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TEA-PARTY: movimento de cidad??os agita a política americana

 Política
TEA-PARTY: movimento de cidad??os  agita a política americana

Por uma maioria m??nima, os ju??zes decidiram que a lei agora revogada, cuja forma original data de 1907, ?? contr??ria ?? liberdade de express??o. Para o presidente, por seu turno, o Supremo "deu luz verde a uma nova vaga de dinheiro a favor de interesses particulares na nossa política". Diz o presidente que ?? um presente para as grandes empresas e os grupos de press??o, que ter??o mais facilidades para "afogar a voz do americano corrente".

 

S??o anti-elitistas, e acreditam que os políticos, osintelectuais e os poderes económicos se aliam paraperseguir os seus interesses pessoais e calara voz do povo

 

No entanto, a inesperada vit??ria, dois dias antes, do republicano Scott Brown num feudo democrata não foi devida ao grande capital, mas em boa parte a uma organiza????o de cidad??os correntes, conhecida como movimento Tea Party, que fizeram ouvir a sua voz. Mal os democratas imaginavam que podiam perder no Senado o lugar que Ted Kennedy ocupou durante 46 anos seguidos, até ?? sua morte, ocorrida em Agosto passado. Convencido da for??a que tinha no Massachussetts, o "partido do burro" não se deu a seu tempo conta do silencioso mas firme passo do elefante que lhe ca??a em cima, e ficou sem os 60 senadores necessários para assegurar a aprova????o de um projecto em plen??rio.

 

Foi com essa maioria que na passada véspera de Natal o Senado conseguiu levar avante a sua vers??o da reforma da sa??de. Mas quando chegar a proposta definitiva, fundida com a da C??mara dos Representantes, a situação vai ser diferente. Os republicanos, 41 com Scott Brown, poder??o impedir a vota????o de um projecto de medidas que anteriormente não conseguiriam parar, como a cria????o de um seguro público aberto a todos e financiado com novos impostos. Obama disse j?? que vai ser preciso um enfoque mais modesto. A presidente da C??mara de Representantes, Nancy Pelosi, reconheceu que tal seria necessário, prevenindo que a reforma não vai ser adiada. Não parece j?? possível que o presidente assine em Mar??o o projecto-chave da sua política nacional.

 

Em política podem acontecer coisas destas. Ao fim e ao cabo, não ?? assim t??o estranho que o partido maiorit??rio seja castigado em eleições parciais. Mas, não contando com a transcend??ncia que teve o ??xito de Brown na actual situação espec??fica do Senado, desta vez o mais interessante ?? a for??a popular que elevou ao poder o improv??vel vencedor. O próprio Obama reconheceu que os com??cios de Massachussetts eram o eco de uma reac????o popular contra a reforma da sa??de e outras iniciativas suas.

 

Descontentamento popular

 

O movimento Tea Party vem dar resposta ao descontentamento de muita gente, galvanizado pela crise económica. Os seus membros consideram-se cidad??os cumpridores da lei, que nos tempos que correm passam dificuldades para chegar ao fim do m??s, e v??em o governo abrir os cofres públicos para resgatar os culpados na banca e na indústria. Tomam o nome da rebeli??o de 1773 contra a Lei do Ch??, a Boston Tea Party, um dos principais precedentes da rebeli??o contra o domínio brit??nico. O movimento convocou no ano passado centenas de tea parties, quer dizer, de actos de protesto, pelo pa??s inteiro. Est?? relacionado com o partido Boston Tea Party, fundado em 2006 por secess??o do Partido Libert??rio, mas conta com uma base muito pequena.

 

A reac????o contra o emprego de quase 800.000 milhões de dólares em dinheiro público na reactiva????o da economia corresponde a outras atitudes clássicas dos conservadores norte-americanos. Os seguidores do movimento desconfiam do centralismo de Washington, são partidários do Estado m??nimo e op??em-se a impostos elevados. S??o anti-elitistas, e acreditam que os políticos, os intelectuais e os poderes económicos se aliam para perseguir os seus interesses pessoais e calar a voz do povo. A sua grande capacidade de mobiliza????o consegue ser compat??vel com uma relativa heterogeneidade de membros e falta de direcção central.

 

Para traduzir o protesto em ac????es capazes de modificar a política do governo, o movimento come??ou a trabalhar para influir no Partido Republicano (Ao Democrata consideram-no impossível). Um processo que se revelou eficaz ?? o de se oferecerem para ser precinct leaders do partido, que são postos a nível local, de pouco relevo, que d??o mais trabalho que recompensas, e ficam ami??de vagos. Mas os precinct leaders t??m voz e voto para eleger os dirigentes que nomeiam em cada circunscri????o os candidatos para os com??cios, aprovam o programa eleitoral e decidem como se gasta o dinheiro do partido. A estratégia funcionou o ano passado em Las Vegas, onde o Partido Republicano tinha meio milhar de postos de precinct leaders por preencher. ?? falta de competidores, foram preenchidos por membros do movimento, que assim conseguiu alterar o comit?? local do partido, que por sua vez elegeu candidatos e um presidente estatal do partido afectos ao Tea Party.

 

Os políticos republicanos sentem claramente a press??o do movimento. Alguns cr??em que d?? energias ao partido; segundo outros, leva-os a tomar posi????es extremas, quando o que é preciso ?? ampliar o seu espectro. Mas mesmo que o Partido Republicano possa tirar proveito desta for??a popular, não a domina nem conta com o seu incondicional apoio. Para os "populistas" do Tea Party, o GOP* faz também parte do establishment, e é preciso dom??-lo. Mobilizar??o votos a favor, não de qualquer candidato republicano, mas apenas dos que sintonizarem com as exigências do movimento. No fim ter?? que haver algum tipo de compromisso entre as bases e os políticos profissionais, que continuar??o a ser imprescind??veis.

 

Rafael Serrano

 

*GOP - Grand Old Party, designa????o tradicional do Partido Republicano.