O sonho de Gordon Brown: idosos atendidos gratuitamente em suas casas
Com esta medida, diz Gordon Brown, o governo trabalhista resolve uma verdadeira necessidade da sociedade brit??nica: "Uma vez acabado o tratamento, as pessoas mais velhas costumam ficar mais tempo no hospital porque não sabem como arranjar os cuidados de que precisam para voltar para casa - enfermagem, reabilita????o, apoio domicili??rio... -, ou simplesmente porque não t??m ningu??m que as ajude.
Ainda que a proposta de Brown tenha sido bem recebida, não lhe faltaram cr??ticos. Os mais desconfiados qualificam a medida como eleitoralista. Outros, mais pr??ticos, p??em o dedo na ferida: onde vai o governo buscar o dinheiro, acossado pelo deficit e pela crise económica, para aprovar um projecto t??o generoso?
Segundo as previs??es dos trabalhistas, na Inglaterra e Pa??s de Gales haveria uns 400.000 idosos com direito a solicitar a ajuda. O que supunha um custo anual de uns 670 milhões de libras (uns mil milhões de dólares). A isto havia que somar os 15 bili??es de libras que actualmente são destinados ao cuidado anual dos idosos.
O governo propunha financiar a despesa com um novo imposto de 10 % sobre as propriedades imobili??rias. Mas a ideia tornou-se muito impopular, de modo que ficou adiada para 2015. E aten????o gratuita ser?? reduzida, de momento, para 280.000 idosos mais necessitados.
Para adivinhar se o sonho de Brown t??m alguma possibilidade de se converter em realidade, J??lia Werdigier prop??e no International Herald Tribune (10-03-2010) p??r os olhos na experiência da Esc??cia.
Ali ?? proporcionada, desde 2002, ajuda domicili??ria gratuita a umas 55.000 pessoas. E o certo ?? que cada vez aumenta mais os custos. Em 2009 o serviço custava 358 milhões de libras, o que sup??e um aumento de 11 % em relação ao ano anterior e o triplo do calculado inicial com que come??ou o plano (125 milhões de libras anuais). Segundo uma estimativa calculada por uns auditores, o custo poderia alcançar os 500 milhões de libras em dois anos.
Al??m do problema pr??tico, alguns peritos consideram que este sistema poderia dar lugar a "incentivos perversos" ao desanimar as pessoas para pouparem. Assim explica John Glasgy, professor de Sa??de e Assist??ncia Social da Universidade de Birmingham, em declara????es ao International Herald Tribune.
Conscientes do preço que poderiam pagar nas eleições, poucos políticos se atreveram a criticar abertamente a proposta de Brown. E para mais, segundo The Times (22-02-2010), entre os que discordam da medida h?? muitos trabalhistas.
Quem, sim, se mostrou muito firme foi o l??der do Partido Liberal, Nick Clegg. Em sua opinião, trata-se de "uma promessa c??nica". Depois de justificar a raz??o pela qual o seu partido tinha apoiado inicialmente a proposta - juntamente com os conservadores -, acrescentou que "agora todo a gente sabe que, na pr??tica, levar?? a um corte nos cálculos destinados ?? assist??ncia dos idosos mais vulner??veis".
Depois do primeiro sim dos deputados, o projecto foi severamente criticado na C??mara dos Lordes. Contudo, agora volta ?? C??mara dos Comuns, e o governo pretende inclusivamente que se aprove definitivamente nas últimas semanas desta legislatura. E est?? inclu??do no Livro Branco, apresentado ontem pelo ministro da Sa??de, Andy Burnham. O documento promete também que se um idoso necessita de internamento prolongado, depois do terceiro ano a factura ficar?? a cargo do er??rio público, para que não se veja for??ado a vender a sua casa, como muitos tiveram que fazer. Mas tudo isso depende do triunfo dos trabalhistas nas próximas eleições, previstas para Maio.
