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Cuba: m??dicos, outra for??a expedicion??ria

 Política
Cuba tem 6 m??dicos por mil habitantes, quase o dobro da m??dia europeia, e uns 20.000 espalhados em miss??es no estrangeiro
Cuba: m??dicos, outra for??a expedicion??ria

Assim descreveu em 1998 o ex-dirigente cubano a ajuda que o seu governo decidiu enviar aos pa??ses destru??dos pelos furac??es George e Mitch. Esta invas??o pac??fica estendeu-se a outras terras da Am??rica Latina e - em menor dimens??o - da ??frica, onde actualmente trabalham milhares de m??dicos cubanos.


Cuba tem 6 m??dicos por mil habitantes, quase o dobro da m??dia europeia, e uns 20.000 espalhados em miss??es no estrangeiro

 

Esta for??a expedicion??ria de bata branca ?? possível gra??as ?? abund??ncia de profissionais que se formam na ilha. Sob o domínio castrista, Cuba sempre se distinguiu pelo bom nível da sua medicina, sobretudo em compara????o com outros pa??ses da mesma regi??o ou de rendimentos semelhantes. Tem quase 6 m??dicos por mil habitantes, muito acima da m??dia europeia, que ronda um pouco mais de 3. A sua posi????o nesta tabela não corresponde aos outros ??ndices de desenvolvimento e bem-estar, como assinala o opositor ??scar Espinosa Chepe: posiciona-se no 22.?? lugar ao nível da Am??rica Latina em PIB por pessoa e no consumo de electricidade e ocupa o 18?? e último lugar no uso da Internet.

 

Estude Medicina gr??tis em Cuba

 

No passado m??s de Janeiro, quando o Haiti foi sacudido pelo terramoto, j?? trabalhavam no pa??s 400 m??dicos e enfermeiros cubanos. De imediato receberam refor??os, até completar 1.700 profissionais, sendo cerca de mil cubanos e os restantes haitianos e de outros pa??ses, mas formados em Cuba.

 

Desde 1999 que a Escola Latino-Americana de Medicina (ELAM), nos arredores de Havana, prepara profissionais estrangeiros procedentes de zonas pobres. Os candidatos são seleccionados pelas embaixadas cubanas sob proposta de l??deres comunit??rios, de partidos de esquerda, de movimentos sociais ou ainda de grupos religiosos.

 

Tudo - ensino, alojamento e subsist??ncia - durante os seis anos de carreira ?? gratuito, pago pelo Estado cubano. A condi????o ?? os licenciados regressarem aos lugares de onde prov??m e a?? exercerem.

 

At?? agora sa??ram da ELAM uns 7.200 diplomados de 55 pa??ses (da Am??rica Latina, da ??frica, do Pr??ximo Oriente, etc.). Segundo Midalys Castilla, vice-reitora e docente, actualmente os alunos são quase 10.000, dos quais 75% são filhos de oper??rios ou agricultores. H??, inclusivamente, 113 vindos dos Estados Unidos.


Opera????o Milagre

 

A coopera????o m??dica cubana ?? j?? antiga. Desde 1990 que trata vítimas do acidente nuclear de Chernobyl, na sua grande maioria crianças nascidas com malforma????es ou patologias cr??nicas por efeito da radia????o. A Ucr??nia s?? paga a viagem de ida e volta a Cuba, e Cuba apoia os tratamentos aos doentes, cujo número atinge neste momento os 25.500.

 

O projecto mais conhecido ?? a Opera????o Milagre, que proporciona cuidados oftalmológicos gratuitos a pessoas de escassos recursos em mais de 30 pa??ses da Am??rica Latina, das Cara??bas e da ??frica. Come??ou em 2004 na Venezuela, por acordo com o governo de Hugo Ch??vez. Devolveu a vis??o a 1,8 milhões de pessoas mediante opera????es ??s cataratas ou outras doenças dos olhos.

 

Desde 2005 que existem na Bol??via, para al??m de 18 clínicas da Opera????o Milagre, m??dicos cubanos de diversas especialidades. Cuba também doou equipamento m??dico para hospitais bolivianos de pequena dimens??o.


