Proposta de nova Constitui????o gera divis??es do Quénia
A vers??o definitiva do texto, que ser?? submetido a referendo nacional dentro de semanas, tem gerado polémica em torno de tr??s questões.
A primeira ?? o aborto. Em teoria, a nova Constitui????o garante expressamente o direito ?? vida desde a concepção. Mas noutro par??grafo do mesmo artigo usa uma linguagem t??o amb??gua que, na pr??tica, consagra o aborto a pedido.
A segunda ?? a disposição que amplia as competências dos C??dis, os ju??zes islâmicos com jurisdi????o sobre a popula????o muçulmana, em mat??ria de div??rcio, heran??a e outros assuntos civis.
Os l??deres das Igrejas cristãs questionam o governo sobre a raz??o por que os muçulmanos podem contar com tribunais próprios, enquanto o resto da popula????o - de maioria cristã - tem de recorrer ?? justi??a civil. Segundo os cristãos, o facto de a Constitui????o tratar melhor os muçulmanos ?? um sintoma de que o pa??s ainda não est?? unido.
Esta ?? precisamente a terceira questão em debate: a unidade. Quase todos os políticos coincidem em que, ainda que a Constitui????o não seja perfeita, o importante ?? que sirva de coes??o aos quenianos. O acordo sobre a norma constitucional - dizem - permitiria enfrentar melhor as divis??es acerca dos temas polémicos; facto que os l??deres das Igrejas cristãs não v??em com tanta clareza.Mas isto não significa que todos os cristãos do pa??s estejam de acordo. H?? s??rias discrep??ncias entre os representantes das diferentes confiss??es.
Os bispos católicos mant??m um "n??o" muito firme ?? Constitui????o fundamentalmente pela questão do aborto. Pelo contr??rio, os l??deres anglicanos não sabem a que ater-se. Enquanto uns olham com receio a vers??o definitiva, outros apoiam-na abertamente.
Foi o que aconteceu recentemente, na catedral de Todos os Santos, de Nairobi, quando David Gitari - anterior representante dos anglicanos no Quénia - pediu o voto a favor da Constitui????o, os fi??is responderam com um clamoroso aplauso.
Os presbiterianos também não t??m uma posi????o definida. O seu antigo l??der, Timothy Njoya, não fez mais que p??r lenha no fogo. Convertido agora num activista a favor dos direitos civis, afirma: "Espero que a Igreja [católica] fracasse no seu objectivo e os quenianos tenham a Constitui????o que tanto merecem" (Daily News, 4-05-2010).
Conspira????es financiadas?!
Junto a outros activistas, Njoya diz que as Igrejas cristãs deveriam atrever-se a informar os quenianos sobre as organiza????es ocidentais que estão a financi??-los, com o ??nico objectivo de dividir cristãos e muçulmanos.
A teoria da conspira????o de Njoya parece apoiar-se numa informação publicada, no passado fim-de-semana, por um di??rio queniano, segundo o qual, o American Center for Law and Justice (ACLJ) financiou os grupos partidários do "n??o" ?? Constitui????o, durante o debate sobre a vers??o definitiva do projecto.
O ACLJ ?? uma organiza????o fundada pelo telepregador evang??lico Pat Robertson, cuja Christian Broadcast Network tem muitos seguidores no Quénia. O embaixador dos Estados Unidos no Quénia, Michael Rannenberger, apressou-se a negar qualquer relação entre a ACLJ e a embaixada dos Estados Unidos. ?? conhecido que esta embaixada apoia o "sim" ?? Constitui????o.
Mas ent??o, quais são as "organiza????es ocidentais" que estão a financiar a campanha a favor do "n??o"? De momento, a "direita religiosa" aparece como a principal suspeita. J?? se empregou esta t??ctica quando o deputado David Bahati introduziu no Parlamento do Uganda o projecto de lei contra as pr??ticas homossexuais
Tanto os media nacionais como os estrangeiros afirmaram que a poderosa organiza????o neo-conservadora The Family, formada por evang??licos norte-americanos, tinha financiado os grupos pentecostais do Uganda, que foram os que apoiaram, com mais entusiasmo, a lei proposta.
?? margem destas considera????es, o mais preocupante de toda esta polémica ?? que muitos quenianos votar??o no referendo sem saber muito bem em qu??. Por isso, uma vez publicada a Constitui????o, é preciso educar os votantes, deixando de lado as press??es políticas.

