deve fazer muito mais para acabar com este bloqueio ilegal e desumano"
Neste relatório, grupos de direitos humanos pedem a Israel que ponha fim ao bloqueio. Mas também afirmam o seguinte: "A popula????o de Gaza foi atrai??oada pela comunidade internacional, que pode e deve fazer muito mais para acabar com este bloqueio ilegal e desumano". Pedem, por exemplo, ?? Uni??o Europeia que adopte medidas imediatas de forma concertada para garantir o levantamento do bloqueio a Gaza, para que em Junho de 2010, m??s em que termina o per??odo de seis meses em que a Espanha ocupar?? a presid??ncia na Uni??o Europeia, não marque também o terceiro anivers??rio da imposi????o do bloqueio.
Os autores do relatório pedem também aos ministros dos Neg??cios Estrangeiros Europeus e ?? Alta Representante da Uni??o Europeia para a Pol??tica Externa, Catherine Ashton, para visitarem Gaza e assim verem, com os seus próprios olhos, os efeitos do bloqueio sobre a popula????o. Garantir agora, no come??o do Inverno, a abertura imediata das fronteiras de Gaza para dar entrada aos materiais de construção para a repara????o de casas em ru??nas e infra-estruturas civis seria um passo importante para o fim do bloqueio, afirmam as organiza????es referidas.
Janet Symes, directora da Christian Aid para a regi??o do M??dio Oriente, comenta: "J?? não basta que a comunidade internacional manifeste a sua reprova????o do bloqueio de Gaza. ?? tempo de permitir que os seus habitantes re??nam os destro??os das suas vidas e comecem a refaz??-las. A comunidade internacional não pode apresentar mais desculpa".
Jeremy Hobbs, director executivo da Oxfam Internacional, afirma que as pot??ncias mundiais "defraudaram, e inclusivamente atrai??oaram, os cidad??os comuns de Gaza. Deram apertos de m??o e fizeram declara????es, mas não chegaram a adoptar medidas efectivas para conseguir mudar uma política que impede a reconstrução e a recupera????o pessoal e económica." "Por outro lado, o Hamas e outros grupos armados palestinianos devem manter o termo da violência e suspender de modo permanente o lan??amento indiscriminado de rockets de Gaza sobre Israel".
Fonte: Amnistia Internacional