Um caso especial de fuga de cérebros

 

A Venezuela ?? o primeiro destino da coopera????o cubana, m??dica ou de outro tipo (desportivo, pedag??gico, militar, etc.). H?? uns 30.000 cubanos l?? e metade são m??dicos. Um dos programas em funcionamento chama-se Barrio Adentro, que desde 2003 proporciona cuidados prim??rios em zonas de escassa cobertura sanit??ria. Segundo uma reportagem do El Pa??s (24-05-2010), os profissionais t??m muito trabalho, remunera????o m??dia e habitação desconfort??vel: o normal ?? alugarem um apartamento de 30 metros quadrados para quatro pessoas.

 

No entanto, não faltam volunt??rios para assistir a república irm??, de tal sorte que podem ter que ficar um ano em lista de espera. Entre outras raz??es, esta disponibilidade também pode dever-se ao facto de um posto na Venezuela oferecer a possibilidade de escapar de Cuba sem necessidade de uma perigosa viagem de jangada. At?? agora cerca de 1.500 m??dicos cubanos cruzaram clandestinamente a fronteira colombiana, segundo a estimativa aproximada da Sociedade Venezuelana de Medicina Bolivariana, que colabora com o contingente chegado da ilha.


Solidariedade e política

 

Esses sim, que são m??dicos sem fronteiras (n??o nos referimos aos fugidos). Cuba ?? o número um mundial em solidariedade sanit??ria, muito ?? frente dos pa??ses ricos. Tanta generosidade corresponde, antes de tudo, aos ideais da revolução cubana. A vice-reitora da ELAM explica assim o esfor??o: "A maior riqueza do nosso pa??s são os recursos humanos, e por isso ajudamos de maneira solid??ria aqueles pa??ses que precisem", disse em declara????es a Vicente Poveda, correspondente da DPA.

 

Existem, por??m, outros motivos. No caso da Venezuela, a coopera????o cubana ?? também uma compensa????o pelo apoio económico vital concedido pelo governo Ch??vez, sobretudo atrav??s de 100.000 barris de petróleo di??rios, que Cuba não conseguiria comprar nos mercados internacionais.

 

A solidariedade humanit??ria ?? também um instrumento da política externa cubana, uma das bases do apoio que recebe de outros governos latino-americanos. E contribui no seu todo para dar ao mundo uma boa imagem de Cuba, merecidamente, pelo que faz neste campo. Os números acima citados prov??m quase todos de fontes oficiais cubanas, que não perdem oportunidade de apregoar os ??xitos das miss??es m??dicas no exterior.


Degrada????o da sa??de cubana

 

Por ser política e ao mesmo tempo solidariedade, a ajuda cubana desperta desconfian??a ou ressentimento. As mudanças de presidente nas Honduras e no Panam?? (Porf??rio Lobo e Ricardo Martinelli) deram azo ao fim das miss??es m??dicas cubanas em ambos os pa??ses. At?? mesmo na Venezuela, uma sondagem refere que a presen??a de cubanos d?? tanto nas vistas que tr??s em cada quatro venezuelanos se pronunciam contra a alian??a castro - chavista.

 

Tamb??m h?? queixas internas. Na ilha dizem: "Cuba tem muito bons m??dicos, mas não est?? c?? nenhum", aponta Vicente Poveda. A propaganda sobre a ajuda de sa??de ao estrangeiro fere os ouvidos dos cubanos, que sofrem a degrada????o do sistema nacional de sa??de. Comprova-o a Comissão de Direitos Humanos e Reconcilia????o Nacional (CCDHRN), constitu??da por opositores, depois da morte de 26 doentes do Hospital Psiqui??trico Nacional por falta de roupa de agasalho durante uma onda de frio. No seu comunicado, a CCDHRN lamentou a m?? situação geral da sa??de pública, "especialmente quanto a ter disponíveis medicamentos e provis??es b??sicas.

 

O governo reconhece as car??ncias, mas atribui-as ao embargo dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo que diz haver excesso de pessoal, anunciou h?? tr??s meses um corte de efectivos nos serviços de sa??de. O Granma (26-02-2010), di??rio do Partido Comunista, justificou a que consome boa parte dos recursos do pa??s".

 

O contraste entre a medicina exterior e a nacional leva ??scar Espinosa a concluir que "?? hora de deixar de utilizar a coopera????o humanit??ria como arma política e acomod??-la ??s escassas possibilidades de Cuba" (PayoLibre.com, 8-04-2010). Mas o regime castrista sempre viveu acima das suas possibilidades e, mais ou menos, foi-o conseguindo, enquanto teve um protector estrangeiro. A desagrega????o da Uni??o Sovi??tica arrastou Cuba para a crua realidade. Agora tem Hugo Ch??vez.

 

Aceprensa